Publicado 29/06/2025 00:00
A morte da jovem niteroiense Juliana Marins, de 26 anos, num vulcão na Indonésia, suscita um debate na sociedade sobre a importância que se deve ter ao realizar viagens para destinos considerado inóspitos e perigosos. Afinal, é possível se aventurar em alguns lugares do mundo sem ter a ajuda de alguém, seja um guia local ou uma agência de turismo? De acordo com a guia de turismo e tecnóloga em gestão de turismo, proprietária da Agência Bicho Carpinteiro Viagens, Patrícia Grigorio, a legislação brasileira não obriga o turista a contratar um guia de turismo, mas em alguns casos é muito necessário. Já o porta-voz Fabio Mader, vice-presidente da área de produtos da operadora de turismos CVC CORP, a maior da América Latina, fala sobre a importância de se contratar uma agência especializada para que tudo saia a contento na viagem tão sonhada. fotogaleria
De acordo com o vice-presidente da CVC, quando se compra uma viagem num empresa conceituada dificilmente o viajante terá problemas que não serão solucionados. "O primeiro ponto de o cliente comprar uma viagem com uma agência especializada é porque ele tem assistência antes, durante e depois. Então, quando eu falo assistência antes das viagens significa que uma agência com credibilidade conhece o hotel, e a empresa que vai fazer o serviço, se tem qualidade, capacidade de resolver o problema, seja num acidente, em qualquer caso, num cancelamento de um voo ou de transfer", diz ele, acrescentando que a assistência antes da viagem também é de suma importância porque passa por um crivo, por uma prova de qualidade assim como a estadia da pessoa em algum lugar.
Publicidade"No caso de algum problema na viagem, cheguei no hotel e está com overbooking, não tem lugar para mim. O que eu faço? Se você comprar diretamente numa agência online, se você comprar direto, está desassistido. Se comprar numa agência de viagens, está assistido. Então, durante a viagem, caso você tenha algum tipo de entrave, de dificuldade, o agente de viagem está ali para te prestar esse serviço assim como perda da bagagem, ou seja, qualquer imprevisto que venha a acontecer,tem um suporte".
Para Mader, outro item importante é a segurança. "Quando você compra com uma agência de viagens tem maior segurança porque a agência lida com fornecedores que são de confiança, que têm qualidade e protocolos claros de lidar com imprevistos. Então, eu vou te dar um exemplo. Ah, nós vamos abrir um novo destino. Eu, Mader, visito o hospital. Por exemplo, o que tem a ver com a gente visitar o hospital? Eu preciso saber se um cliente nosso ficar doente se a qualidade do hospital é boa, onde a gente leva esse cliente".
O profissional fala sobre os protocolos claros de imprevistos. "Sem contar que você reduz riscos de golpes. Quando você vai numa viagem sozinho é mais propício a cair nos piratas. Então, você contrata um guia, esse guia não tem certificado para ser guia de turismo, você pega um balão, esse balão você não está certificado, ou o piloto não tem as autorizações. Numa agência de turismo conceituada você não vai cair em nenhum golpe de reservas falsas, esse tipo de coisa", explica o profissional.
Ele conta que a CVC presta assistência aos seus clientes em todos os momentos da sua viagem. ‘’ Para dar maior segurança em caso de acidente e/ou imprevistos possuímos uma estrutura dedicada a atender os clientes em destino 24h todos os dias, através de soluções dentro de nossas possibilidades de atuação.
Contratação de guia não é obrigatória, mas muitas vezes recomendada
Patrícia Grigorio diz que a legislação brasileira não obriga o turista a contratar um guia de turismo, mas em alguns casos é preciso e até mais interessante em termos de história e cultura. "Em muitos países também não é obrigada a contratação de guia. Porém, essa contratação é recomendada, principalmente no caso de atividades específicas como a realizada pela Juliana, na Indonésia. Quando se faz uma viagem solo, ter o acompanhamento de um guia de turismo local garante não apenas uma experiência mais enriquecedora em termos de conhecimento, mas também auxílio com a comunicação, uma circulação melhor dentro de uma cultura diferente da sua, segurança para evitar circular em locais de risco e até mesmo cair nas chamadas 'armadilhas' para turistas", explica Patricia.
A profissional conta que não conhece as leis da Indonésia, mas afirma que certas precauções por parte do viajante devem ser tomadas. "Tendo como base a nossa legislação turística, a primeira coisa a se verificar é se o responsável pela condução do grupo é realmente um guia de turismo com registro no Ministério do Turismo", diz ela, acrescentando que é muito importante chamar a atenção para o fato de que ter uma formação geral de guia de turismo não capacita uma pessoa a executar qualquer tipo de atividade.
"Aquelas relacionadas ao Turismo de Aventura ou de Esportes Radicais, por exemplo, exigem que o profissional tenha formação e conhecimento técnico para executá-las com eficiência e segurança. A pessoa que estamos chamando de guia na Indonésia pode nem ser um profissional como é considerado aqui no Brasil, mas um morador local experiente ou uma pessoa contratada para realizar a subida até o vulcão", pontua.
Segundo Grigorio, em toda atividade turística que envolva riscos - como turismo de esportes radicais e de aventura, por exemplo - o operador da atividade tem a obrigação de fornecer todas as informações e orientações sobre a mesma: uso de equipamentos, regras de segurança, o que será feito em situações de emergência, a importancia de seguir todas as orientacoes do Guia. "É importante ter também a informação se aquele turista já realizou aquela atividade ou é a primeira vez, pois é muito provável que este último demande maior atenção do profissional que está no comando".
Para a guia, toda atividade de aventura envolve riscos. "Aqui no Brasil, as operadoras de Turismo de Aventura e Esportes Radicais devem oferecer aos clientes um Termo de Responsabilidade orientando-o sobre os riscos que a atividade acarreta. Esse termo não retira do organizador a responsabilidade de garantir a segurança da atividade, mas deixa o contratante ciente dos riscos e também da sua responsabilidade de contribuir para evitar ou minimizar acidentes’’.
Uma segurança a mais
Gestor d Turismo e dono da Agência de Viagem MT Turismo e Eventos RJ, em Copacabana, Sidney Sureck, fala sobre a importância na hora de pegar a mala e viajar.
"Ter uma agência de viagens para organizar tudo é fundamental para que não haja problemas. Nós temos profissionais experientes e qualificados que conhecem bem cada destino. As agências contam com parcerias com fornecedores confiáveis e podem oferecer opções mais seguras. É extremamente importante a contratação de empresas que já tenham experiências no destino e, principalmente, fazer os passeios com guias credenciados que darão a total segurança e suporte durante a viagem".
Sidney afirma que a agência de viagem tem o papel fundamental nesse processo. "Podemos fornecer a assistência imediata ao passageiro diante qualquer situação inesperada, como emergências médicas ou políticas. A agência tem canais de contato que podem te ajudar a solucionar questões de forma mais ágil.
Isso traz uma segurança enorme para o viajante que sabe que tem alguém para auxiliar nos momentos mais difíceis durante a viagem".
Isso traz uma segurança enorme para o viajante que sabe que tem alguém para auxiliar nos momentos mais difíceis durante a viagem".
Em relação a destinos exóticos, ele explica ser importante sempre estudar sobre o local. "Quando falamos em destinos exóticos devemos ter cuidado com a preparação, principalmente quando falamos em trilhas. Durante uma trilha os obstáculos são muitos e sempre devemos estar preparados. Algumas dicas são: evite sair em dias de chuva, ventos e baixa visibilidade; Roupas e calçados adequados; Hidratação e alimentação; Celular carregado. Em caso de emergência, isso facilita a localização e o resgate", pontua.
Para Sidney, viajar sozinha sendo mulher pode ser uma experiência incrível de autodescoberta e liberdade, mas também traz desafios específicos. "Infelizmente, o mundo ainda carrega algumas questões de segurança e de expectativas sociais que tornam essa experiência única para mulheres. Na minha opinião a segurança pessoal é um dos maiores desafios, seja em destinos urbanos ou mais remotos. Embora existam muitos destinos relativamente seguros para mulheres viajantes, as questões de assédio, furtos ou até violência são algo com o qual as mulheres precisam estar mais atentas", pontua.
A orientação dele é se hospedar em local seguro, com boa avaliação. "Em área turísticas, compartilhe seu itinerário com amigos ou familiares, e mantenha contato regularmente com alguém de confiança, usar aplicativos de segurança que podem ajudar a rastrear sua localização, dar alertas em caso de emergências, e até se conectar com outros viajantes", alerta.
De acordo com James Scher, relações públicas e especialista em turismo, viajar sozinho exige ainda mais atenção aos detalhes. "É fundamental ter sempre informações claras sobre o roteiro, manter contato frequente com o guia ou agência responsável e avisar familiares sobre cada deslocamento. Planejamento e cautela são os maiores aliados para evitar imprevistos".
Viajando de mochilão por 9 países
A social media Paola Groberio, de 32 anos, tem, no Instagram e no Youtube, o projeto Só Sei viajar. Ela conta que, de 2017 a 2022, visitou, de mochilão, 9 países do continente, na grande maioria sozinha, e 16 estados do Brasil. "Hoje estou fazendo uma kombihome para continuar viajando o mundo como nômade digital", diz ela, que toma alguns cuidados durante suas viagens.
A social media Paola Groberio, de 32 anos, tem, no Instagram e no Youtube, o projeto Só Sei viajar. Ela conta que, de 2017 a 2022, visitou, de mochilão, 9 países do continente, na grande maioria sozinha, e 16 estados do Brasil. "Hoje estou fazendo uma kombihome para continuar viajando o mundo como nômade digital", diz ela, que toma alguns cuidados durante suas viagens.
"Sempre que o local pede a contratação de guia, eu contrato sim, principalmente em trilhas que não são demarcadas e que são de difícil acesso. Faço uma pesquisa prévia na internet, quando estou montando a ideia do meu roteiro, sobre a dificuldade dos lugares e aquela peneira mental se eu “quero” conhecer. Mas quando a trilha é demarcada, fica em uma propriedade privada em que pagamos pela estruturação da trilha, não contrato. Quando é uma trilha fácil ou que eu julgo fácil".
Ela diz que só faz uso mesmo quando percebe que existe iminente perigo de alguma forma."A contratação do guia não é usual para mim, somente em trilhas com risco mesmo. Um exemplo: quando o Lago do Amor estava aberto, em Arraial do Cabo, contratei guia porque a trilha era perigosa, costeira e sei que chegar lá não era fácil. Também contratei guia na Chapada dos Veadeiros, na trilha das Cataratas dos Couros, porque ela não era sinalizada".
De acordo com Paola, várias trilhas em parques, sejam nacionais ou estaduais, são bem demarcadas, com informações sobre dificuldade e tempo médio. "Essas trilhas eu não contrato guia. Mas se eu fosse fazer, por exemplo, a travessia Petrópolis - Teresópolis, seria imprescindível, só faria com guia, aliás acho que é obrigatório".
Dicas para um turismo de aventura seguro, segundo a guia de turismo Patricia Grigorio
- Verifique se a empresa de Turismo está no CADASTUR, que é o cadastro de prestadores de serviços turísticos do Ministério do Turismo.
- Obtenha informações sobre o Guia de Turismo - se também tem CADASTUR, se tem experiência e qualificação para executar a atividade.
- Informe-se e tire todas as dúvidas sobre a atividade contratada, os equipamentos e procedimentos de segurança.
- Fique atento se a empresa oferece Termo de Responsabilidade com todas as informações sobre segurança e riscos e se oferece seguro que cubra atividades de aventura.
- Obtenha referências sobre a empresa ou guia de turismo com os amigos, conhecidos e também por avaliações na Internet de pessoas que já utilizaram o serviço.
- Informe-se sobre a atividade, o local onde ela é realizada, quais são os riscos.
- Respeite seus limites. Não se aventure além da sua capacidade física ou técnica.
Saiba mais
O Guia de Turismo é o profissional que está lá na ponta do processo de produção de um produto turístico. Ele é o responsável pela execução de um produto que foi planejado e organizado pela operadora ou agência de turismo. "O que podemos dizer é que a responsabilidade é conjunta. Cabe à empresa responsável garantir que a atividade seja organizada com segurança, oferecendo os equipamentos, verificando as condições climáticas e seguindo todas as normas para que a atividade seja executada dentro dos padrões de segurança", diz Patricia.
Dicas para um turismo de aventura seguro, segundo a guia de turismo Patricia Grigorio
- Verifique se a empresa de Turismo está no CADASTUR, que é o cadastro de prestadores de serviços turísticos do Ministério do Turismo.
- Obtenha informações sobre o Guia de Turismo - se também tem CADASTUR, se tem experiência e qualificação para executar a atividade.
- Informe-se e tire todas as dúvidas sobre a atividade contratada, os equipamentos e procedimentos de segurança.
- Fique atento se a empresa oferece Termo de Responsabilidade com todas as informações sobre segurança e riscos e se oferece seguro que cubra atividades de aventura.
- Obtenha referências sobre a empresa ou guia de turismo com os amigos, conhecidos e também por avaliações na Internet de pessoas que já utilizaram o serviço.
- Informe-se sobre a atividade, o local onde ela é realizada, quais são os riscos.
- Respeite seus limites. Não se aventure além da sua capacidade física ou técnica.
Saiba mais
O Guia de Turismo é o profissional que está lá na ponta do processo de produção de um produto turístico. Ele é o responsável pela execução de um produto que foi planejado e organizado pela operadora ou agência de turismo. "O que podemos dizer é que a responsabilidade é conjunta. Cabe à empresa responsável garantir que a atividade seja organizada com segurança, oferecendo os equipamentos, verificando as condições climáticas e seguindo todas as normas para que a atividade seja executada dentro dos padrões de segurança", diz Patricia.
Ela acrescenta que o guia de turismo, sendo o responsável pela execução, tem autonomia para suspender a atividade caso seja constatada condições desfavoráveis - como uma mudança brusca de clima - que coloquem em risco a segurança dos participantes. E caso um dos turistas se sinta mal - como no caso da Juliana - o guia jamais deve deixar o turista sozinho e continuar a atividade, mesmo com a insistência dos outros participantes. " Caso seja necessário, a atividade deve ser suspensa e o profissional fazer com que todos retornem em segurança. A segurança e o bem-estar todos deve sempre ser o foco principal", finaliza.
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