O superintendente Flávio Graça, de 53 anos, durante fiscalização da Vigilância Sanitária na Barra da TijucaReprodução / TV Globo
Por Gabriel Sobreira
Publicado 06/07/2020 13:56 | Atualizado 06/07/2020 14:35
O superintendente da Vigilância Sanitária ofendido por um casal em reportagem exibida neste domingo no ‘Fantástico’, da TV Globo, diz que ficou triste vendo o tamanho da atitude.
“Dá vergonha de ser carioca quando a gente vê outras pessoas com esse comportamento. E nos deixa triste porque todo mundo quer sair dessa pandemia, e a gente sabe que este tipo de comportamento pode fazer a gente ter uma regressão. O equivoco deles era tão grande que eles estavam tentando coibir uma fiscalização que no final descobriu lá dentro mais de 80kg de carne vencida que estava sendo comercializada para eles. Eles estavam comendo carne vencida e pagando por isso. Se fosse de graça, já era errado. Eles estavam pagando, pagando caro, pois Olegário Maciel é um nível de poder aquisitivo alto. É uma sucessão de erros. O sentimento que me dá é, como se fala hoje em dia: vergonha alheia. É o que mais move qualquer um que vê aquele vídeo”, afirma o carioca Flávio Graça, de 53 anos.
Publicidade
À frente da Superintendência de Inovação, Pesquisa e Educação em Vigilância Sanitária, Fiscalização e Controle de Zoonoses da Prefeitura do Rio desde 2017, Flavio tem uma carreira com quase 30 anos de Médico Veterinário, mestrado e doutorado em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e trabalhou muitos anos no magistério. “Onde a gente também encontra muitas situações onde as vezes o aluno provoca, tenta colocar o professor em alguma situação e a gente traz essa experiência para essa questão de vida pública da fiscalização”, conta.
Publicidade
Segundo ele, existe uma capacitação dentro da própria Vigilância Sanitária que preparar os agentes sempre que saem para uma inspeção. “Quem vai ficar nervoso em uma situação dessa, só quem está errado. A gente não tem porque ficar nervoso. É o nosso trabalho”, ensina Flávio. “A gente trabalha com eles (agentes) para estarem preparados para qualquer ação”, acrescenta.
Publicidade
Flávio conta ainda que a família sentiu orgulho vendo as imagens dele na TV. “Estávamos fazendo o nosso papel, protegendo. Em nenhum momento passou pela cabeça dos meus filhos que fosse uma vergonha o pai, pelo contrário, mostra o trabalho que a gente faz na rua e todo dia que a gente sai para trabalhar e fazer o nosso melhor”, defende. “Na verdade, ele ofendeu o servidor, que não deixou de fazer o seu papel por causa disso. A ofensa é aquela questão, como diz o provérbio: ‘É um presente, que te dão, se você não recebe, não é seu’”, completa.