Estilista Zuzu Angel foi morta em 1976, vítima da Ditadura MilitarAcervo Digital Zuzu Angel
Publicado 29/08/2025 16:08
Rio - Zuzu Angel teve a certidão de óbito retificada depois de quase 50 anos de sua morte, nesta quinta-feira (28). Vítima da Ditadura Militar, assim como o filho Stuart Angel, a estilista foi uma das 21 pessoas a receber a correção, pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP).
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O novo documento reconhece que a morte violenta de Zuzu foi causada pelo Estado brasileiro na época da Ditadura Militar (1964-1985). A estilista morreu aos 54 anos, em 1976, em um suposto acidente de carro na saída do antigo túnel Dois Irmãos, em São Conrado, na Zona Sul, local que anos depois ganhou o nome de Angel.
Nascida em Curvelo (MG), Zuleika Angel Jones chegou ao Rio de Janeiro nos anos 1950. Conhecida como Zuzu Angel, recebeu reconhecimento internacional ao vestir estrelas como Joan Crawford, Liza Minnelli e Kim Novak. Em 1971, no entanto, foi abalada pelo desaparecimento do filho, o militante Stuart Angel.
Na busca por respostas, Zuzu se deparou com relatos de pessoas que testemunharam o sequestro, prisão, tortura e morte do filho. Revoltada, começou a usar de sua influência para denunciar no exterior os casos de tortura durante a ditadura no Brasil, se tornando um símbolo da resistência. Em 1975, começou a ser perseguida e receber ameaças de morte.
Mais certidões devem ser retificadas
Ao todo, 63 certidões estavam aptas a serem entregues, mas durante a cerimônia, que aconteceu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), mas apenas as famílias de mortos ou desaparecidos que estiveram presentes receberam o documento retificado. Outra solenidade será marcada para a entrega das demais.
A retificação da certidão de óbito está em conformidade com a Resolução nº 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que atribui como morte violenta pelo Estado brasileiro aos mortos e desaparecidos políticos do período da Ditadura.
Para a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, a solenidade representa um importante passo para a construção da democracia brasileira. "Por meio dos trabalhos da CEMDP, estamos aqui, hoje, um ano após a reabertura dos trabalhos desse colegiado, para dizer que a luta por memória, verdade e justiça vale a pena. Porque vale a pena reconstruir um país em um esforço coletivo de superar o ódio, a ignorância e o desprezo pela vida do outro", destacou.
A pasta espera que, até o fim do ano, mais de 400 certidões retificadas estejam aptas para serem entregues. 
"Aos familiares dessas pessoas dadas como desaparecidas no período da ditadura militar, este é um processo de cura social: finalmente assumir a responsabilidade com a dor dos familiares. O que estamos vivenciando neste momento é um processo de cura que só a agenda dos direitos humanos é capaz de promover. É importante que cada pessoa impactada por esta cerimônia seja mensageira, em seu círculo social, dessa boa nova: a compreensão de que a pauta dos direitos humanos e da cidadania está de pé neste país", garantiu Macaé Evaristo.
Saiba quem teve a certidão de óbito retificada:
Adriano Fonseca Filho
Antônio Carlos Bicalho Lana
Antônio Joaquim de Souza Machado
Arnaldo Cardoso Rocha
Carlos Alberto Soares de Freitas
Ciro Flávio Salazar de Oliveira
Gildo Macedo Lacerda
Eduardo Antônio da Fonseca
Pedro Alexandrino Oliveira Filho
Raimundo Gonçalves de Figueiredo
Walkíria Afonso Costa
Zuleika Angel Jones (Zuzu Angel)
Hélcio Pereira Fortes
Idalísio Soares Aranha Filho
Ivan Mota Dias
João Batista Franco Drumond
José Carlos Novaes da Mata Machado
José Júlio de Araújo
Oswaldo Orlando da Costa
Paulo Costa Ribeiro Bastos
Paulo Roberto Pereira Marques
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