Publicado 06/04/2025 07:00
A febre das “Bets” no Brasil vem causando problemas bem maiores do que os financeiros na população. O vício em apostas esportivas cresce a cada dia e no ano de 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 1300 casos de pessoas que procuraram atendimento público por não conseguir largar os jogos pagos.
PublicidadeO Ministério da Saúde informa que as pessoas podem procurar tratamento em unidades de saúde para tentar se verem livres do chamado “jogo patológico”. Uma curiosidade é que das pessoas que buscaram atendimento no SUS, 57% são mulheres.
A psicóloga Bruna Muniz sinaliza as principais atitudes que precisamos ficar atentos para identificar uma pessoa que está viciada em jogos e apostas. Segundo a profissional, a obsessão pelo assunto e o estresse desproporcional com eventos relacionados ao jogo são os primeiros sintomas aparentes.
“Quando uma pessoa não consegue controlar o impulso de apostar, mesmo sabendo que deveria parar, já é um sinal de alerta. Outro indício preocupante é apostar valores mais altos na tentativa de recuperar perdas de apostas anteriores. Além disso, se a pessoa se mostrar estressada e obcecada com o tema, também é um indicativo de risco”, informou a psicóloga.
“O descontrole financeiro é, provavelmente, a consequência mais imediata e visível. Mas, além disso, há um nível elevado de estresse causado pela ansiedade, uma vez que os resultados das apostas são extremamente imprevisíveis. Tanto o descontrole financeiro quanto o estresse afetam profundamente as relações interpessoais, levando a pessoa a enfrentar conflitos ou até se afastar de familiares e amigos”, completou.
Durante o tratamento, a psicóloga informa que o primeiro passo antes de buscar ajuda é a pessoa reconhecer que está dependente de apostas e jogos. Após isso, buscar profissionais capacitados é a principal saída.
“Em primeiro lugar, a pessoa precisa reconhecer que tem o vício, pois não é possível tratar alguém que acredita não precisar de ajuda. Uma vez dado esse passo, é fundamental que ela busque psicoterapia, que pode ser realizada de forma individual, em grupo ou até ambas. O acompanhamento psiquiátrico também é recomendado, já que, embora não exista um medicamento específico para o vício em apostas, o foco deve ser tratar as comorbidades associadas, como depressão e ansiedade. Se possível, também é útil que a pessoa receba orientação financeira, para ajudá-la a lidar com as consequências práticas do vício”, completou.
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