Publicado 16/06/2025 17:02
Rio - A cerimônia de despedida a Bira Presidente, um dos fundadores do grupo Fundo de Quintal, foi realizada nesta segunda-feira (16) e reuniu familiares, amigos e personalidades do samba. A homenagem contou ainda com a participação da bateria do Cacique de Ramos, bloco que Bira também ajudou a fundar.
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O artista, considerado um dos nomes mais importantes da história do samba carioca, faleceu no sábado (14), aos 88 anos, em decorrência de complicações relacionadas ao câncer de próstata e ao Alzheimer. O velório de Bira teve início às 14h na Capela 9 do Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio. O caixão foi coberto com um pano em referência a Cacique de Ramos, e coroas de flores foram colocadas ao lado em homenagem ao artista. Em seguida, familiares e amigos acompanharam o cortejo até o sepultamento, entoando músicas do Fundo de Quintal, como 'A Amizade'.
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Entre os presentes estavam o cantor e compositor Dudu Nobre, o ex-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Jorge Perlingeiro. Dudu Nobre prestou uma homenagem emocionada ao mestre do samba. "Bira é um paizão para todos nós. A gente tem uma gratidão muito grande por ele, que revolucionou o samba. É um momento de muita tristeza. É um legado que tem que ser mantido e referenciado por todos que amam o samba, o subúrbio", afirmou o artista.
O artista também lembrou as características marcantes do fundador do Fundo de Quintal: "Bira foi o grande mestre e embaixador para nós do samba. Era fora da curva. A lembrança que fica são os conselhos, as conversas... Ele sempre muito vaidoso, galanteador, um músico fantástico. Agora a nossa missão é manter o legado e continuar lembrando dele."
Paulo Passos, responsável pela confecção das roupas de Bira há 30 anos, lamentou a partida do amigo. "Ele foi um grande amigo, humano, sincero. Frequentava a minha casa, fazia parte da minha vida", lembrou o costureiro.
Bira deixa as filhas Karla Marcelly e Christian Kelly, os netos Yan e Brian, e a bisneta Lua. Figura central na consolidação do samba no Rio, ele também deixa uma trajetória que ultrapassa gerações.
Quem era Bira
Ubirajara Félix do Nascimento começou a frequentar as rodas de samba ainda na infância. Nesses espaços, conheceu sambistas famosos que foram os primeiros exemplos na execução do pandeiro, instrumento que o acompanharia em toda carreira. Aos 7 anos, foi batizado na escola de samba Estação Primeira de Mangueira.
Fundou em 20 de janeiro de 1961 o Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, no subúrbio carioca, que tem como padroeiro São Sebastião e fortes ligações com a Umbanda, religião afro-brasileira. Nomes como Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz foram projetados no mundo do samba por meio das rodas no Cacique.
Bira trabalhou por décadas como servidor na administração pública federal e do estado do Rio de Janeiro, mas pediu exoneração do cargo para se dedicar totalmente à carreira artística. No fim da década de 1970, criou o Fundo de Quintal, grupo que se tornou uma das maiores referências do samba brasileiro e serviu de inspiração para novos nomes do gênero.
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Passaram pelo grupo Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Walter Sete Cordas, Mario Sergio, Almir Guineto, Cleber Augusto e Flavinho Silva. A formação atual do Fundo de Quintal conta com Bira Presidente, Sereno, Ademir Batera, Júnior Itaguay, Márcio Alexandre e Tiago Testa.
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Passaram pelo grupo Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Walter Sete Cordas, Mario Sergio, Almir Guineto, Cleber Augusto e Flavinho Silva. A formação atual do Fundo de Quintal conta com Bira Presidente, Sereno, Ademir Batera, Júnior Itaguay, Márcio Alexandre e Tiago Testa.
Em 2015, Bira Presidente recebeu a Medalha Pedro Ernesto, honraria máxima concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. No ano seguinte, foi destaque no carro dos malandros no enredo "A ópera dos malandros" do Salgueiro. O artista teve sua história contada no livro "O Patuá Tamarindo", lançado pelo jornalista Paulo Guimarães em 2019.
Nos últimos meses, o artista se afastou do grupo devido aos problemas de saúde. Durante a recente turnê internacional do Fundo de Quintal pelos Estados Unidos, Bira não participou das apresentações. Ele também se ausentou das atividades do bloco neste Carnaval.
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