Incêndio destrói favela dentro de condomínio em Santa Cruz. Na foto, donativos chegam e são separados em salas do Ginásio Miéssimo da Silva, em Campo Grande onde os moradores estão abrigados.Estefan Radovicz / Agencia O Dia
Por Yuri Eiras
Publicado 15/01/2021 12:02
Rio - Moradores desabrigados pelo incêndio que atingiu a ocupação Jesuítas, em Santa Cruz, pedem à Prefeitura a garantia de aluguel social. Cerca de 250 famílias foram atingidas pelo fogo, que tomou conta dos barracos na noite de quinta-feira. Mais de 150 pessoas estão abrigadas no ginásio Miécimo da Silva, em Campo Grande.

A secretaria de Assistência Social oferece às famílias vagas em abrigos, mas os moradores querem o aluguel social, um pedido de anos. A secretária, Laura Carneiro, esteve ontem no local e permanece nesta sexta-feira para coordenar as doações de roupas e quentinhas que não param de chegar ao complexo esportivo.

"Eles querem levar a gente para abrigo, mas não sairemos daqui enquanto não tivermos aluguel social. Temos três anos de ocupação, três incêndios e sempre prometeram tirar a gente de lá. Crivella e Paes prometeram, mas não fizeram", comentou Elias da Matta, que vivia com a esposa, Adriana, e outros cinco filhos, um deles de um ano, em um dos barracos da comunidade.

Adriana, que é camelô, não estava em casa no momento do incêndio, por volta das 19h. Foi o pai dela quem conseguiu acordar as crianças e tirá-las do fogo. Segundo os moradores, o fogo em um fio teria atingido um botijão de gás e causado o estrago.

"Foi um fio que passa em cima da casa e pegou fogo. Passou pela telha, atingiu o bujão e explodiu, e foi pegando outros bujões", contou Adriana, uma dos moradoras que promete protestar caso a Prefeitura não ofereça o aluguel. "A gente tenta há muito tempo. É muito sofrimento lá. Você vê rato mordendo criança, mexendo nas panelas, barata, lagarta. Veja quantos moradores de rua têm em Santa Cruz. É muito abandono", completou Elias.
Prefeitura realiza novo cadastramento
Publicidade
A Prefeitura se reúne nesta tarde com as famílias para negociar a ida para abrigos ou outras possibilidades. "Vamos realizar novo cadastramento para identificar aqueles que têm condições de abrigo junto a família ou amigos, e aqueles que não têm", disse Laura Carneiro, secretária da Assistência Social.
Segundo o município, "quem não tiver para onde ir deverá inicialmente ser encaminhado aos equipamentos da Prefeitura, que se esforçará para que todos fiquem juntos. O novo cadastramento começa agora à tarde, e a partir desse resultado será tomada a decisão sobre a questão habitacional, em ação integrada com Assistência Social, Ação Comunitária e Habitação".
Leia mais