Da esquerda à direita: Wellington Vieira, André Neves, Gutemberg Fonseca e Claudir RodriguesÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 10/07/2025 12:59 | Atualizado 11/07/2025 10:28
Rio - A influenciadora Gabriele Santos Silva, identificada como MC Gaby nas redes sociais, foi alvo de operação na manhã desta quinta-feira (10) por golpes contra consumidores através de um site de vendas de calçados. Em meio às buscas, as autoridades a prenderam por maus-tratos contra a própria filha, de 10 anos, pelas condições insalubres em que encontraram a criança no apartamento da mulher, em Vila Velha, Espírito Santo.

De acordo com as investigações, o Procon registrou mais de 700 denúncias de clientes da empresa que Gabriele era sócia, chamada Equipe Tênis. Eles alegam que receberam produtos falsos, já usados e que, em diversas ocasiões, nem ao menos chegavam à casa do comprador.
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O irmão da influenciadora, Douglas Santos Silva, também foi alvo de buscas. Segundo a polícia, após as vendas, ele era a pessoa que recebia as reclamações dos consumidores e deve se apresentar à Justiça em até 24 horas e será monitorado junto à irmã.
No total, foram realizados nove mandados de busca e apreensão, nas cidades de Nova Friburgo e São Fidélis, no estado do Rio, além de Vila Velha, onde a detida foi encontrada. Na residência dela, os agentes apreenderam mais de dez celulares, três notebooks, computadores, 15 cartões de créditos e relógios que vão passar por perícia.

Em coletiva de imprensa na Cidade da Polícia, Zona Norte, o delegado titular da Delegacia do Consumidor (Decon), Wellington Vieira, deu detalhes sobre a operação. "A Justiça determinou vários mandados de busca, bloqueios de conta, desativação e derrubada de sites, domínios, e também determinou que os dois sócios da empresa fossem colocados, em 24 horas, tornozeleiras eletrônicas para que sejam monitorados até o final do processo", disse.
Wellington também destacou a importância que os clientes que sofreram golpes da Equipe Tênis se apresentem à Decon para que sejam ressarcidos.
MC Gaby tem mais de 1,5 milhão de seguidores no Instagram. O subsecretário de Estado de Proteção dos Direitos Difusos, Coletivos e Individuais do Consumidor do Rio, Claudir Rodrigues, destacou os números da influenciadora. "Ela recebe, em seu site, mais de 100 mil seguidores, com mais de 16 mil curtidas em alguns publicações. De acordo com dados analíticos, cerca de 53 mil pessoas passam por seu site por dia, e por óbvio, fazem movimentações financeiras ali", afirmou.

"O site tem uma estrutura robusta de segurança, e justamente isso, com o alvo ser uma influenciadora digital, todos esses artifícios para poder seduzir e conquistar a credibilidade do consumidor, e por sua vez, aplicar o golpe que é a não-entrega do produto, e quando o fazia, ele era impróprio para o consumo."
Na visão do secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, este tipo de crime "mata mais que o covid-19". "Só no ano passado, o país perdeu mais de R$ 500 bilhões com vendas ilícitas. Em primeiro lugar, com mais de R$ 85,7 bilhões, vestuário. Em segundo, com mais de R$ 82,5 bilhões, bebidas falsas. Para onde vai esse dinheiro? É um dos recursos utilizados pelo cérebro da criminalidade. A compra de fuzil, orquestração dos crimes, sequestro. Esse é o mal que a pirataria causa para o país e o estado do Rio", afirmou.
Maus-tratos
As buscas desta quinta-feira seriam apenas para cumprir os mandados de busca das investigações por golpe contra o consumidor, mas acabaram na prisão de Gabriele por maus-tratos. Isso aconteceu por causa das condições insalubres em que os agentes encontraram a casa dela, em Vila Velha, que tinha uma criança de 10 anos. A influenciadora havia a deixado sozinha para ir a uma festa.

"Parecia em estado de guerra aquele apartamento. E a mãe estava na balada, em uma festa, curtindo, ostentando, divulgando e seduzindo o consumidor para dentro deste crime. Quando ela chegou [em casa], estava toda a equipe aguardando ela", afirmou Gutemberg.
"Um local totalmente insalubre. Fezes por toda a casa, baratas… A autoridade policial que apreciou a ocorrência lá no Espírito Santo a autuou por mais esse crime. Ela está respondendo por crime contra o consumidor, estelionato, a investigação está seguindo, e ela foi presa em flagrante", concluiu diretor do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), André Neves.
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