Publicado 27/01/2022 10:01
Rio - O colecionador de armas Vitor Furtado Rebollal Lopez, 35 anos, apontado por investigação da DRE (Delegacia de Repressão a Entorpecentes) como fornecedor de material bélico para o Comando Vermelho, chegou a encomendar 10 mil projéteis, pelo Whatsapp, somente em um dia.
Lopez, conhecido como Bala 40, foi preso na segunda-feira, em Goiás, transportando munições. Em sua residência, no Grajaú, a Polícia Civil apreendeu 55 armas, sendo 26 fuzis.
De acordo com a legislação em vigor na época da interceptação, em 2018, os caçadores e atiradores poderiam adquirir, no período de um ano, mil unidades de munição para cada arma. Esse número dobrou no ano passado, a partir de decreto presidencial, que ampliou o acesso de armas e munições.
Em contato com uma loja de munição, no dia 24 de setembro de 2018, Lopez encomenda 5 mil projéteis para pistola .40 e outras 5 mil unidades para pistola .9mm. A negociação final ocorre via aplicativo de celular.
Além disso, as gravações demonstram grande aquisição de pólvora, que é utilizada para fabricar novas munições. A especializada apontou que ele "ligava insistentemente" para uma loja indagando se a pólvora havia sido entregue ou se havia previsão. No período de um dia, ele ligou quatro vezes com a mesma dúvida.
No relatório da especializada, o delegado Pedro Bittencourt Brasil, na época lotado na DRE, afirma que "embora (Vitor) não tenha praticado conduta criminosa durante as suas ligações, é citado por interlocutores, que o envolvem no delito em tela".
Um dos interlocutores é o irmão de sua namorada, Leonardo Pinheiro Labuto, também denunciado, mas que segue foragido. Segundo o relatório, Labuto fornecia munições de pistolas calibres .40 e .9mm para favelas: Jacarezinho, Dois de Maio (Rato Molhado), Morro do Engenho, Manguinhos, Complexo do Lins e Parque União, todas do Comando Vermelho. As munições eram do mesmo modelo encomendado por Lopes.
Entrega nas favelas de moto
Nas gravações, fica demonstrado que Labuto fazia a entrega das munições a traficantes utilizando uma moto. Em setembro de 2018, Labuto conversa com um homem não identificado, de apelido GB, que faz menção ao seu cunhado, o colecionador de armas. "Seu cunhado parece que está com medo. Quer que pegue primeiro o dinheiro para, depois, levar o bagulho lá. (...) O cara queria que eu fosse lá no Rato, pegasse o dinheiro com os caras referente a 20 caixas, para depois levar. Ele é maluco", disse.
No mesmo mês, um traficante liga para Labuto e diz que "os amigos estão precisando de duas (caixas) de munição 9mm e .40, agora, no Rato Molhado". Labuto responde que está no Parque União e chegaria em meia hora.
Em outra ligação, Labuto avisa a um traficante que está chegando em Manguinhos, a bordo da sua moto branca.
A investigação da DRE teve início após a apreensão de um celular, durante operação, no Complexo do Salgueiro, em 2018. Na localidade conhecida como Miriambi foi encontrado um telefone celular com diversos contatos telefônicos vinculados a traficantes de drogas da região.
Ao longo da investigação foram identificadas 23 pessoas que faziam participavam do esquema do tráfico de drogas, incluindo o colecionador de armas.
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