Publicado 09/02/2023 16:06
Rio - Moradoras de um prédio no Centro do Rio denunciaram, nesta terça-feira (7), uma mulher que estaria cometendo racismo contra as vizinhas. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Etiene Martins se mudou recentemente para o novo apartamento. Logo nos primeiro dias, ela encontrou uma mulher no elevador e, assim que chegou em casa, começou a escutar ofensas racistas. Em um vídeo publicado por ela nas redes sociais, é possível ouvir os xingamentos.
"Devia ser proibido uma macaca andar aqui no prédio. Macaca suja. Macaca suja. Devia ser proibida de entrar na portaria. Sua macaca suja", grita uma mulher ao fundo.
Em um primeiro momento, Etiene pensou que a vizinha estivesse brigando com alguém. De qualquer forma, ela gravou o vídeo pelo teor das ofensas e para questionar a perturbação do silêncio, pois já passava de 22h.
"No dia seguinte, perguntei para o porteiro qual era a orientação para fazer uma queixa de perturbação. Ele me deu um livro de ocorrência, eu preenchi e relatei o que aconteceu. A síndica me chamou para poder conversar, relatei o que aconteceu e mostrei os áudios. Ela me explicou que essa vizinha mora sozinha e que, nesse horário, não tinha ninguém na casa dela. A síndica tomou iniciativa de ir até ela para conversar e ela falou que não era ela. Então larguei para lá", relatou.
No entanto, um novo episódio aconteceu poucos dias depois. Etiene recebeu uma equipe de televisão para gravar trechos de um documentário. Durante a gravação, a vizinha voltou a gritar palavrões.
"Não conseguia me concentrar, fiquei constrangida. Fui lá, bati na porta da casa dela. Com toda educação, expliquei minha situação e pedi se ela poderia colaborar comigo durante 20 minutinhos. Ela falou para mim que não era ela. E perguntou: 'está vendo mais alguém? Eu moro sozinha. Como você está ouvindo som de voz?'. Eu não pude discutir com ela, porque tinha uma equipe enorme dentro da minha casa. Quando eu volto, ela começa a gritar me respondendo e xingando tudo quanto é tipo de palavrão, falando: 'como assim eu estou gritando? Estou conversando com alguém? Estou sozinha'. Depois de cinco minutos, ela parou e conseguimos gravar o documentário", contou Etiene.
Por fim, a jornalista questionou como a situação pode ser resolvida, já que a vizinha nega as ofensas. "O quanto é recorrente sermos ofendidas, violentadas e não termos como provar que a pessoa estava falando com a gente, que aquela violência era para a gente. A gente fica de pés e mãos atadas. Fico me perguntando como eu faço um boletim de ocorrência contra essa pessoa. Que depois de me ver, começou a gritar essas ofensas. Como eu provo que era contra mim? O que fazer?", lamentou.
Após gravar o vídeo publicado nas redes sociais, Etiene decidiu verificar se outras pessoas também já tinham sido vítimas de ofensas racistas no prédio. Com isso, conheceu a estudante Luana Rolim, que também relatou passar pela violência desde o último mês de setembro. Nesta terça, as duas foram à delegacia para registrar a ocorrência.
De acordo com a Polícia Civil, o caso está sendo investigado pela Decradi. "A autora e testemunhas serão ouvidas e outras diligências seguem para esclarecer todos os fatos", informou em nota.
Leia mais
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.