Publicado 09/07/2026 13:29 | Atualizado 09/07/2026 13:30
Rio das Ostras - Uma investigação que apura um dos maiores supostos esquemas de desvio de recursos públicos no Estado do Rio de Janeiro chegou a um ex-chefe da Polícia Civil em Rio das Ostras. O ex-delegado da 128ª Delegacia de Polícia, Franquis Nepomuceno, foi preso nesta quinta-feira (9), durante uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que mira um grupo suspeito de fraudar contratos públicos ligados ao Instituto Rio Metrópole (IRM).
PublicidadeA ofensiva mobilizou equipes do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF) e resultou, inicialmente, na prisão de cinco investigados. Além de Franquis Nepomuceno, foram detidos o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva, a ex-fiscal do IRM Caroline Soares Barros e Amanda Íthala da Paschoa.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o grupo integra uma organização criminosa investigada por crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. As apurações apontam que o esquema teria provocado um prejuízo superior a R$ 86 milhões aos cofres públicos entre julho de 2022 e maio deste ano.
As investigações indicam que empresas contratadas pelo Instituto Rio Metrópole realizavam repasses financeiros ao Instituto BIO (Brazilian Institute of Organics), apontado pelos investigadores como uma entidade utilizada para ocultar a origem dos recursos. Conforme a denúncia, parte desse dinheiro era posteriormente sacada em espécie, dificultando o rastreamento das movimentações financeiras.
Ao todo, 11 pessoas são alvo da operação. Entre elas está o diretor de Planejamento e Projetos do IRM, Maurício Silva Knoploch, apontado pelo Ministério Público como um dos responsáveis pela articulação do suposto direcionamento de contratos públicos para empresas investigadas.
Além dos mandados de prisão, a operação cumpriu nove mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos municípios do Rio de Janeiro, São Gonçalo e Teresópolis, onde foram recolhidos documentos e equipamentos que poderão reforçar as investigações.
De acordo com informações divulgadas pelo Governo do Estado, a apuração teve origem em auditorias realizadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que identificaram indícios de irregularidades em contratos do Instituto Rio Metrópole. Após a conclusão dos relatórios técnicos, o material foi encaminhado ao Ministério Público, responsável por aprofundar as investigações e solicitar as medidas judiciais executadas nesta quinta-feira.
Em nota, o Governo do Estado ressaltou que a atual presidência do Instituto Rio Metrópole possui mandato fixo previsto em lei, iniciado durante a gestão anterior, e reafirmou o compromisso com a transparência, a fiscalização dos gastos públicos e o combate à corrupção.
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