BioParque segue interditado desde quinta-feira (17), sem previsão de reaberturaDivulgação/Bioparque
Publicado 18/07/2025 12:34 | Atualizado 18/07/2025 15:41
Rio - As mortes das galinhas-d’Angola que provocaram a interdição do Bioparque do Rio, em São Cristóvão, Zona Norte, nesta quinta-feira (17), já estão sendo investigadas. Segundo a Defesa Sanitária Agropecuária do Governo do Estado, o material biológico coletado está sendo encaminhado ao laboratório do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Campinas, para análise, e o resultado deve sair nos próximos dias.

Dentre as medidas ainda a serem estabelecidas após o resultado dos exames laboratoriais, a Secretaria de Estado de Agricultura afirmou que fará vistorias periódicas ao parque. "A interdição é uma medida preventiva para garantir a preservação da saúde animal e humana", informou por meio de nota.

Procurada, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais informou que suspendeu a fiscalização que seria feita nesta sexta (18) ao BioParque, uma vez que não há suspeita de maus-tratos. Há principal hipótese, segundo a pasta, é de que as mortes foram causas por zoonose ligada à agropecuária, que são doenças infeccionas que podem ser transmitidas de animais para humanos.

"Não nos compete. Nem poderíamos entrar. Nem chegar perto. Mas vamos acompanhar todo o processo. As autoridades competentes estão recolhendo os animais mortos para análise. Há suspeita de que foram acometidos por zoonose ligada à agropecuária, não é da nossa competência. Até para chegar perto dos animais, os técnicos precisam usar roupas especiais. Estamos acompanhando o processo, a análise será concluída na próxima semana", explicou o secretário de Proteção e Defesa dos Animais, Luiz Ramos Filho.

De acordo com o BioParque, a equipe técnica acionou os protocolos internos de biossegurança, notificando as autoridades sanitárias competentes assim que a mortandade foi identificada.

"Como medida preventiva, o parque encontra-se temporariamente fechado ao público, conforme protocolo sanitário vigente. A proteção e o bem-estar dos animais e visitantes seguem como prioridade do BioParque. Novas informações serão divulgadas assim que os laudos técnicos forem concluídos", finalizou em comunicado.
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Há risco para os humanos?

Ao DIA, o professor de sanidade avícola da Universidade Federal Fluminense (UFF), Thomas Salles Dias, explicou que há diversas doenças zoonóticas que podem levar ao óbito das aves.

"A gripe aviária por exemplo é uma doença, mas ela não é exclusiva da agropecuária, a gente tem um problema maior nas aves silvestres. No Brasil, até recentemente, a gente não tinha nenhum caso de gripe aviária em aves comerciais, tivemos em 16 de maio o primeiro caso no Sul do Brasil, que já foi contido”, relatou.

Segundo Thomas, só é possível confirmar o diagnóstico após exames laboratoriais. Dependendo da doença, ele alerta que há riscos tanto para os animais que conviveram com as aves quanto para as pessoas que tiveram contato direto com as galinhas-d'angola.

"Em questão de risco para as pessoas, a gente tem zoonose de maior importância e outras de menor. Sempre quando a gente tem um caso, uma suspeita de influenza, a primeira medida é isolar essas aves para fazer essa coleta de material, para poder confirmar, ou não, esse diagnóstico, e a partir disso ver quais medidas serão tomadas”, disse.

O especialista frisou também a importância do monitoramento de quem teve contato direto com os animais que morreram.

"Existe um risco de contaminação. Então, por ser zoonótico, sendo influenza ou não, ocorre o risco de passar para essas pessoas que tiveram contato com essas aves. E caso não tenha sido contido a tempo, há risco de se espalhar para outros animais, especialmente para as outras aves", finalizou.
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