Número de pessoas mortas em confrontos cresce no Rio de JaneiroDivulgação
Publicado 04/07/2023 14:39 | Atualizado 04/07/2023 14:43
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Rio - Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado, feito com exclusividade a pedido do DIA, mostra dados alarmantes sobre a violência no Rio de Janeiro. Conforme o instituto, entre janeiro e junho deste ano, 274 pessoas morreram e 382 ficaram feridas durante operações policiais na Região Metropolitana. Dos mortos, 18 foram atingidos por balas perdidas e, entre os feridos, 32. Somente na última semana foram registrados 12 mortos e 9 feridos durante as ações. 
Daniel Hirata, sociólogo e coordenador do Grupo de Estudo dos Novos Ilegalismos (Geni) da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que a sociedade vive um momento de conflitos armados intensos entre diversos grupos criminosos. "Tivemos resultados dramáticos para o Rio de Janeiro. Percebemos que o número de homicídios aumentou nesse período e esses números vinham apresentando uma redução nos últimos anos. Isso precisa ser enfrentado como um problema público, já faz anos que eu defendo que as politicas de segurança pública baseadas em operações policiais não são efetivas para a contenção desses conflitos. As ações devem atuar para garantir a segurança, proteger a população", salienta.
O sociólogo não é contra operações policiais em territórios conflagrados, mas acredita que só esse tipo de ação não basta para uma solução realmente efetiva. "A solução seria a atuação das forças policiais na contenção da violência nesses lugares, e a proteção de moradores dessa área. Seria importante também um direcionamento para outras áreas, como a regulação de mercados urbanos e investigações que permitam um maior conhecimento de agente públicos que colaboram para a atuação desses grupos. Isso teria ação efetiva para o desmantelamento das redes criminais que sustentam esses grupos, é preciso enfraquecê-los", diz Hirata.
A Polícia Militar informou que apreendeu cerca de 130 armas, granadas e artefatos explosivos na última semana. E que as ações da corporação são "pautadas por informações do setor de inteligência e planejamento prévio, tendo como preocupação central a preservação de vidas e o cumprimento irrestrito da legislação em vigor."
A PM diz ainda considerar os dados oficiais divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). Conforme o ISP, o índice de mortes por intervenção de agentes do estado sofreu uma redução de mais de 15% na cidade de janeiro a maio deste ano, em comparação com o mesmo período de 2022. "Oscilações pontuais desse e de outros indicadores estratégicos são permanentemente verificadas para ajustes", disse.
Ainda conforme a PM, 17 mil suspeitos foram presos desde o início do ano, 2 mil adolescentes envolvidos em crimes apreendidos e foram recolhidas mais de 3.500 armas de fogo, entre elas 297 fuzis.
Para o sociólogo João Trajano Sento-Sé, coordenador do Laboratório de Análises da Violência (LAV) da Universidade Estadual do Rio (Uerj), esses números só reforçam uma percepção já destacada junto a boa parte dos analistas sobre a abordagem que o poder público tem tido permanentemente em relação à segurança pública.
"Ao longo dos últimos anos passamos a testemunhar uma disputa não somente dos grupos de tráfico de drogas, mas também uma disputa entre milícias. A abordagem dada pelo poder público faz com que a polícia, ao invés de atuar no sentido de reduzir a violência, acabe funcionando como mais um condutor disso tudo, e os moradores e comerciantes são os maiores prejudicados. Esses números nos surpreendem por um lado e por outro causam uma revolta muito grande. Temos, ao longo dos anos, vivido um cenário de guerra, no lugar de garantir a segurança e os direitos da população", disse.
*Reportagem da estagiária Alice Santos, sob supervisão de Iuri Corsini
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