Marcas de tiros no quarto de João Pedro, em São Gonçalo: adolescente foi morto por bala perdida dentro de casaReprodução / Facebook
Publicado 03/08/2023 13:30
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Rio - O Tribunal de Justiça do Rio deu continuidade, na quarta-feira (2), ao julgamento do caso da morte de João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos. Seis testemunhas prestaram depoimento na quinta audiência. O adolescente morreu depois de ser baleado durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, em maio de 2020.
Foram ouvidos o delegado Alan Duarte, na época titular da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG) e responsável pelas investigações, o policial civil Wagner Carvalho, que participou da operação no Complexo do Salgueiro; o subcoordenador da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) Augusto Motta Buch; o perito do Ministério Público do Rio (MPRJ) Márcio Borges Coelho, o delegado de polícia Bruno Cleuder de Melo; e Renata Bressan, promotora que representava o MPRJ na operação.
Em seu depoimento, o delegado Bruno Cleuder de Melo alegou que a morte do adolescente só aconteceu por imprudência dos policiais, que deveriam ser mais preparados e ter um cuidado maior para lidar com toda a situação e sabiam, por terem sido treinados, que não deveriam ter atirado tantas vezes contra uma casa com civis em seu interior. Para ele, os agentes assumiram o risco de matar quem estava dentro da residência.
Os policiais civis Mauro José Gonçalves, Maxwell Gomes Pereira e Fernando Meister respondem por homicídio culposo com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. A sessão foi realizada no Fórum Juíza Patrícia Lourival Acioli, no mesmo município onde o fato aconteceu.
Na nova audiência, era esperado que sete testemunhas fossem ouvidas, além do interrogatório dos réus. Porém, somente seis pessoas compareceram e a continuação da audiência vai acontecer em uma nova data, ainda não definida pela juíza Juliana Ferraz Krykhtine.
O policial civil Fábio Vieira faltou à sessão sem aviso prévio. A testemunha está no Piauí e só deve retornar ao Rio de Janeiro em novembro. De acordo com a defesa, o depoimento de Fábio é de muita importância para a coleta de provas, e, por isso, há necessidade dele ser ouvido.
A juíza, por sua vez, definiu que os advogados de defesa têm até cinco dias para apresentarem uma forma da oitiva do policial ser colhida. Do contrário, pode perder a testemunha.
Por conta da falta, os réus, que vão ser ouvidos por último, também não foram interrogados. Nesta sessão, a grande maioria das testemunhas era da defesa.
Para o defensor público Luis Henrique Linhares Zouein, mesmo com a nova audiência, a acusação está confiante que a justiça vai ser feita e os réus vão ser condenados.
"A defesa insistiu numa testemunha e o tempo corre a favor da defesa. Por conta dessa testemunha, haverá necessidade da designação de uma nova data para ouvi-la e realizar o interrogatório dos réus, mas nada do que seja dito abala a acusação que é forte, robusta e baseada em prova testemunhal, mas também em provas técnicas. Nós estamos muito confiantes que os réus vão ser remetidos a um plenário e a justiça vai ser feita", disse.
Audiência anterior
Na última audiência, outros seis policiais que participaram da operação que resultou na morte do menino João Pedro prestaram depoimento como testemunhas. Foram ouvidos o delegado Sérgio Sahione Ferreira, responsável por coordenar a operação junto aos policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), o policial Jair Correa Ribeiro, que estava presente no momento dos fatos, dois peritos da Civil que estiveram na casa de João Pedro após a morte dele, e outros dois policiais que pilotaram os helicópteros que tiraram os policiais da comunidade.
Relembre o caso
João Pedro jogava videogame com mais cinco amigos na casa do tio, quando, segundo testemunhas, os agentes entraram atirando. O adolescente foi atingido por um disparo de fuzil na barriga e socorrido de helicóptero, mas não resistiu aos ferimentos.
Na ocasião, seu corpo chegou a ficar desaparecido, sendo encontrado horas depois pela família no Instituto Médico Legal (IML). Investigações apontaram ainda que a casa do tio do jovem, onde ele estava quando foi atingido, ficou com mais de 70 marcas de tiros.
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