O professor e bailarino Bob Cunha dá aulas até hojeDivulgação
Publicado 12/01/2025 06:00
No início de ano as pessoas costumam tomar decisões como emagrecer, mudar de emprego, ganhar mais, cuidar da família ou apenas resolver as pendências que foram deixadas de lado em dezembro. A maioria se esquece, porém, que é necessário cada vez mais se dar uma atenção muito especial à saúde mental. Por isso foi criada, em 2014, pelo psicólogo, palestrante e escritor mineiro Leonardo Abrahão, a Campanha Janeiro Branco, movimento brasileiro que visa a melhoria da saúde mental e desde 2023 é reconhecida oficialmente como lei federal.Neste ano o tema é 'O que fazer com a saúde mental agora e sempre?' e a ideia é que haja palestras, debates e discussões sobre o assunto para que a qualidade de vida das pessoas neste quesito melhore cada vez mais. Para a psicanalista Andréa Ladislau, falar desse tema parece um lugar comum, mas não é. "Ainda necessitamos desmistificar o adoecimento emocional, que mostra a fragilidade da harmonia entre mente e corpo. Nesse período do ano, a campanha que se inicia, tem sua importância redobrada para internalizar as sensações e compreender melhor nossos gatilhos, falhas, forças, fortalecendo o eu interior". Para a especialista, tudo deve ser construído. "O comprometimento com a construção de uma vida mais saudável e feliz deve ser uma missão de todos os seres humanos. O autoconhecimento, a serenidade e leveza dos pensamentos, além da necessidade de se colocar em prática novos hábitos de vida que estejam voltados para nossa psique.
Publicidade
Outro profissional que também aborda o assunto é Artur Costa, psicanalista e professor sênior da Associação Brasileira de Psicanálise Clínica (ABPC). Em entrevista ao jornal O DIA, ele fala sobre a campanha e a saúde mental.

O DIA: Na virada de ano, as pessoas tomam muitas decisões e em janeiro algumas podem ir ficando pelo caminho. Como fazer para se manter firme no propósito?

Artur Costa: O início do ano desperta entusiasmo para mudanças, mas manter os propósitos exige planejamento e autoconhecimento. Primeiro, é importante transformar grandes objetivos em metas menores, mais alcançáveis. Além disso, reconhecer que dificuldades podem surgir ajuda a evitar frustrações. A saúde mental tem papel fundamental aqui: estar atento às emoções e procurar apoio, seja de amigos, familiares ou profissionais, pode ser o diferencial para seguir firme nos propósitos.

O DIA: Desde a pandemia, a saúde mental de muitas pessoas não foi mais a mesma. Como se pode tomar certos cuidados para evitar ansiedade, depressão e afins?

Arthur Costa: A pandemia trouxe à tona a importância de cuidar da saúde mental. Algumas práticas diárias podem ajudar, como manter uma rotina equilibrada, praticar exercícios físicos, cultivar bons relacionamentos e reservar momentos para lazer e descanso. Também é essencial estar atento aos sinais do corpo e da mente. Buscar ajuda profissional é um ato de coragem e cuidado consigo mesmo, especialmente em casos mais graves de ansiedade ou depressão.

O DIA: O Janeiro Branco também serve para que a saúde mental seja mais discutida entre os profissionais?
Artur Costa: Com certeza. O Janeiro Branco não só conscientiza a população, mas também incentiva os profissionais a refletirem sobre sua prática e trocarem experiências. Esse diálogo é crucial para melhorar o acesso aos serviços de saúde mental e buscar abordagens mais humanizadas. A campanha tem sido um ponto de encontro importante para ampliar a visão sobre o cuidado psicológico.

O DIA: A campanha Janeiro Branco faz 11 anos de existência em 2025. Qual a sua avaliação em relação à saúde mental das pessoas pós-campanha?

Artur Costa: A campanha tem sido essencial para quebrar tabus e promover conversas sobre saúde mental. Nos últimos anos, percebemos maior abertura das pessoas para falar sobre suas dores e buscar apoio. No entanto, ainda há muito a avançar, especialmente no acesso aos serviços de qualidade. Apesar dos avanços, é fundamental que a sociedade continue investindo na prevenção e no tratamento da saúde mental.

O DIA: Um projeto de lei está para ser votado com a volta dos chamados “manicômios”. Hoje não se pode mais internar, pelo menos em tese, mas muita gente está nas clínicas Saint Romain, em Santa Teresa, na da Gávea, e outras. Mas o morador de rua, com saúde mental abalada, fica sem ajuda. Trata-se de um tema bem polêmico. Como  vê a situação?

Artur Costa: Esse é um tema delicado e complexo. A volta dos manicômios seria um retrocesso, pois a história nos mostrou os danos de instituições que excluem e desumanizam. O modelo ideal é aquele que integra o paciente à sociedade, oferecendo cuidados em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e unidades especializadas. No entanto, a falta de suporte para moradores de rua com saúde mental abalada revela um sistema que precisa de mais recursos e políticas públicas inclusivas. O desafio é equilibrar a proteção dos direitos humanos com a necessidade de tratamentos adequados.
Educação e arte são grandes aliadas

Diversas pessoas estão na luta por uma saúde equilibrada seja por meio da educação como fazem os especialistas em gamificação, Gilberto Barroso, e criação Vitor Azambuja, ou por meio da arte. Ambos fundaram o Programa De Criança para Criança (DCPC) e se preocupam com a saúde mental dos menores. "Estamos muito focados em achar que só o adulto tem depressão. E geralmente tem muita criança em depressão ou em processo de piora da saúde mental", alerta Vitor Azambuja, especialista em educação.
O contato com as emoções já foi tema de alguns vídeos produzidos pelo DCPC, que ajuda alunos e professores a desenvolverem vídeos com os conteúdos aprendidos em sala de aula. "Quanto antes as crianças aprenderem a falar sobre sentimentos, mais chance haverá de antecipar a solução de questões emocionais e desenvolver autoconhecimento", defende Gilberto Barroso, também sócio do DCPC.
De Criança para Criança – O programa oferece um leque de metodologias de educação híbrida para escolas de todo o mundo. Do futuro para a escola, a proposta é oferecer às crianças a oportunidade de serem protagonistas, colocando-as no centro da aprendizagem.
Além de Vitor e Gilberto mais pessoas querem fazer a diferença e ajudar para que todos tenham uma saúde mental nota 10. Esse é o caso do bailarino, coreógrafo e professor de dança, com carreira internacional e premiações no currículo, Bob Cunha. Com experiência em tango, bolero, soltinho mix, forró, samba, salsa, merengue, bachata, zouk, lambada, tango argentino, valsa, milonga e mais, Bob transmite aos seus alunos conhecimentos de alimentação, sono, psicologia, didática, pedagogia de acordo com a faixa etária, grade, disciplina, ou seja, uma série de fatores para que o aluno tenha o seu melhor desempenho além do espaço em sala de aula.
Dançar para preservar a mente
O profissional ressalta a dança como uma ferramenta para a saúde, como no combate à depressão, à ansiedade e à baixa autoestima. "As danças integradas são uma forma de expressão artística, que envolve a combinação de diferentes estilos e técnicas específicas. Podem incluir danças folclóricas, urbanas e contemporâneas, jazz, ballet e dança de salão. Essas práticas não apenas promovem o desenvolvimento das habilidades motoras e artísticas dos indivíduos, mas também oferecem uma série de benefícios às saúdes física e mental", frisa Bob, de 64 anos, que também é formado em arquitetura. 

Hoje, ele mantém as suas aulas em casa em Laranjeiras, bairro da Zona Sul da cidade do Rio, e dá aula particular na casa do aluno, caso prefira. Há 46 anos é ligado às artes: fez teatro, foi modelo fotográfico e coreógrafo em comissão de frente em escola de samba carioca, entre outros trabalhos. Um currículo extenso, que engloba prêmios nacionais e internacionais, como o de CampeãoBrasileiro de TangoShow.
Leia mais