Riachuelo é acusada de copiar uniformes de campo de concentração nazistaReprodução
Publicado 12/09/2023 16:58 | Atualizado 13/09/2023 11:15
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Rio - A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) emitiu, nesta terça-feira (12), uma nota sobre o caso do conjunto de roupas da Riachuelo que foi comparado, nas redes sociais, ao uniforme usado por judeus durante a 2ª Guerra Mundial nos campos de concentração. Na segunda-feira (11), a varejista decidiu retirar de suas lojas e do e-commerce as roupas. Para a Fierj, a atitude "corrige uma falha e passa uma mensagem positiva de que não banalizam o que ocorreu no Holocausto".
"Cumprimentamos os administradores da Riachuelo pela sensibilidade ao ouvir os consumidores de seus produtos e a população em geral. Retirando de suas lojas e do e-commerce um conjunto de roupas que gerou críticas nas redes sociais por se assemelharem aos usados por judeus nos campos de concentração, durante a 2ª Guerra Mundial, corrigem uma falha que explicam ter sido uma "infelicidade" e passam uma mensagem positiva de que não banalizam o que ocorreu no Holocausto", diz o trecho.
Na nota enviada ao DIA, o presidente da Fierj, Alberto David Kleina, afirma que uma sociedade mais justa e democrática é construída por meio do diálogo. "Esse episódio demonstra que é possível reagir a críticas com maturidade e empatia."
Já a Riachuelo reconheceu que a escolha do modelo e da cartela de cores "realmente foi uma infelicidade" e que a empresa não teve a intenção de fazer alusão a um período histórico marcado por graves violações aos direitos humanos. A nota também contém um pedido de desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas pelo produto.
"Nós, da Riachuelo, prezamos pelo respeito por todas as pessoas, e esclarecemos que, em nenhum momento, houve a intenção de fazer qualquer alusão a um período histórico que feriu os direitos humanos de tanta gente. A escolha do modelo das peças e da cartela de cores realmente foi uma infelicidade, e gostaríamos de reforçar que todas as peças já estão sendo retiradas das nossas lojas e e-commerce", afirma.
"Entendemos a sensibilidade do assunto, agradecemos o alerta trazido pelos nossos consumidores e pedimos desculpas a todas as pessoas que se sentiram ofendidas pelo que o produto possa ter representado", conclui.
Críticas
Nas redes sociais, os usuários apontaram como falta de noção o fato de a Riachuelo adotar o padrão como estilo para a peça. "O uso da estética violenta para gerar polêmica é uma das faces do marketing, não é novidade", escreve Maria Eugênya, especialista em cultura material e consumo, no X, antigo Twitter.
Outra internauta escreveu: "Não precisa de uma graduação.... é parada básica. Bati o olho e peguei a referência. É o que falo com meu marido às vezes: 'Em pensar que isso passou por uma equipe, por aprovação de alguém, e ninguém se tocou?".
"Foi proposital, a sociedade está doente", publicou outro internauta. "Eu trabalho em frente da Riachuelo e a semana passada inteira meus olhos sangravam toda vez que eu via esse conjunto. Pior, estava nos manequins da entrada da loja. De um mal gosto e falta de noção surreal", completou outra usuária da rede.
A peça ainda foi comparada ao pijama usado pelo ex-presidente Getúlio Vargas na noite de seu suicídio, em agosto de 1954.
Holocausto 
O Holocausto foi a perseguição sistemática e o assassinato de 6 milhões de judeus europeus pelo regime nazista alemão, seus aliados e colaboradores. Também foi um processo contínuo que ocorreu por toda a Europa entre os anos de 1933 a 1945.
Os nazistas tinham como alvo os judeus porque eram radicalmente antissemitas. Isto significa que eles tinham preconceito e ódio contra os judeus. Na verdade, o antissemitismo foi um princípio básico da sua ideologia, assim como a base de sua visão-de-mundo.

Os nazistas acusaram os judeus de causar os problemas sociais, econômicos, políticos e culturais pelos quais a Alemanha passava antes da Guerra.
O Holocausto começou na Alemanha após Adolf Hitler ter sido nomeado chanceler em janeiro de 1933. Quase que de imediato, o regime nazista alemão excluiu os judeus da vida econômica, política, social e cultural alemã.
A perseguição nazista se tornou cada vez mais radical ao longo dos anos. Essa radicalização culminou na elaboração de um plano ao qual os líderes nazistas se referiam como a "Solução Final da Questão Judaica". A "Solução Final" era para designar o assassinato em massa, organizado e sistemático, dos judeus.
A câmara de gás, que anteriormente era usada para matar deficientes físicos e mentais, era um meio mais eficiente de matar um grande número de pessoas em um curto período de tempo. No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas cerca de seis mil pessoas por dia.
Além disso, foram construídos seis campos de extermínio com o intuito de promover a execução de judeus. A diferença é que, nos campos de concentração, além de executados, também tinham sua mão de obra explorada ao máximo.
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