Publicado 01/07/2023 14:53
Rio - "Ele não matou só ela, matou a família toda", esse foi o lamento de Maria Inês Graça Barbosa, avó de Ana Clarice Graça da Silva, 23 anos, morta pelo companheiro na última quinta-feira (29), em Vargem Pequena. A jovem foi enterrada na tarde deste sábado (1º), no Cemitério de Santa Cruz, Zona Oeste. A vítima estava grávida de dois meses e deixou uma filha de um ano e um filho de dois.
De acordo com Maria Inês, o uso de drogas teria sido o estopim para que as agressões contra Ana Clarice começassem. "Ela deixou duas crianças menores. As crianças estão sofrendo muito. Ele era uma pessoa muito boa para ela, mas, de repente, ele usou drogas e assim começou o plano de tirar a vida dela. A gente não sabia, mas ele estava começando a tratar ela muito mal. Ele aproveitou quando a gente saiu, eu tinha médico e meus filhos foram trabalhar. A casa ficou vazia e ele assassinou ela", contou.
A vó lamentou a morte da neta, que era muito querida pela família e revelou que sua ausência vem causando grande tristeza nos filhos. "O menino de dois anos e meio está perguntando: 'Cadê minha mãe? Cadê minha mãe?'. Ele não está comendo e não está bebendo com falta da mãe. Ele não matou só minha neta, matou todos nós também", revelou Maria Inês.
O companheiro Jackson dos Santos Fernandes, 29 anos, foi preso nesta quinta-feira (29) por agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) em um shopping de Del Castilho, Zona Norte. Segundo familiares, ele matou Ana Clarice na frente do filho de dois anos e depois tentou fugir com a criança.
"O filho mais novo perguntou pela Ana, ele viu o pai matar a mãe. Quando ele estava na delegacia, ele falou que o pai brigou com ela. Já em casa, ele queria que abrisse a casa dizendo que a mãe estava caída no chão. A criança viu tudo, isso é doloroso para nós", disse Luiz Claudio da Silva, tio da vítima.
De acordo com o Luiz, o relacionamento de Ana Clarice e Jackson era abusivo e já durava oito anos. "Ela era mãe, amiga, cuidava bem dos filhos, uma pessoa muito legal para a família. Ela vivia num relacionamento abusivo, o parceiro a levou para Bahia, e nossa família mandou a passagem para ela voltar após um episódio de agressão. Só que ele era muito apegado aos filhos e minha sobrinha acabou deixando ele voltar. Eles estavam juntos há oito anos", completou o auxiliar de serviços gerais.
Ainda de acordo com Luiz Cláudio, o uso de drogas pode ter influenciado Jackson a cometer o crime: "Ele tinha vício em drogas e álcool e sempre brigavam por isso. Ele aparentava ser um rapaz bom, trabalhador, mas o uso de drogas e a bebida fazia ele surtar. Acredito que por ele ser usuário isso aconteceu. Eu quero que a Justiça dos homens seja feita e concluída. Eu e minha família esperamos justiça, queremos vê-lo na cadeia pagando o que ele fez".
Em nota, a Polícia Civil informou que a DHC foi acionada pelo 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) e, durante as diligências, descobriu que Jackson foi visto no início da tarde deixando a residência em que morava com os filhos, mas havia deixado a mais nova com uma vizinha. Em seguida, foi embora apenas com o mais velho.
Os agentes o encontraram no Shopping Nova América e ele não resistiu à prisão. Em depoimento, Jackson confessou o crime e disse que a discussão começou porque desconfiou que Ana Clarice havia abortado o filho que esperava. Ele alegou que esfaqueou a companheira depois que ela empunhou uma faca e o atacado. O preso foi encaminhado para o sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Colaborou Pedro Ivo*
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