Museu Nacional em cinzas e interditado. Há risco de desabamento de paredes no interiorClever Felix/Parceiro/Agência O Dia
Por RAFAEL NASCIMENTO
Publicado 03/09/2018 13:04 | Atualizado 03/09/2018 13:06

Rio - Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional, e Luís Fernando Dias Duarte, diretor adjunto do local, mostraram indignação ao visitarem o que restou da construção na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, nesta segunda-feira. "A culpa disso tudo é a inércia do governo federal. É uma covardia essa irresponsabilidade", afirma Alexander.  

O incêndio atingiu o Museu Nacional na noite deste domingo, por volta das 19h30. O fogo foi controlado pelas equipes do Corpo de Bombeiros nesta madrugada, por volta das 3h. 

"Isso é um absurdo. Dom pedro nasceu aqui, ele foi nosso benfeitor científico. Temos que repensar o que queremos para nossa a história. Agora não queremos, exigimos as verbas emergenciais para alugar contêineres para que as aulas, as atividades e a administração não sejam prejudicadas. Exigimos o terreno ao lado para a construção. Queremos a avaliação da estrutura e o que os governos coloquem verbas nos museus do país. Isso não é um pedido, é uma exigência", diz o diretor. 

De acordo com os diretores, há anos o Museu Nacional pleiteia um terreno para a instalação do administrativo da instituição. "No projeto, iríamos construir anexos para tirar os alunos do prédio e deixar aqui só o museu. Nós tínhamos a construção de um anexo para tirar soluções líquidas daqui", conta Luís Fernando Dias Duarte. 

Segundo Kellner, desde fevereiro eram realizados cursos de prevenção e combate a incêndio. "Nós demos condições para que esses alunos e professores soubessem lidar com o incêndio, no entanto, isso aconteceu à noite. Desde fevereiro estamos fazendo curso. É um absurdo por que não tinha água nos hidrantes?", indaga.

"Nós tínhamos aqui um sistema anti-incêndio, mas parou porque não tínhamos dinheiro para manter. É uma tragédia anunciada, que tentamos evitar", completa o diretor adjunto. 

Incêndio destrói o acervo do Museu NacionalAlexandre Brum / Agência O Dia

De acordo com Kellner, eles tentavam dialogar com autoridades desde o início do ano para mostrar a precarização do local.  "Nós teremos que ter um projeto para o novo Museu Nacional, porque o antigo já era", lamenta Luís Fernando Dias Duarte. 

Cedae nega falta de água em hidrantes; secretário desafia abrir registros

A Cedae disse, através de nota, na manhã desta segunda-feira, que não houve falta de água nos hidrantes do Museu Nacional, conforme vem falando desde ontem o secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Roberto Rodadey, que há pouco desafiou achar água nos registros.

"Os hidrantes estão sem água, não tinha brigadista. Eu desafio vocês a ir lá e abrir a pressão da água. Tivemos muitas dificuldades para apagar no primeiro momento por conta disso, tivemos que ligar para o presidente da Cedae", falou.

Sobre o Museu Nacional

Primeira instituição museológica e de pesquisa do Brasil, o Museu Nacional completou 200 anos no dia 6 de junho deste ano. Localizado no interior do parque da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, o museu foi criado como Museu Real, em 1818, por D. João VI. Era considerada a instituição cientifica mais antiga do Brasil e uma das principais da América Latina.

O conjunto arquitetônico da Quinta da Boa Vista, o edifício do museu e a coleção Balbino de Freitas são tombados, desde 1938, como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), entidade vinculada ao Ministério da Cultura.

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