O biólogo Mário Moscatelli é consultor da empresa Iguá no projeto de revitalização do sistema lagunar da Barra e JacarepaguáMarcos Porto/Agencia O Dia
Publicado 12/12/2022 15:49
Rio - Foi iniciado, na manhã desta segunda-feira, o plantio de 40 mil mudas de Mangue Vermelho na Lagoa do Camorim, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. A espécie nativa da região vai ajudar a filtrar a água contaminada pelo despejo de esgoto. A ação é um dos passo firmados para a despoluição do Sistema Lagunar da Baixada de Jacarepaguá que só poderá ser concluído com a universalização do saneamento básico.


O plantio é parte do compromisso da concessionária de saneamento que atende a região, a Iguá, de investir R$ 250 milhões em ações de longo prazo para a revitalização do Complexo Lagunar da Barra da Tijuca e Jacarepaguá.

O biólogo Mario Moscatelli, consultor da concessionária no projeto, explicou que o plantio foi preparado com o cercamento da lagoa e coleta de lixo, iniciados em dezembro do ano passado.

"Preparamos as margens para receber essas mudas. São 5,2 km de cercas para proteger as margens da chegada de lixo. Tiramos 130 toneladas de lixo acumulado", conta. O biólogo afirma que o sistema poderá ser recuperado à medida que a empresa conseguir autorizações ambientais do estado para realizar o saneamento básico.

"O mangue é prodigioso em filtrar a água, tornar a água contaminada menos contaminada e sequestrar e acumular grande quantidade de carbono. Além disso, o mangue é como uma maternidade da Zona Costeira. Isso vai promover a biodiversidade que foi duramente afetada com o descaso com o saneamento", explica.

O evento desta segunda-feira (12) contou com a presença do vice-governador eleito do Rio, Thiago Pampolha, e da subsecretária de Estado de Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Ana Asti. Moscatelli destaca que a presença de autoridades mostra a importância que o meio ambiente está recebendo.

"Trabalhando há 35 anos com questões que envolvem o tema manguezal e biodiversidade. Hoje eu percebo que o tema está ganhando a importância e a dimensão que merece", ressalta.

O biólogo explica que todos os rios que chegam ao sistema lagunar estão comprometidos pela poluição. "O que eu tenho indicado é que a nova condição ambiental vai se revelar nos próximos 5 anos. A partir do momento que as obras forem autorizadas", frisa.

Para o vice-governador eleito, Thiago Pampolha, a recuperação da lagoa é a maior missão do governo do estado em parceria com a concessionária. "Os avanços e notícias trazem esperança, entusiasmo e senso de urgência nas nossas ações enquanto poder estatal. Mais do que nunca precisamos estar de mãos dadas para continuarmos avançando de forma assertiva. Queremos enquanto estado potencializar esse desenvolvimento", afirmou.

A Lagoa do Camorim foi escolhida para o início do projeto por se tratar do principal corredor ecológico entre o Maciço da Tijuca e a Pedra Branca. O compromisso da Iguá é realizar ações de revitalização do complexo lagunar em três anos a partir da obtenção do licenciamento dos órgãos ambientais. O plantio é uma das ações previstas para serem executadas nos próximos anos e que contribuirão com a melhoria das lagoas da região.

Junto com os investimentos de revitalização do complexo lagunar a Iguá fará também a implantação de coletores de tempo seco (CTS), estruturas que aproveitam a rede de drenagem, no entorno do complexo lagunar para destinar o esgoto dessas áreas para a estação de tratamento de esgoto da companhia, evitando que continue chegando às lagoas da região. A concessionária deu entrada junto ao Inea no pedido de licenciamento do projeto do complexo lagunar e do CTS da região do Arroio Fundo e Canal das Taxas e aguarda autorização para o início dos trabalhos.

"Após a obtenção das licenças ambientais, iniciaremos a instalação dos coletores de tempo seco, que são estruturas que capturam nas galerias pluviais o esgoto despejado irregularmente, impedindo que esse material chegue aos rios e destinando-os para a nossa estação de tratamento, localizada na Barra da Tijuca. Com esse projeto, mais de 15 rios da região serão protegidos e mais de 140 mil pessoas se beneficiarão diretamente", explica Eduardo Dantas, Diretor Geral da Iguá no Rio.

Iguá tem concessão de 35 anos

Por meio de contrato de concessão de 35 anos, a Iguá assumiu, em fevereiro de 2022, a operação plena dos serviços de água e esgoto na área do Bloco 2, referente à região da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, e nos municípios de Miguel Pereira e Paty do Alferes, no Centro-Sul Fluminense. Mais de 1,2 milhão de pessoas serão beneficiadas.

A concessionária é responsável pela distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto nos bairros da Barra da Tijuca, Camorim, Cidade de Deus, Curicica, Freguesia, Gardênia Azul, Anil, Grumari, Itanhangá, Jacarepaguá, Joá, Pechincha, Recreio dos Bandeirantes, Tanque, Taquara, Vargem Grande, Vargem Pequena e imediações.

A captação e o tratamento da água, produzida na Estação de Tratamento de Água do Guandu, ficam por conta da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).

No Estado, em Miguel Pereira e Paty do Alferes, a empresa cuida do ciclo completo do saneamento básico, com captação, tratamento e distribuição de água tratada, assim como os serviços de esgotamento sanitário. Entre os objetivos da concessão estão o aumento da coleta e tratamento de esgoto já existentes e ampliação do acesso à água potável.
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