Corpo de Angela Ro Ro é velado no Crematório e Cemitério da Penitência, no CajuÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 09/09/2025 15:02 | Atualizado 10/09/2025 08:23
Rio - O corpo de Angela Ro Ro foi velado, na tarde desta terça-feira (9), no Crematório e Cemitério da Penitência, no Caju. A cerimônia, que aconteceu na capela Ecumênica I, teve início às 13h e ficou aberta ao público até as 16h. Em seguida, houve o sepultamento. A cantora e compositora morreu, nesta segunda-feira (8), aos 75 anos.
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Sem família conhecida, o velório de Angela reuniu os amigos mais próximos da artista. Vizinho e administrador dos bens e direitos da cantora há 20 anos, Fernando José Freitas narrou a luta de Ro Ro com sua saúde, já que ela ficou internada por quase três meses devido a uma infecção pulmonar grave.
"Ela tem uma trajetória musical e artística muito especial. Todo seu sistema de saúde foi ficando comprometido. Então, chegou o momento em que ela teve que ser internada para buscar uma possibilidade de recuperação. E os sistemas, principalmente a parte respiratória e a circulatória, estavam bastante debilitados. Tudo foi tentado e o hospital atendeu muitíssimo bem, todas as atenções foram prestadas, mas chegou o momento em que a despedida se fazia necessária, e foi o que aconteceu", lamentou Fernando.
O servidor público Felipe Pamplona, fã de Angela Ro Ro há 25 anos, exaltou a carreira da artista e relembrou os momentos de sua vida que foram embalados pelas músicas da cantora.
"Angela Ro Ro é uma das pessoas mais importantes na minha vida. A carreira e a vida dela representam muito não só para mim, mas para a cultura e para a arte brasileira. Todo mundo que de alguma forma se aproxima de mim, eu falo: cara, tu vai ser a fã da Angela Ro Ro. Eu e um grande amigo meu, ouviamos os discos quase que diariamente", conta Felipe.
Amigo e parceiro musical há 35 anos, Mac Cord celebrou a vida e carreira de Angela Ro Ro. "Ela tinha a alma de artista. Ela era uma das pessoas mais inteligentes que eu conheci. Era uma pessoa realmente inesquecível. Uma convivência incrível. Ela era sempre muito disciplinada com os shows. Fazia questão de dar o melhor de si e quando não dava, ficava bastante chateada, mas sempre querendo dar o melhor de si. É uma artista muito verdadeira. Íntegra à sua arte", afirmou
Dona de uma voz única, Angela Ro Ro se tornou um dos nomes mais singulares da música popular brasileira. Suas composições foram interpretadas por gigantes da música brasileira como Maria Bethânia — que imortalizou “Gota de Sangue” — além de Ney Matogrosso, Marina Lima, Simone e Zélia Duncan. A revista Rolling Stone Brasil incluiu seu álbum de estreia entre os maiores álbuns da música brasileira.
Angela Ro Ro foi uma das primeiras artistas brasileiras a se assumir publicamente lésbica, tornando-se uma voz pioneira no movimento LGBTQIA+ e enfrentando os títulos escandalosos da imprensa com coragem e autenticidade.
Desde 17 de junho, a artista estava internada Hospital Silvestre, no Cosme Velho, na Zona Sul. Lutando contra uma infecção pulmonar grave, ela passou por intubação e, em 5 de julho, foi submetida a uma traqueostomia e realizou sessões de diálise. Até que morreu na manhã desta segunda-feira (8).
"A Angela faleceu hoje pela manhã no hospital Silvestre onde estava internada por uma infecção contraída no próprio hospital. A sua única companheira de quatro anos está absolutamente consternada com o seu falecimento", informou Carlos Eduardo Lyrio, advogado da artista, por meio de nota: "Sobre a causa da morte, a cantora contraiu uma outra bactéria na UTI onde estava, eis que ela não estava totalmente isolada dos demais doentes", completa.
*Colaborou: Érica Martin
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