Policia - A Policia Civil e o Ministerio Publico do Rio (MPRJ) realizam, na manha desta terça-feira, uma operaçao para desarticular uma organizaçao criminosa especializada em furto de combustiveis, em municipios da Baixada Fluminense. O objetivo e cumprir cinco mandados de prisao e 14 mandados de busca e apreensao. Alem do Estado do Rio, ha mandados de busca e apreensao cumpridos em Minas Gerais, Sao Paulo e Parana. O chefe da organizaçao criminosa e um capitao da Policia Militar, identificado como Marcelo Queiroz dos Anjos. Na foto, policiais cumprimem mandado de prisao contra, Gilson Cunha Junior, na Mangueirinha, em Duque de Caxias.Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Por Thuany Dossares
Publicado 02/03/2021 06:28
Rio - A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio (MPRJ) realizam, na manhã desta terça-feira, a operação Porto Negro, para desarticular uma organização criminosa especializada em furto de combustíveis, em municípios da Baixada Fluminense. De acordo com as investigações, o chefe da organização criminosa é um capitão da Polícia Militar, identificado como Marcelo Queiroz dos Anjos, lotado na Ajudância Geral, no QG da PM. 
O objetivo é cumprir cinco mandados de prisão e 14 mandados de busca e apreensão. Além do Estado do Rio, há mandados de busca e apreensão cumpridos em Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Até o início da tarde, quatro alvos já haviam sido presos e apenas o oficial estava foragido. 
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A quadrilha liderada pelo PM furtou ao todo 169,5 mil litros de petróleo e causou um prejuízo de cerca de R$ 2 milhões, segundo os investigadores. 


De acordo com a Delegacia de Defesa de Serviços Delegados (DDSD) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), as investigações começaram há seis meses, quando os agentes descobriram que a quadrilha furtava petróleo diretamente de dutos da Transpetro/Petrobras, no município de Guapimirim. O combustível era transportado para Rolândia, no Paraná, para adulteração e revenda.
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"A investigação se iniciou a partir de um furto que eles praticaram no dia 7 de junho de 2020, em Guapimirim, e a carreta tanque com combustível atolou e eles chamaram uma retroescavadeira, e a partir dela que se identificou os integrantes da organização", contou o promotor do Gaeco, Rogério Sá Ferreira. 
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Infraestrutura sofisticada e engenharia chamou atenção dos investigadores 
A polícia descobriu que depois desse furto de Guapimirim, os criminosos furaram outros dois dutos da Transpetro, em Nova Iguaçu e em Queimados, também na Baixada Fluminense, em setembro do ano passado. Para cometer esses furtos, a organização criminosa construiu uma estrutura sofisticada, contando com escavações subterrâneas, que chamaram atenção dos investigadores e do Ministério Público. 
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"Foram nesses furtos que eles utilizaram uma infraestrutura bem sofisticada para retirar o petróleo do duto da Transpetro. Isso nos chamou atenção, porque eles abriram uma rua para ter acesso ao duto, fizeram um túnel, escavaram sete metros de comprimento por um metro e meio de largura, para passar o duto. Tinha ainda uma mangueira de 200 metros de comprimento, para dificultar a localização do transbordo do petróleo, porque a mangueira ia do ponto de subtração até o caminhão", explicou o promotor. 
O Ministério Público acredita ainda que a quadrilha investiu cerca de R$ 40 mil para construir toda essa engenharia sofisticada, na tentativa de não chamar atenção e despistar a polícia. "É um investimento que eles fazem, uma visão empresarial do bandido. Ele investe mas o retorno financeiro para ele deve compensar", falou Rogério Sá Ferreira. 
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Quadrilha era organizada e cada integrante tinha uma função  
A organização criminosa era liderada pelo capitão da Polícia Militar, Marcelo Queiroz, de acordo com as investigações. "Ele era o responsável pelo aluguel das retroescavadeiras. O grau de sofisticação da organização criminosa chamou muita atenção, eles abriram uma estrada para proporcionar que os caminhões trafegassem pela estrada e fazer manobras de forma adequada, que pudessem estacionar e fazer o transbordo do petróleo subtraído da forma mais eficiente", contou o delegado André Leiras, titular da DDSD. 

O segundo homem na quadrilha, de acordo com a polícia e o MP, é Gilson Cunha Júnior. Ele foi preso em cumprimento de mandado de prisão e, em sua casa, na Mangueirinha, em Duque de Caxias, foi encontrado material de trepanação e armazenamento de óleo e combustível. Um tanque para armazenar combustível também foi encontrado em frente à casa de Gilson.

Os agentes também prenderam Jorge Dias Braga, cunhado de Gilson. Ele foi encontrado num imóvel próximo ao do seu familiar. "Ele era o responsável pela logística dos furtos. Ele levava o material da trepanação, instalava as mangueiras", descreveu o promotor Rogério Sá Ferreira. 
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Ainda de acordo com os agentes, outro integrante da organização criminosa é José Carlos da Silva, que também foi preso na manhã desta terça-feira. "Ele era o motorista, ele que transportava o petróleo até o destino final", explicou Sá Ferreira. 
As investigações apontaram que um dos grandes financiadores da organização também era o empresário Walmir Aparecido Marinho. Ele é suspeito de ser o receptador do petróleo, em Rolândia, no Paraná. 
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"O Walmir, ele tem uma empresa, a W A Marinho, no município de Rolândia, no Paraná, ele era o principal receptador desse petróleo. Ele recebia esse petróleo e vendia, pelo que ficou apurado, principalmente, para uma fábrica de asfalto, no próprio estado do Paraná. E ele como financiador dessa organização, fornecia caminhões para fazer o transporte do petróleo que era extraído dos dutos da Petrobras", finalizou o promotor do Gaeco. 
Furtos recorrentes
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Desde 2015, o Ministério Público do Rio e a Polícia Civil registraram 259 incidentes de tentativas ou furtos consumados de combustível em dutos da Petrobras:
2015 – 11
2016 – 32
2017 – 95
2018 – 69
2019 – 40
2020 – 12 (até setembro). 
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