Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, no Centro do Rio, foi reaberta no dia 10 de junhoDivulgação Arquidiocese
Publicado 13/07/2023 15:29 | Atualizado 13/07/2023 17:56
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Rio - Reaberta no último mês de junho após ficar quatro anos fechada para obras, a histórica Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, na Rua do Ouvidor, no Centro, receberá neste sábado (15), a partir das 20h, uma missa em memória ao príncipe Dom Luiz Gastão de Orleans e Bragança, bisneto da princesa Isabel, falecido há um ano. A solenidade vai contar com apresentação de coral e orquestra. 
A cerimônia retoma um antigo costume da Igreja Católica: o da santa missa tridentina, toda em latim, algo comum até 1962. Na Igreja de Nossa Senhora dos Mercadores da Lapa, isso não acontecia há 60 anos. A celebração será feita pelo padre José Edilson de Lima.
A decoração do templo homenageará o estilo do século XVIII. Já na música, o repertório será clássico e barroco, com destaque para a presença do Astorga Coral e da soprano Juliana Sucupira.
"A Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores é uma verdadeira joia da arquitetura religiosa da nossa cidade. Eu e meu grupo nos sentimos honrados de tocar nessa ocasião", comentou a cantora.
Nomeado comissário administrativo da igreja pela Arquidiocese do Rio, o empresário Claudio André Castro, com forte atuação do ramo imobiliária, comemora o sucesso do primeiro mês pós-reabertura.

"Tem sido gratificante realizar esse trabalho de comissário e revitalização dessa igreja tão importante para a região. As pessoas têm interesse em conhecer mais da história e das obras, por isso nossos funcionários sempre estão bem treinados para tirar qualquer tipo de dúvida. A quantidade de visitantes é enorme, por volta de 300 a 400 pessoas diariamente durante a semana. Outro dia tinha um guia turístico falando sobre o lugar em grego", diz Castro.

O empresário, que também é Cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, ressalta, ainda, que a atividade do templo mantém viva a região.

"O declínio do Centro da cidade fez as pessoas evitarem o local, e por consequência a renda da igreja diminuir. Após tantos anos de portas fechadas, fui convidado pelo cardeal-arcebispo Dom Orani Tempesta para reativar a igreja que estava abandonada, precisando de muitos reparos. Investimos pesado para recuperar o templo e isso fez bem para o bairro. Agora as pessoas procuram visitar devido ao calendário recheado de eventos, casamentos e batizados. Até o policiamento melhorou, agora a Guarda Municipal realiza algumas rondas por aqui", revela Cláudio.
A igreja, que fica na Rua do Ouvidor 35, promove missas todos os sábados e domingos, ao meio-dia. Já nos dias de semana, as portas ficam abertas para visitação, de 8h às 15h.
Revitalização de peças históricas

No último mês de junho, o órgão harmônico do templo, construído em Paris, em 1873, foi restaurado, passando a fazer parte das missas. 

De acordo com Claudio Castro, entre setembro e outubro deste ano, outras duas peças históricas serão restauradas: o relógio, que faz parte da fachada histórica desde a década de 1860, e o carrilhão de sinos, do século XIX.

"O relógio foi trazido da Europa, e compõe a frente da igreja desde a segunda metade do século XIX. Ele parou de funcionar, na década de 1920, e nunca mais restauraram. Conseguimos fechar acordo com duas empresas, e mais de 100 anos depois vamos voltar a vê-lo funcionar", adianta o empresário.
Já para o carrilhão de sinos, será necessário revitalizar todo o mecanismo e a mesa, que funciona como uma espécie de piano, para o pleno funcionamento do instrumento. A expectativa é de conclusão da restauração em outubro.

Reabertura com Dom Orani

A reabertura da Igreja de Nossa Senhora dos Mercadores da Lapa aconteceu no dia 10 de junho com uma missa ministrada pelo cardeal-arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. Dezenas de fiéis compareceram para celebrar a fé e a retomada do local, que ficou quatro anos fechado para reformas após ser interditado pela Defesa Civil.

A igreja, inaugurada em 1750, é uma das primeiras construções tombadas na cidade pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O templo tem traços nos estilos rococó e barroco, o que o torna um verdadeiro marco histórico, cultural e devocional da fé católica.
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