Publicado 30/01/2023 07:00 | Atualizado 30/01/2023 11:44
Rio - Durante uma forte chuva no início deste ano, a cobertura da quadra de esportes da Unidade do Colégio Pedro II, no Centro do Rio, foi atingida por uma árvore. No incidente, o Salão Nobre, o Laboratório de Química e a Quadra de Esportes precisaram ser interditados. De acordo com pais e alunos, ainda há outros problemas que afligem a instituição, que atualmente atende cerca de mil estudantes, como infiltrações, mofo e, até mesmo, desabamento de teto.
A origem da unidade remonta ao Colégio dos Órfãos de São Pedro, criado em 1739 pelo Bispo D. Antônio de Guadalupe, posteriormente chamado Seminário de São Joaquim (1766). Este exercia também a função de escola, funcionando como um polo de cultura na cidade do Rio, papel que ganhou mais relevância na expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759. A partir desse episódio, a educação dos jovens se limitou à instrução doméstica com professores e aos seminários ligados às paróquias locais, como o São Joaquim.
No entanto, a escola Pedro II só passou a funcionar a partir de 1837, data de sua fundação. De todas as unidades, esse edifício do Centro da cidade é o mais antigo da instituição, tombado a nível federal pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a nível municipal pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).
O filho de Melissa Teixeira, de 16 anos, entrou em 2018 e está no primeiro ano do ensino médio. Ela contou que sempre quis que ele estudasse no Pedro II por ser uma referência no estado, mas não escondeu a tristeza de ver um local histórico depreciado desta forma. "Assim que o João entrou, uns meses depois, a biblioteca já precisou ser interditada. Um prédio como aquele, bicentenário, tombado, de fato precisa de algumas reformas, até mesmo estruturais, mas por ficar sob responsabilidade de um órgão apenas, até a troca de um parafuso precisa de autorização para que aconteça".
O filho de Melissa Teixeira, de 16 anos, entrou em 2018 e está no primeiro ano do ensino médio. Ela contou que sempre quis que ele estudasse no Pedro II por ser uma referência no estado, mas não escondeu a tristeza de ver um local histórico depreciado desta forma. "Assim que o João entrou, uns meses depois, a biblioteca já precisou ser interditada. Um prédio como aquele, bicentenário, tombado, de fato precisa de algumas reformas, até mesmo estruturais, mas por ficar sob responsabilidade de um órgão apenas, até a troca de um parafuso precisa de autorização para que aconteça".
Segundo Melissa, a biblioteca teve que ser realocada para uma sala pequena, onde nem todos os livros cabiam. "Os alunos não tinham a mesma estrutura, com mesa de estudo e tudo mais. O problema é estrutural mesmo. Quem entra ali percebe que a escola precisa de reforma, de manutenção, coisa que não está acontecendo", disse.
Além da dificuldade em fazer qualquer tipo de reforma no prédio, Melissa também destacou a questão do orçamento como um fator importante. "Algo que é bem notório são os cortes na educação. O negócio foi ficando muito precário. Meu filho fala pra mim que quase metade do edifício é inabitável porque não pode entrar. Tem salas que não são utilizadas por falta de reparos. A gente soube de uma que parte do teto caiu. O colégio é lindo, a arquitetura é linda e até por isso a gente fica ainda mais triste com essa situação, ver um patrimônio incrível daquela forma", desabafou.
Maria Prieto, 16, aluna no nono ano, relatou a presença de mofo, problemas no teto e infiltrações no prédio. "Ele passou por muita coisa já, chuva, queda de árvores, fora outros danos que acontecem só por habitar ali no local. Por exemplo, tem uma escada lá que os degraus estão desgastados de tanto aluno que pisa ali, normal. Mas, o maior problema mesmo para mim é o teto", relatou.
O aluno Rennan Guimarães, 16, integrante do Grêmio Estudantil, e também do nono ano, contou que se entristece com a atual situação do colégio e culpou a administração do antigo governo. "Ele está em condições precárias. É mais frustrante ainda quando paramos e pensamos no valor histórico que o local carrega, não só para o Rio, mas para o Brasil inteiro. Acredito que isso vem por causa da má administração que o antigo governo fez. O básico é a educação, sem escola, aluno, professor, não conseguimos criar uma sociedade. Isso não foi posto como base e agora podemos ver cenas como a de Realengo, que a unidade está com tetos caindo, por exemplo".
Rennan apontou que não só a unidade de Realengo está sofrendo com a precariedade, mas também a do Centro. "O nosso edifício é tombado, tem um salão nobre lindo e histórico, uma pintura que, se eu não me engano, só tem sete delas no mundo, muito triste saber que nada disso foi levado em consideração. Queremos ter voz e espaço que não tivemos".
De acordo com o Pedro II, os pontos mais importantes para reforma são: a restauração das coberturas, para resolução definitiva dos diversos problemas do telhado que causam infiltrações recorrentes, e a inserção de sistema de segurança adequado para manutenção; a atualização da infraestrutura elétrica, e a adequação dos dispositivos de proteção contra incêndio e pânico. Esta última será iniciada ainda neste ano.
Sobre as situações do prédio relatadas por pais e alunos, a instituição declarou que elas foram reportadas à Reitoria que, junto à Direção do Campus, irá buscar recursos para solucionar essas questões de infraestrutura. Eles ressaltaram também que, por se tratar de instituição federal de educação, dependem de decisões e recursos de esferas superiores do governo federal. O colégio segue buscando verbas junto ao Poder Público.
O Iphan informou que tombou a edificação em 1983 e os bens tombados estão sujeitos à fiscalização realizada pelo Instituto para verificar as condições de conservação. Além disso, o órgão também declarou que qualquer intervenção nestes patrimônios deve ser previamente autorizada pela Autarquia, com a intenção de preservar as características que tornam o bem integrante do Patrimônio Cultural Brasileiro.
Reunião com Lula
A reitora do colégio Pedro II participou de um encontro, na última semana, com o presidente Lula. A reunião com as reitoras e os reitores dos Institutos Federais e das Universidades Federais, de acordo com a escola, foi uma iniciativa do governo federal para restabelecer o diálogo com essas instituições. Em sua fala, Lula informou que a educação será uma das prioridades de seu governo. Já o ministro da Educação, Camilo Santana, ressaltou a importância de retomar investimentos e obras paralisadas.
Durante o evento, os representantes do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) apresentaram as suas pautas, sem entrar em demandas específicas de cada instituição. Foi um primeiro contato entre governo federal e instituições federais de ensino superior.
Segundo o Colégio Pedro II, o orçamento anual de custeio aprovado na Lei Orçamentária Anual para a instituição é de R$ 42.612.342,00.
História do prédio
No local onde se encontra instalado o Colégio Pedro II, no Centro do Rio, foi originalmente construído um prédio, em 1758, para abrigar os órgãos vindos do Seminário de São Pedro. Esta nova construção ficou pronta em 1766 e passou a se chamar Seminário de São Joaquim, por estar próximo à igreja dedicada ao santo.
Em 1818, o Seminário foi extinto e o edifício passou a abrigar uma divisão de tropas recém
chegadas de Portugal. Em 1821, o Príncipe D. Pedro restabeleceu o Seminário de São Joaquim, sendo em 1837 transformado em colégio, chamando-se Colégio Pedro II. Para isto o local passou por pequenas reformas, e os cubículos acanhados e escuros foram transformados em salas de aula claras e espaçosas, segundo o IPHAN.
O órgão destacou as reformas realizadas entre os anos de 1871/ 1875, projetadas pelo arquiteto Francisco Bittencourt da Silva, o salão conhecido como “do Bacharelado” e o arredondamento de uma das quinas da fachada, composição coroada por uma cúpula arrematada por um lanternim, solução inovadora e ao mesmo tempo ao gosto da arquitetura eclética da época e também o pórtico principal.
Nas palavras de Moreira de Azevedo em Memórias e Antiqualhas do Rio de Janeiro, “levantou um pórtico de cantaria com duas pilastras no primeiro pavimento, e duas no segundo, e na parte superior acrotérios com estátuas de mármore; abriu no primeiro pavimento três portas, vendo-se a do centro um escudo de bronze com a legenda Pedro II, e os emblemas do fumo e café, e no segundo três janelas com sacadas isoladas de balaústres de mármore, estando a central entre duas colunas.”
Maria Prieto, 16, aluna no nono ano, relatou a presença de mofo, problemas no teto e infiltrações no prédio. "Ele passou por muita coisa já, chuva, queda de árvores, fora outros danos que acontecem só por habitar ali no local. Por exemplo, tem uma escada lá que os degraus estão desgastados de tanto aluno que pisa ali, normal. Mas, o maior problema mesmo para mim é o teto", relatou.
O aluno Rennan Guimarães, 16, integrante do Grêmio Estudantil, e também do nono ano, contou que se entristece com a atual situação do colégio e culpou a administração do antigo governo. "Ele está em condições precárias. É mais frustrante ainda quando paramos e pensamos no valor histórico que o local carrega, não só para o Rio, mas para o Brasil inteiro. Acredito que isso vem por causa da má administração que o antigo governo fez. O básico é a educação, sem escola, aluno, professor, não conseguimos criar uma sociedade. Isso não foi posto como base e agora podemos ver cenas como a de Realengo, que a unidade está com tetos caindo, por exemplo".
Rennan apontou que não só a unidade de Realengo está sofrendo com a precariedade, mas também a do Centro. "O nosso edifício é tombado, tem um salão nobre lindo e histórico, uma pintura que, se eu não me engano, só tem sete delas no mundo, muito triste saber que nada disso foi levado em consideração. Queremos ter voz e espaço que não tivemos".
De acordo com o Pedro II, os pontos mais importantes para reforma são: a restauração das coberturas, para resolução definitiva dos diversos problemas do telhado que causam infiltrações recorrentes, e a inserção de sistema de segurança adequado para manutenção; a atualização da infraestrutura elétrica, e a adequação dos dispositivos de proteção contra incêndio e pânico. Esta última será iniciada ainda neste ano.
Sobre as situações do prédio relatadas por pais e alunos, a instituição declarou que elas foram reportadas à Reitoria que, junto à Direção do Campus, irá buscar recursos para solucionar essas questões de infraestrutura. Eles ressaltaram também que, por se tratar de instituição federal de educação, dependem de decisões e recursos de esferas superiores do governo federal. O colégio segue buscando verbas junto ao Poder Público.
O Iphan informou que tombou a edificação em 1983 e os bens tombados estão sujeitos à fiscalização realizada pelo Instituto para verificar as condições de conservação. Além disso, o órgão também declarou que qualquer intervenção nestes patrimônios deve ser previamente autorizada pela Autarquia, com a intenção de preservar as características que tornam o bem integrante do Patrimônio Cultural Brasileiro.
Reunião com Lula
A reitora do colégio Pedro II participou de um encontro, na última semana, com o presidente Lula. A reunião com as reitoras e os reitores dos Institutos Federais e das Universidades Federais, de acordo com a escola, foi uma iniciativa do governo federal para restabelecer o diálogo com essas instituições. Em sua fala, Lula informou que a educação será uma das prioridades de seu governo. Já o ministro da Educação, Camilo Santana, ressaltou a importância de retomar investimentos e obras paralisadas.
Durante o evento, os representantes do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) apresentaram as suas pautas, sem entrar em demandas específicas de cada instituição. Foi um primeiro contato entre governo federal e instituições federais de ensino superior.
Segundo o Colégio Pedro II, o orçamento anual de custeio aprovado na Lei Orçamentária Anual para a instituição é de R$ 42.612.342,00.
História do prédio
No local onde se encontra instalado o Colégio Pedro II, no Centro do Rio, foi originalmente construído um prédio, em 1758, para abrigar os órgãos vindos do Seminário de São Pedro. Esta nova construção ficou pronta em 1766 e passou a se chamar Seminário de São Joaquim, por estar próximo à igreja dedicada ao santo.
Em 1818, o Seminário foi extinto e o edifício passou a abrigar uma divisão de tropas recém
chegadas de Portugal. Em 1821, o Príncipe D. Pedro restabeleceu o Seminário de São Joaquim, sendo em 1837 transformado em colégio, chamando-se Colégio Pedro II. Para isto o local passou por pequenas reformas, e os cubículos acanhados e escuros foram transformados em salas de aula claras e espaçosas, segundo o IPHAN.
O órgão destacou as reformas realizadas entre os anos de 1871/ 1875, projetadas pelo arquiteto Francisco Bittencourt da Silva, o salão conhecido como “do Bacharelado” e o arredondamento de uma das quinas da fachada, composição coroada por uma cúpula arrematada por um lanternim, solução inovadora e ao mesmo tempo ao gosto da arquitetura eclética da época e também o pórtico principal.
Nas palavras de Moreira de Azevedo em Memórias e Antiqualhas do Rio de Janeiro, “levantou um pórtico de cantaria com duas pilastras no primeiro pavimento, e duas no segundo, e na parte superior acrotérios com estátuas de mármore; abriu no primeiro pavimento três portas, vendo-se a do centro um escudo de bronze com a legenda Pedro II, e os emblemas do fumo e café, e no segundo três janelas com sacadas isoladas de balaústres de mármore, estando a central entre duas colunas.”
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