Publicado 25/01/2022 16:30 | Atualizado 25/01/2022 18:58
Rio - Familiares do taxista Aniceto José Camello, 69 anos, acusam a equipe médica do Pronto Socorro Dr. Armando Gomes, em São Gonçalo, de negligência durante um atendimento. Aniceto chegou ao local às 12h45 da última terça-feira (18) sentindo fortes dores de cabeça e no peito, falta de ar e dormência nas mãos. Ele faleceu três horas depois, por volta das 16h, sendo confirmado o infarto como a causa da morte.
Logo após sua chegada, o taxista informou seus sintomas e teve a pressão alta constatada. Cerca de uma hora depois, sua filha Flávia Lospennato, de 46 anos, chegou ao Pronto Socorro e encontrou seu pai em pé, encostado no balcão.
"Quando cheguei no Pronto Socorro de São Gonçalo, logo o vi em pé, encostado no balcão de atendimento. Fiquei perplexa. Quando recebi a notícia que ele tinha sido levado pra lá por um vizinho, já havia passado um bom tempo. Enfim, peguei o BAM (Boletim de Atendimento Médico) e olhei a hora que ele chegou, 12h45. Eu cheguei às 13h40. (...) Fui na portaria e pedi ao segurança pra ele entrar pelo menos para sentar. Ele retirou um acompanhante e colocou meu pai sentado."
De acordo com a filha, após sua chegada, houve a espera de mais uma hora até o atendimento com o médico, acompanhado de um residente, por volta de 15h. Durante esse tempo, Aniceto foi se sentindo pior. Na consulta, o médico não tinha oxímetro e Flávia teve que providenciar um aparelho. O médico receitou um remédio e, depois de mais espera, Aniceto foi encaminhado para um eletrocardiograma.
"Ele foi encaminhado para o eletro, onde já não aguentava mais, e voltou pra o aguardo da revisão. Foi quando conseguimos, depois de um tempo, entrar com ele. Novamente a demora, a explicação à residente. O médico dizia na frente do meu pai, com o eletro na mão, dizendo para a residente que aquilo era perigoso. Papai, mais nervoso ainda, começa a piorar. Ele foi encaminhado para o trauma às 15h47, onde não se pode fazer mais nada", contou Flávia.
Aniceto trabalhava como taxista há cerca de 50 anos e tinha o apelido de 'Alicate' entre os amigos. Seu corpo foi velado e sepultado na quarta-feira (19) às 16h30, no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo. Ele deixa a mulher e três filhos.
Procurada, a Prefeitura Municipal de São Gonçalo afirmou que a reclamação da família não procede. Segundo a nota, o paciente Aniceto José Camello deu entrada no Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes, na última terça-feira (18), às 12h45 e foi atendido às 13h10, conforme o boletim de atendimento. Ele foi levado para sala de medicação, onde foi estabilizado. Ele voltou a sentir-se mal e foi levado para a sala vermelha, onde teve um infarto fulminante e veio a falecer pouco depois das 16h.
A direção da unidade informou que lamenta o falecimento do paciente, mas garante que todo o procedimento foi realizado com rapidez e com atendimento adequado de toda a equipe médica de plantão na unidade. Além disso, se colocou à disposição da família para esclarecimentos.
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