Jaguar foi colunista do Jornal O DIAMarcio Mercante/Arquivo O Dia
Publicado 09/09/2025 10:36
Rio - Um trecho da Rua da Carioca, no Centro, ganhou um novo nome nesta terça-feira (9): Baixo Jaguar. A mudança, publicada no Diário Oficial do município, é uma homenagem ao cartunista Jaguar, ex-colunista do O DIA, que morreu aos 93 anos, em agosto.
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Assinado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD), o decreto considera a relevância cultural de Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, que nasceu no Estácio, na região central da cidade, em 1932. O cartunista marcou a vida artística e intelectual brasileira como desenhista, humorista e um dos fundadores do jornal O Pasquim, que se tornou símbolo de irreverência, resistência e identidade carioca.
A boêmia era outra característica marcante de Jaguar. Por isso, a escolha do lugar, que reúne diversos bares no Centro da cidade.
O trecho contemplado é entre a Avenida Passos e a Rua Uruguaiana. De acordo com o texto, o nome Baixo Jaguar será incorporado como designação complementar, preservada sua denominação oficial.
Carreira
Sérgio Jaguaribe morreu no dia 24 de agosto depois de ficar três semanas internado no Hospital Copa D'Or, em Copacabana, na Zona Sul, por causa de uma pneumonia. Seu quatro piorou e evoluiu para insuficiência renal. O velório aconteceu na capela celestial do Crematório Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária, e reuniu familiares e amigos, como Ruy Castro, Chico Caruso e outras personalidades.
Começou a sua carreira em 1952, ainda como funcionário do Banco do Brasil, ao publicar seus primeiros desenhos na revista Manchete, onde adotou o pseudônimo de Jaguar — sugestão do cartunista Borjalo.
Nos anos 1960, consolidou-se como um dos principais cartunistas brasileiros, publicando em revistas como Senhor, Semana, Civilização Brasileira, no semanário Pif-Paf, além dos jornais Última Hora e Tribuna da Imprensa.
Em 1969, foi um dos fundadores do semanário satírico O Pasquim, junto com Tarso de Castro e Sérgio Cabral. Jaguar foi o único do trio a permanecer até o fim da publicação, em 1991. Criou o ratinho Sig (abreviação de Sigmund Freud), que se tornou símbolo, mascote e mestre de cerimônias do periódico.
Durante a ditadura militar, o jornal enfrentou forte censura. Em 1970, a maior parte da redação foi presa após uma charge polêmica, inclusive Jaguar que ficou detido por três meses. Em 2008, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça o reconheceu, fazendo com que ele recebesse indenização de R$ 1 milhão, sendo a maior dentre os jornalistas anistiados.
Depois do fim de O Pasquim, trabalhou como editor no jornal A Notícia e, posteriormente, foi chargista, colunista, com a seção 'Boteco do Jaguar', e articulista no Jornal O DIA por mais de três décadas. Na redação da Rua Riachuelo, sempre esbanjava bom humor com os colegas.
Em 1968, lançou sua primeira coletânea de cartuns "Átila, você é bárbaro", que mais tarde foi relançada pela editora Sesi-SP, celebrada como uma "bíblia do cartunismo" por admiradores. Também publicou "Confesso que bebi (2001)" — obra que mistura memórias e um guia dos bares cariocas.
Além do cartum, Jaguar teve papel ativo no Rio: foi um dos idealizadores do bloco carnavalesco Banda de Ipanema (1964), que ajudou a reviver o carnaval de rua na cidade. Recebeu a Medalha Pedro Ernesto (1998), que devolveu em 2006 em protesto contra sua concessão a figuras controversas.
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