Familiares dos jovens desaparecidos no Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, pedem ação mais eficaz da segurança públicaCleber Mendes/Agencia O Dia
Publicado 15/09/2023 18:50 | Atualizado 15/09/2023 20:50
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Rio - Familiares dos jovens Caíque Porfírio da Silva e Kauã Mateus Porfírio Carrilho, de 18 e 19 anos, desaparecidos desde a segunda-feira passada (11), recebem orientações da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), durante a fase de buscas. O órgão está auxiliando as famílias no sentido de conseguir a devolução dos corpos, para que eles façam o sepultamento de forma digna. A família dos jovens pede uma ação mais eficaz da segurança pública. O Ministério Público do Rio (MPRJ) também foi solicitado para se envolver no caso.
Segundo informações recebidas pelos parentes de Caíque e Kauã, criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP) invadiram a região e teriam confundido os jovens com criminosos do Comando Vermelho (CV), facção rival. Além deles, outras sete pessoas teriam sido assassinadas em menos de uma semana durante a guerra entre criminosos do TCP e CV. Apesar disso, nenhum corpo foi localizado e resgatado do local.
Segundo João Luis Silva, membro da CDH da Alerj, a Comissão entrou em contato com as famílias nesta quinta-feira (14) para entender o caso. "Ontem conversei bastante com a mãe do Caíque, tentando saber mais detalhes", disse o ativista.
A Comissão conta que aguarda um melhor momento para realizar um encontro presencial com as famílias. "Por hora eles estão debruçados em recuperar os corpos que podem estar nessa comunidade", concluiu João Luis, que citou a possibilidade da CDH também oferecer acompanhamento psicológico aos familiares. 
Polícia pode levar uma semana para entrar na comunidade
De acordo com a mãe do Kauã, Débora Muniz, a Polícia Civil alega não ser fácil entrar na comunidade. "Eles dizem que vão fazer uma operação, que não é fácil assim entrar na favela, que teremos que esperar mais ou menos uma semana pra eles resolverem isso. Só que a dor que eu tô sentindo não tem como esperar, a gente não sabe o que aconteceu, como aconteceu, como estão nossos filhos, a gente queria pelo menos ter o conforto de enterrar nossos filhos, mas nem isso eles estão dando pra gente", disse.

A mãe Caíque, Graciele Muniz, ainda muito abalada e sem voz, contou que não sabe mais o que fazer e demonstrou revolta com o descaso da polícia. "Desde segunda estamos procurando esses meninos e não tá dando resultado, eu organizei um protesto pacifico, depois voltamos aqui na DH, eles pegaram nosso depoimento e mandaram a gente aguardar, pra eles mandarem pro MP ou pra alguém autorizar eles entrarem nessa comunidade pra pegar os meninos", disse.

Segundo as irmãs Débora e Graciele, toda família já entrou no Buraco do Boi procurando pelos rapazes, mas apenas para o pai do Caíque que criminosos teriam mostrado uma foto dos dois dizendo que eles estavam mortos. Os dois jovens eram muito amigos e tinham o costume de frequentar a comunidade. 
Investigações
Procurada, a Polícia Civil se limitou a responder apenas que a ocorrência foi registrada na 58ª DP (Posse) e encaminhada ao Setor de Descoberta de Paradeiros da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que dá continuidade à investigação. 
A Polícia Civil ainda não respondeu se investiga as denúncias sobre os sete corpos na comunidade Buraco do Boi.
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