Viatura da PM na saída do Túnel Noel RosaReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 14/07/2025 07:45
Rio – Policiais militares foram atacados a tiros por criminosos durante patrulhamento do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio, na manhã desta segunda-feira (14). Em nota, a corporação informou que os agentes estavam dentro de um veículo blindado e não revidaram, enquanto os bandidos conseguiram fugir pela área de mata da comunidade. Mesmo após o caso, os disparos continuaram ao longo das primeiras horas do dia.
Publicidade
O conflito acontece após dias com intensos tiroteios no local. O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) realizou, na última sexta-feira (11), uma operação no morro que resultou na morte de Pedro Paulo Lucas Adriano do Nascimento, vulgo Titauro. Ele era apontado como a principal liderança do Comando Vermelho (CV) na tentativa de invasão da facção à comunidade.
Titauro possuía uma extensa ficha criminal, com mais de 60 anotações de registros de ocorrência e dois mandados de prisão em aberto. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Federal do Andaraí, mas não resistiu.
Um dia após a morte do criminoso, o Morro dos Macacos voltou a ser palco de confronto entre policiais e traficantes no último sábado (12). Moradores relataram os momentos de terror nas redes sociais. "Festinha junina das crianças na escola e simplesmente eles não conseguem sair de casa por conta dos tiros, que não param", escreveu uma internauta.
Rotina de terror
O Morro dos Macacos tem sido palco de tiroteios constantes, assustando moradores e causando impacto profundo na rotina de Vila Isabel. Ao DIA, um morador do bairro, identificado como Jorge, destacou como os confrontos constantes impactam no dia a dia da região.
"[Esse cenário de violência] impacta em tudo. No bem-estar das pessoas, economia, comércio, valorização do imóvel... É um negócio que tem que ter uma solução, o governo tem que intervir. A gente paga impostos justamente para isso, e acaba virando refém. Começa essa guerra, os tiros, todo mundo se refugia na sua casa e fica aguardando. O comércio é atingido fortemente. O fluxo de pessoas nas ruas, por Vila Isabel ser o quarto bairro mais idoso do Rio, as senhoras acabam ficando com medo", disse.
Uma outra moradora, que preferiu não se identificar, também comentou sobre a rotina de violência no local e confessou que sai à rua poucas vezes, por medo. "Tem que ficar em casa. A gente não sabe que horas vai começar, terminar. Quando acha que tá tudo tranquilo, retorna o tiroteio. Então, fica inseguro, incerto, as creches não funcionam, escolas não funcionam, eventos são adiados, o posto de saúde está fechado. Cada hora é uma situação diferente, e incerto. Não conseguimos nem ter um lazer, nem trabalhar direito."
Em comunicado, o posto de saúde Maria Augusta Estrella, na Rua Visconde de Santa Isabel, esclareceu que suspendeu os serviços nesta segunda-feira por causa de "eventos relacionados à segurança pública no território". Já a Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que nove escolas foram impactadas pelos disparos no Morro dos Macacos.
"Deixamos de ir para a rua, com certeza, porque é perigoso. As pessoas não podem fazer mais nada. Uma conhecida daqui de Vila Isabel estava em casa, foi ao banheiro e quando retornou, tinha um tiro na janela dela", concluiu a mulher.
Entenda a disputa na região
Desde o ano passado, o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro (TCP) travam uma disputa pelo controle do Morro dos Macacos. Os conflitos se intensificaram neste ano, com direito a símbolos das facções espalhados pela comunidade.
Atualmente, o TCP domina o morro, mas os constantes tiroteios na área são resultado de uma tentativa de expansão territorial do CV, com traficantes do Morro do São João, no Engenho Novo, buscando aumentar sua influência. A distância de cerca de 4 km entre as duas comunidades facilita a mobilização dos bandidos.
Leia mais