Publicado 22/03/2023 08:00

Todos os meses, a Águas do Rio distribui mais de 97 bilhões de litros de água tratada. Um volume gigantesco, que daria para encher 3.242 piscinões de Ramos e que envolve uma operação complexa para atender a 27 municípios do Estado do Rio em que atua, incluindo as zonas Sul, Norte e Centro da capital. Isso tudo, porém, para milhares de cariocas e fluminenses se resume a um gesto simples: abrir a torneira e ver a água tratada caindo.
Por falar em torneira, ela é o primeiro sinal de mudança na casa de Vilma dos Santos, de 63 anos, moradora do Morro do Quetô, no Riachuelo, na Zona Norte do Rio. Sem rede de esgoto ou água, ela era obrigada a acumular baldes, bacias e galões no quintal, para dar conta das tarefas domésticas. Desde fevereiro, porém, a expectativa de Vilma só faz crescer: as equipes da Águas do Rio estão ampliando as redes de água e instalando uma nova rede de esgoto na região. Com isso, a moradora poderá ter pia, chuveiro e, claro, torneiras.
O acesso à água potável é tão importante que a Organização das Nações Unidas (ONU), ao listar os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), considerou prioritário "garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do esgotamento sanitário para todos". Este ano, o tema é "Acelerando mudanças – Seja a mudança que você deseja ver no mundo", ilustrado pela figura de um beija-flor, reforçando a ideia de que qualquer um de nós, por menor que seja a iniciativa, pode fazer a diferença para diminuir a desigualdade global no que se refere ao acesso à água e esgoto.
Somente no Estado do Rio, cerca de 1,2 milhão de pessoas não conta com água tratada e aproximadamente oito milhões não têm acesso à rede de esgoto. A massaterapeuta Juliana Borges, de 36 anos, moradora do Morro do Salgueiro, na Zona Norte do Rio, já fez parte dessa estatística. Quando criança, ao chegar da escola, ela tinha como tarefa ajudar a mãe, Eunice, hoje com 62 anos, a buscar água nas nascentes do morro. Agora, a história é outra.
– Somos uma família que sofreu muitíssimo com a falta extrema de água, por longos anos – conta a massoterapeuta e futura professora de Educação Infantil Juliana Borges, – Algumas vezes, tentaram nos incluir na rede de abastecimento, mas não deu certo. Só agora, com a Águas do Rio, passamos a ter água tratada em casa.
Juliana vive com a mãe, a filha, Ana Júlia, de 6; a madrinha, Eliane, de 57; e a sobrinha da madrinha, Monique, de 43. As estatísticas comprovam que, quando a água tratada chega, a vida das mulheres melhora em vários aspectos. Dados do Instituto Trata Brasil apontam que o acesso ao saneamento reduz em 64% as doenças ginecológicas e aumenta a renda em 30%. Sem falar que, de acordo com o Datasus, 141 mil mulheres são internadas anualmente por doenças associadas à falta de saneamento.
– No Brasil, uma em cada quatro mulheres não têm acesso à água tratada ou não é abastecida com regularidade. Essa condição traz reflexos negativos na vida pessoal e profissional. Sem esses serviços, as mulheres ficam mais doentes e acabam precisando se afastar do trabalho e da escola. E ainda quando um familiar, um filho, fica doente normalmente é a mulher que leva ao médico. Quando esses serviços essenciais chegam às áreas mais vulneráveis, como está acontecendo nas comunidades do Rio,por meio da Águas do Rio, estamos promovendo, além de saúde, a igualdade de gênero – relata Luana Pretto, presidente do Trata Brasil.
Os benefícios acabam por se estender para toda a família. Segundo o Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, a combinação de água tratada e rede de esgoto reduz em 20% a chance de propagação de infecções. E vai além: 90% dos 1,5 milhão de óbitos de crianças por diarreia a cada ano no mundo estão relacionados à falta de saneamento básico, ao consumo de água contaminada e aos hábitos de higiene.
Juliana Borges aprendeu isso tudo na vida. Por isso, sempre que pode, banca o beija-flor e trata dos assuntos com seus alunos: Sempre falo com eles sobre a relevância da água para nossas vidas e sobre a importância de preservá-la.
O presidente da Águas do Rio. Alexandre Bianchini, não tem dúvidas de que atitudes como as de Juliana são decisivas para garantir que cada vez mais pessoas tenham acesso à água tratada e, principalmente, para assegurar que as futuras gerações também terão direito a esse bem natural tão precioso:
– Quando assumimos a concessão, nos comprometemos a levar saneamento aos mais vulneráveis. Esse trabalho vem sendo feito. Casa por casa, rua por rua. Mas saneamento não é somente obras. Especialmente no Dia Mundial da Água, reforçamos que uma sociedade sustentável se constrói a partir de um processo de educação e mudança de comportamento. Esse processo inclui priorizar o coletivo, entender que as comunidades têm que ser integradas à sociedade com os mesmos direitos à água e esgotos tratados e termos consciência de jogar lixo no lugar adequado e de combater as ligações irregulares, por exemplo. Se cada um fizer a sua parte, o avanço da saúde e da qualidade de vida é assegurado a toda a população.
Mais da metade dos colaboradores é oriunda de comunidades
Um fator determinante para a Águas do Rio levar saneamento aos mais vulneráveis está no próprio time da concessionária: do total de oito mil colaboradores, 4,5 mil são oriundos de comunidades. Muitos também sofriam com o desabastecimento e, agora, têm orgulho de ajudar a levar dignidade e saúde para os locais onde moram.
Em outra frente, a concessionária combina tecnologia – como um moderno Centro de Operações Integradas – com criatividade de usar rapel para instalar redes em lugares íngremes ou pouco acessíveis. para atender famílias como a do pastor Eronide Pereira, de 93 anos, e de sua esposa, Maria de Fátima, de 68. Eles deixaram para trás décadas carregando galões para ter água em casa.
Moradores de Nova Belém, em Japeri, na Baixada Fluminense, eles abasteciam a casa com a água sem tratamento do vizinho Rio Guandu.
– Era uma água barrenta, sabe? Eu passava um pano branco, para tirar aquela sujeira e fazia arroz com ela – lembra Maria de Fátima, acrescentando que, do rio até em casa, havia outro transtorno: carregar os baldes por "uma distância bem boa".
O resultado: com frequência, familiares adoeciam. Filhos e netos chegaram a ser internados com diarreia e vômitos. Mas isso é passado.
– A água serve para tudo. Para fazer a nossa comidinha, tomar banho… Água é vida! – filosofa o pastor.
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