Publicado 27/09/2019 15:44
Rio - Os efeitos sonoros que reproduzem som de helicóptero no Espaço Favela do Rock in Rio, que começa nesta sexta-feira, provocaram reações negativas nas redes sociais. A plataforma Fogo Cruzado registrou 22 operações policiais com aeronaves usadas como plataforma de tiros na Região Metropolitana do Rio durante este ano. O número é quase o quádruplo das operações deste tipo realizadas em 2018: foram seis no ano passado.
A simulação de operações policiais com barulho de helicóptero no Espaço Favela do festival provocou indignação de internautas. O registro em vídeo foi feito na última terça-feira, durante o evento teste do Rock In Rio. No ensaio, os efeitos acontecem entre duas encenações coreográficas.
A publicação do vídeo já teve mais de 2 mil compartilhamentos no Facebook.
Para o autor da publicação que repercutiu nas redes, faltou cuidado na encenação. "Achei que faltou tato na exibição. Esse é um barulho que provoca pavor nos moradores de favela", diz Luiz Carlos Oliveira.
Para a diretora da ONG Redes da Maré, Eliana Sousa Silva, a rotina de operações com helicópteros em favelas deve ser representada a partir de uma perspectiva crítica.
"Neste momento que estamos questionando o uso da aeronave como plataforma de tiro, é estranho ver esse tipo de situação, que causa tanto sofrimento, em um evento artístico e cultural. Se não for usado em um contexto de crítica, é complicado. Esse não deve ser um símbolo da favela", comenta Eliana.
O Rock in Rio disse em nota que entende que os artistas que se apresentam no festival têm total liberdade de expressão para o desenvolvimento de suas apresentações. "O Grupo Nós do Morro produziu um espetáculo exclusivo para o evento teste, realizado no último dia 24, com uma das cenas trazendo uma crítica social. O som de um helicóptero no Espaço Favela fazia parte da sonoplastia do espetáculo. Entretanto, não faz parte das apresentações que começam, 27 de setembro, hoje na Cidade do Rock", disse o festival.
Para Guti Fraga, diretor do espetáculo, o helicóptero trazia um simbolismo de que mesmo com os momentos de intervenções que as favelas sofrem, há, sim, muitas razões para se orgulhar de toda a produção cultural que lá existe. Por esta mesma razão, logo em seguida, abrindo o show, uma bailarina surgia fazendo o contraponto ao barulho do helicóptero. No total, o Nós do Morro faz três diferentes apresentações ao longo dos sete dias de Rock in Rio no Espaço Favela.
Para Guti Fraga, diretor do espetáculo, o helicóptero trazia um simbolismo de que mesmo com os momentos de intervenções que as favelas sofrem, há, sim, muitas razões para se orgulhar de toda a produção cultural que lá existe. Por esta mesma razão, logo em seguida, abrindo o show, uma bailarina surgia fazendo o contraponto ao barulho do helicóptero. No total, o Nós do Morro faz três diferentes apresentações ao longo dos sete dias de Rock in Rio no Espaço Favela.
Operações com helicóptero em 2019 já superam em 367% as de 2018
A plataforma Fogo Cruzado registrou 22 operações policiais com helicópteros usados como plataforma de tiros na Região Metropolitana do Rio durante este ano. Nestas, dez civis e um agente de segurança morreram em 2019. Outro agente de segurança ficou ferido. O número já é quase o quádruplo do total deste tipo de operação em 2018.
A Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, foi a comunidade mais atingida, com cinco registros deste tipo de operação policial em 2019. Em seguida vêm Complexo da Maré (4), Complexo do Alemão (2), Jacarezinho (2) e Morro da Serrinha (2).
Em todo o ano de 2018, foram registradas seis operações deste tipo no Grande Rio. Nestes casos, sete civis foram mortos. Naquele ano, o Complexo da Maré liderou o ranking de registros, com dois casos. Em seguida, ficaram Jacarezinho, Vila Kennedy, Acari e Complexo da Penha, com um registro cada.
Em todo o ano de 2018, foram registradas seis operações deste tipo no Grande Rio. Nestes casos, sete civis foram mortos. Naquele ano, o Complexo da Maré liderou o ranking de registros, com dois casos. Em seguida, ficaram Jacarezinho, Vila Kennedy, Acari e Complexo da Penha, com um registro cada.
O uso rotineiro de helicópteros em operações policiais levou o Ministério Público do Rio a delimitar, com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), normas de fiscalização sobre as ações que envolvam as aeronaves.
No último dia 18, o uso das aeronaves policiais foi alvo de denúncias de moradores dos complexos do Alemão e da Maré. Separados por três quilômetros, os conjuntos de favelas amanheceram com tiros disparados de fuzis a bordo dos chamados ‘caveirões aéreos’. Moradores registraram em vídeos as rajadas e sobrevoos perto de escolas e creches.
Na Maré, a operação foi realizada pela Polícia Civil. Durante a ação, um áudio escancarou a cruel realidade vivida pelos mais inocentes: as crianças. Uma aluna relatou o desespero ao escutar os tiros e denunciou que os disparos atingiram a sua escola. “Lá na escola começou a dar tiro do nada, o helicóptero veio baixinho. Aí depois veio o helicóptero apontando para as crianças. A gente veio subindo, correndo, e a gente ficou encurralado lá dentro. A gente não levou nada para casa. Deu muito tiro e ficaram fuzilando lá a escola”, disse.
No último dia 18, o uso das aeronaves policiais foi alvo de denúncias de moradores dos complexos do Alemão e da Maré. Separados por três quilômetros, os conjuntos de favelas amanheceram com tiros disparados de fuzis a bordo dos chamados ‘caveirões aéreos’. Moradores registraram em vídeos as rajadas e sobrevoos perto de escolas e creches.
Na Maré, a operação foi realizada pela Polícia Civil. Durante a ação, um áudio escancarou a cruel realidade vivida pelos mais inocentes: as crianças. Uma aluna relatou o desespero ao escutar os tiros e denunciou que os disparos atingiram a sua escola. “Lá na escola começou a dar tiro do nada, o helicóptero veio baixinho. Aí depois veio o helicóptero apontando para as crianças. A gente veio subindo, correndo, e a gente ficou encurralado lá dentro. A gente não levou nada para casa. Deu muito tiro e ficaram fuzilando lá a escola”, disse.
Uma foto mostrou alunos sentados no chão do corredor da Escola William Peixoto, amparando-se durante os tiros.
Comentários