Publicado 19/01/2025 21:52 | Atualizado 20/01/2025 13:10
Rio - A Polícia Civil pediu a prisão do policial que matou a tiros o assessor parlamentar e empresário Marcelo dos Anjos Abitan da Silva, de 49 anos, em frente ao hotel Wyndham Rio Barra, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, na madrugada deste domingo (19).
PublicidadeA Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) identificou o autor dos disparos como sendo o agente da corporação Raphael Pinto Ferreira Gedeão, após análises de imagens de câmeras de segurança da região. Segundo o 'RJ1' da TV Globo, ele é investigador da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). De acordo com a Civil, a especializada segue em diligências para localizar o suspeito.
"A Polícia Civil reforça que não compactua com quaisquer desvios de conduta, cometimento de crimes ou de abuso de autoridade praticados por seus servidores. A investigação está em andamento e seguirá obedecendo os trâmites da legislação vigente", disse em nota.
De acordo com o advogado de Gedeão, Saulo Carvalho, "imediatamente após o ocorrido, o investigado entrou em contato com os órgãos de segurança, a fim de diligenciarem ao local dos fatos e prestarem o devido auxílio à vítima". A defesa disse ainda que Raphael "colocou-se à disposição da autoridade policial para eventuais esclarecimentos sobre os fatos ora apurados pela Delegacia de Homicídios da Capital".
Marcelo, que trabalhava com a vereadora Vera Lins (Progressistas), teria sido atingido por ao menos cinco disparos ao discutir com o policial na entrada do hotel onde estava hospedado.
O assessor será enterrado na tarde desta segunda-feira (20) no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste.
Discussão em estacionamento
Em depoimento na DHC, um sobrinho da vítima contou que Marcelo estava hospedado com a família no hotel Wyndham Rio Barra desde a virada do ano, como costumam fazer. O parente relatou que ouviu um barulho constante de buzina e, pouco depois, cinco disparos em uma sequência rápida. Da varanda, ele viu uma picape prata e um carro preto e desceu até a portaria junto com a namorada e o primo, acreditando que o tio poderia ter sido assaltado, já que ele estaria chegando do trabalho.
O trio chegou a voltar para o quarto ao ver a Polícia Militar e os bombeiros no local e acreditar que o caso não tinha relação com o assessor. Mas, pouco depois, ao descer outra vez, o sobrinho encontrou a mulher e o filho de Marcelo próximos ao corpo, na entrada do hotel. Na oitiva, ele disse ainda que um bombeiro civil do estabelecimento contou que houve uma discussão entre Abitan e o motorista de um carro que tentava entrar no estacionamento. Logo depois, o suspeito atirou.
No relato, o familiar afirmou que ouviu no local um policial dizendo que o autor dos disparos era um "colega". O jovem relatou também que, além da picape e o veículo do tio, viu um sedã preto atrás do assessor, que deixou o local em baixa velocidade pela Avenida Lúcia Costa, em direção ao condomínio Barramares.
Segundo o sobrinho, Marcelo era assessor parlamentar há muitos anos e, junto com a família, dono de uma loja em Madureira, na Zona Norte. Ele retornava do estabelecimento no dia do crime, após passar a madrugada recebendo mercadorias.
Abitan deixa a mulher e um filho, com quem comemorou recentemente a aprovação em Medicina no vestibular da Universidade do Estado do Rio (Uerj).
Em nota, a vereadora Vera Lins lamentou o caso. "Muito triste com o ocorrido. Marcelo era um homem de bem, que ajudava a quem precisava. Deixa esposa e um filho adolescente por causa da impaciência que toma conta das pessoas que se acham acima de qualquer situação. Uma pena, Deus conforte sua família."
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