Manifestantes se reuniram em ato a favor do ex-presidente Jair BolsonaroÉrica Martin/Agência O Dia
Publicado 07/09/2025 13:44
Rio - Um ato de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, neste domingo (7), durante o feriado da Independência, pede a anistia de condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro. O grupo se reúne na orla de Copacabana, na Zona Sul, desde o fim da manhã. Em carro de som e diversas faixas e cartazes, os manifestantes se posicionam contra o presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal (STF). 
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A manifestação acontece às vésperas do fim do julgamento de Bolsonaro pelo STF, na próxima semana. Ele responde pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração do patrimônio tombado. Ao todo, a pena pode chegar a 46 anos de prisão. O ex-presidente, no entanto, nega todas as acusações. 
Além de Bolsonaro, são réus Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que participa do ato em Copacabana; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato à vice na chapa de 2022; e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. 
O senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, publicou um vídeo nas redes sociais vestindo uma camiseta com o rosto do pai e a frase "Bolsonaro 2026", afirmando que os apoiadores vão "mostrar pro mundo que defendem a liberdade". O parlamentar está no ato em Copacabana e em discurso, declarou que a manifestação é o "resgate do nosso Brasil" e que os participantes estavam "fazendo milagre" por PTistas vestirem camisas verde e amarelas.
O senador disse que as decisões do ministro Alexandre de Moraes contra o pai são como uma "segunda facada, em sua alma". A fala faz referência ao atentado sofrido durante a campanha presidencial de Bolsonaro, em 2018. Entretanto, destacou que o ex-presidente "vai encarar de frente a covardia" e "não vai fugir pulando muro, nem em porta-mala". O parlamentar ainda descreveu o julgamento como "uma farsa, um teatro, todo mundo já sabe o resultado". 
Também participam da manifestação os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), General Pazuello (PL-RJ), Carlos Jordy (PL-RJ) e Luiz Lima (Novo-RJ), entrou outros. O governador Cláudio Castro, que está no carro de som, puxou um coro de "eu não errei" e, após afirmar que o Rio de Janeiro é a favor do ex-presidente, fez o público repetir as palavras democracia, soberania e liberdade. Ele ainda declarou que Bolsonaro não cometeu crimes para estar em prisão domiciliar e incitou os manifestantes a cantarem "Bolsonaro inocentado".
"A democracia nada mais é do que respeitar a vontade do povo. O Estado democrático de direito é porque o poder emana do povo, não demanda da política. Quem é o patrão aqui? É o povo (...) A soberania é o lado que fala que aquele que está com o povo, ele é livre para fazer o ato que tiver que fazer. E a liberdade é a liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade de pensamento. Porque estou falando isso? Porque essa semana teremos uma semana definidora, será o julgamento do presidente. E antes de falar em anistia, porque anistia é o segundo passo, porque o primeiro passo que nós queremos aqui é Bolsonaro inocentado". 
No dia 4 de agosto, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão domiciliar do ex-presidente e restringiu a realização de visitas na casa dele, por entender que ele usou redes sociais de seus filhos para burlar a proibição. As medidas cautelares ocorreram no inquérito em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é investigado por atuar junto a Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo. Em março, o parlamentar pediu licença do mandato e foi morar nos Estados Unidos, alegando perseguição política. O ex-presidente é investigado por mandar recursos, via pix, para bancar a estadia do filho no exterior. 
A deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) reproduziu ao público um áudio atribuído à Michelle Bolsonaro, que aponta o julgamento do ex-presidente como uma "grande peça teatral, com enredo de perseguição e ilegalidades". A ex-primeira-dama também declarou que "juízes injustos serão derrotados" e que a prisão domiciliar se deu por "pura vingança". A mulher de Bolsonaro diz ainda que as condutas e ações dos bolsonaristas não são "contra a soberania", mas para "salvar o país da ditadura".
Aos apoiadores, o deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ) defendeu que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), paute "imediatamente" a anistia, e que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), precisa respeitar a maioria dos senadores e pautar o projeto na Casa, após uma eventual aprovação pelos deputados. O parlamentar justificou que a anistia não é contra o STF, mas um mecanismo que consta da Constituição. "Não somos nós que estamos inventando. Ou a Constituição vale ou não vale. Não é contra o Supremo Tribunal Federal, não é contra ninguém, é o que está na Constituição".
De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), por conta do ato, o trânsito na Avenida Atlântica está interditado entre a Rua Francisco Otaviano e a Rua Constante Ramos. Os motoristas devem seguir a rota alternativa pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Equipes da CET-Rio e Guarda Municipal atuam no local. Um helicóptero e viaturas da Polícia Militar acompanham a manifestação. 

 
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