Publicado 07/03/2025 11:14
Rio - Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que 17 pessoas desapareceram por dia, em janeiro deste ano, no Estado do Rio. Nos 31 dias do mês, foram registrados 552 desaparecimentos, um aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2024. De acordo com a Polícia Civil, a maioria dos registros estão relacionados a fatores como a saúde mental das vítimas e questões familiares.
PublicidadeA cidade do Rio lidera o ranking de casos por municípios. Segundo o levantamento do ISP, a capital registrou 253 desaparecimentos em janeiro, um crescimento de 25% comparando com o mesmo mês do ano passado, quando teve 202.
Completam as cinco primeiras posições cidades da Baixada Fluminense e da Região Metropolitana: Duque de Caxias (36), Nova Iguaçu (27), São Gonçalo (21) e Belford Roxo (16).
Em relação a bairros da capital, a Circunscrição Integrada de Segurança Pública (Cisp) 32, formada pelo Anil, Cidade de Deus, Curicica, Gardênia Azul, Jacarepaguá e Taquara, na Zona Oeste, e a Cisp 35, composta por Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Santíssimo e Senador Vasconcelos, também na Zona Oeste, lideram com 19 desaparecimentos.
Em seguida vem os bairros de Benfica, Bonsucesso, Higienópolis, Manguinhos, Maré e Ramos (Cisp 21), na Zona Norte, com 18; Paciência e Santa Cruz (Cisp 36), na Zona Oeste, com 17; e Bangu, Gericinó, Padre Miguel e Senador Camará (Cisp 34), na Zona Oeste, com 14.
Em todo o ano de 2024, houve 6.047 registros de desaparecimentos, ou seja, 16 casos por dia.
Crianças desaparecidas
De acordo com a Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, 637 crianças e adolescentes estão desaparecidos atualmente. Destes, 555 completaram 18 anos após o desaparecimento e 82 seguem com menos dessa idade.
Entre as circunstâncias estão fatores como fuga do lar, abandono, perdido, sequestro, conflitos de guarda e subtração de incapaz.
Iniciado em 1996, o projeto SOS Crianças Desaparecidas, iniciativa da FIA, desenvolve ações voltadas à identificação e localização de crianças e adolescentes desaparecidos e sua reintegração à família. Para cadastrar a vítima no programa, o familiar precisa levar o registro de ocorrência, a certidão de nascimento ou a carteira de identidade da criança ou do adolescente, sua foto mais recente, documento de identificação do responsável e o comprovante de residência.
Após atendimento com assistentes sociais e psicólogos, o familiar assinará uma autorização para que a foto do desaparecido seja divulgada pelo projeto.
O SOS Crianças Desaparecidas fica localizado na Rua Voluntários da Pátria, n° 120, em Botafogo, na Zona Sul.
Investigação
A Polícia Civil possui a Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) como principal responsável por investigar casos de desaparecimento. Segundo a corporação, em sua maioria, os registros não estão relacionados a ações criminosas, mas a fatores como saúde mental das vítimas e questões familiares.
A Civil informou que grande parte das ocorrências confeccionadas nas unidades e setores especializados na investigação desta natureza se tratam de crianças e adolescentes, usuários de drogas, conflitos familiares e devido a falta de aceitação da sexualidade da vítima. Nos últimos anos, ainda de acordo com a corporação, cerca de 85% dos desaparecidos foram localizados pelas delegacias.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, a delegada Elen Souto, titular da DDPA, explicou que não é necessário aguardar um prazo mínimo para a confecção de um registro de desaparecimento. Ela cita que existe um mito do boletim ser realizado apenas 24h depois do sumiço, o que não procede.
"Na prática, o que nós precisamos é que o registro seja feito o mais rapidamente. Quanto mais rápido o registro for feito, mais rápido se iniciam as investigações, as diligências e maior a chance de êxito na localização da pessoa desaparecida", comentou.
Segundo a delegada, é fundamental que na confecção do registro de desaparecimento seja informado ao policial as características físicas e as vestes do desaparecido.
"Esses dados são fundamentais para que a delegacia consiga localizar essa pessoa, seja em uma unidade hospitalar ou até mesmo no Instituto Médico Legal (IML). Uma foto recente deve ser fornecida. Por meio da fotografia, nós conseguimos estabelecer toda a rede de contato que trabalha em parceria na tentativa de localização dessa pessoa desaparecida. O registro pode ser feito em qualquer delegacia", explicou.
A Policia Civil conta com o Portal de Desaparecidos, um canal de cadastro que permite a consulta de fotografias e informações de pessoas desaparecidas, com base nos registros de ocorrências oficiais, se tratando de uma ferramenta de divulgação para auxiliar nas investigações de desaparecimentos.
A corporação solicitou a colaboração dos familiares nas investigações, seja fornecendo informações, bem como sobre um possível retorno a residência, ou aparecimento com nova localização por vontade própria, permitindo que os recursos empenhados nas buscas sejam desmobilizados e o inquérito concluído.
A corporação solicitou a colaboração dos familiares nas investigações, seja fornecendo informações, bem como sobre um possível retorno a residência, ou aparecimento com nova localização por vontade própria, permitindo que os recursos empenhados nas buscas sejam desmobilizados e o inquérito concluído.
Dicas de prevenção para pais ou responsáveis
- Ensine ao seu filho o nome dele completo, endereço e os telefones de contato dos pais ou responsáveis;
- Quando estiver em locais de grande circulação de pessoas (show, praia, etc.), marque um ponto de encontro para o caso de se perderem;
- Faça a Carteira de Identidade do seu filho (pode ser tirada desde o nascimento). Diga para ele andar sempre com um documento de identificação;
- Nunca deixe crianças sozinhas, seja em casa ou na rua, nem sob os cuidados de outra criança ou adolescente;
- Mostre ao seu filho como buscar ajuda quando necessário: forneça a ele o número de emergência (190);
- Entenda os riscos que a internet pode causar e oriente os seus filhos sobre as medidas de segurança e cautelas necessárias;
- Conheça os amigos de seu filho e as pessoas com quem ele convive (escola, cursos, vizinhos, etc.);
- Mantenha sempre uma conversa franca e aberta com seu filho para que ele possa se sentir seguro e confiar em você.
- Ensine ao seu filho o nome dele completo, endereço e os telefones de contato dos pais ou responsáveis;
- Quando estiver em locais de grande circulação de pessoas (show, praia, etc.), marque um ponto de encontro para o caso de se perderem;
- Faça a Carteira de Identidade do seu filho (pode ser tirada desde o nascimento). Diga para ele andar sempre com um documento de identificação;
- Nunca deixe crianças sozinhas, seja em casa ou na rua, nem sob os cuidados de outra criança ou adolescente;
- Mostre ao seu filho como buscar ajuda quando necessário: forneça a ele o número de emergência (190);
- Entenda os riscos que a internet pode causar e oriente os seus filhos sobre as medidas de segurança e cautelas necessárias;
- Conheça os amigos de seu filho e as pessoas com quem ele convive (escola, cursos, vizinhos, etc.);
- Mantenha sempre uma conversa franca e aberta com seu filho para que ele possa se sentir seguro e confiar em você.
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