Pequeno voltou para casa com quase 10 mordidas pelo corpoReprodução / Arquivo Pessoal
Publicado 01/03/2024 08:19
Rio - A Polícia Civil investiga o caso de um bebê de 10 meses que voltou da Creche Esperança, em Irajá, na Zona Norte do Rio, com quase dez mordidas pelo corpo, na última quarta-feira (28). Segundo a família, a unidade alegou que o pequeno se tornou um alvo fácil das outras crianças por não saber andar e se comunicar. A creche tem convênio com a Prefeitura do Rio. 
De acordo com a irmã do menino, Raphaella Souza, quando ela foi buscar o bebê, recebeu ele com o rosto roxo e com três marcas de mordida. "Na hora que peguei ele, tava com rosto inchado, com três mordidas enormes. Quando cheguei em casa e tirei a roupa dele, tinha diversas mordidas, na barriga, costas, rosto, braço. Na creche, disseram que eles não sabiam dessas outras mordidas e que não sabiam o que tinha acontecido. A professora disse pra minha mãe que o choro do meu irmão tava incomodando as outras crianças. Ele é um bebê de 10 meses, ele nunca ficou longe da família, aquilo era muito novo pra ele, era óbvio que ele choraria", contou ao DIA.
Através das redes sociais, Raphaella publicou as imagens do pequeno com quase 10 mordidas pelo corpo. Na postagem, a jovem afirmou que não teve explicações por parte da creche e das professoras. "Como que a gente entrega a criança na mão de pessoas que a gente acha que vai cuidar bem das nossas crianças e nos entregam ele assim? E não tomam nenhuma atitude e falam que ele virou um alvo fácil por ser uma criança que ainda está em adaptação? A creche alega que não sabe e não viu o que aconteceu, não viram nenhuma dessas mordidas no meu irmão? Chega de negligência por parte do estado, é inaceitável uma criança de 10 meses chegar assim em casa", escreveu.
Em um vídeo publicado nas redes sociais da própria unidade, o pequeno aparece sentado no chão, chorando, enquanto uma professora ajudava outra criança a fazer uma pintura. Em seguida, a publicação foi apagada. "Eles alegam não ter visto meu irmão sendo mordido, como elas iam ver meu irmão sendo mordido se estavam ignorando ele do lado delas chorando de soluçar gravando vídeos? Como elas iriam ver quantas mordidas meu irmão tomou? Se ele estava chorando e elas não viram?", ressaltou Raphaella.
Ainda segundo a família, essa não é a primeira vez que o pequeno volta para casa com mordidas pelo corpo. De acordo com Raphaella, em outras duas ocasiões o menino foi machucado por colegas de turma. Para a família, a unidade foi negligente e omissa diante das agressões sofridas pela criança. Depois das mordidas, o menino não retornou para a creche.
Procurada, a Secretaria Municipal de Educação informou que uma abriu sindicância e iniciou os procedimentos de apuração. Segundo a pasta, os responsáveis pelo aluno e os representantes legais da unidade já foram ouvidos.
O caso foi registrado na 27ª DP (Vicente de Carvalho). De acordo com a Polícia Civil, os envolvidos vão prestar depoimento e os agentes buscam imagens de câmeras de segurança do local.
Dois casos em uma semana
Na última segunda-feira (26), a família de uma bebê de um ano e quatro meses denunciou a Creche Marçal Centro de Estudos na Rocinha, Zona Sul do Rio, após a pequena aparecer repleta de machucados pelo rosto e pelo corpo. A mãe da criança foi acionada pela diretora unidade, que informou que a menina teria sofrido um acidente. A avó foi buscar a neta na creche e no local, a diretora não soube informar o motivo de várias mordidas. 
Tiago Angeli, pai da bebê, voltou ao local atrás de explicações. Na creche, ele teve acesso a imagens gravadas e viu que a filha estava em uma cadeirinha, sem a supervisão de nenhum adulto quando sofreu as agressões por parte de outras crianças. Ela aparece caída no chão e chorando. A cuidadora retorna, mas não ampara a bebê e deixa a sala de aula novamente. A creche afirmou que o erro foi isolado por parte da funcionária que não teve a atenção devida com os cuidados com as crianças. O Marçal Centro de Estudos afirma que está no mercado há quatro anos e nunca teve esse tipo de incidente. A investigação está em andamento na 11ª DP (Rocinha). 
Publicidade
Leia mais