Celsinho deixou a prisão em 2022 (foto), voltou em maio deste ano e saiu novamente nesta segunda (15)Marcos Porto
Publicado 16/09/2025 16:29
Rio - O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, participou de entrevista coletiva nesta terça-feira (16) e criticou a decisão da Justiça de conceder prisão domiciliar a Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém. Fundador da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), ele deixou o Complexo de Gericinó, Zona Oeste, na segunda (15), ao ser beneficiado com a prisão domiciliar, mediante uso de tornozeleira eletrônica.
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“Nós já falamos exaustivamente sobre a nossa legislação, que é leniente. No Brasil, infelizmente, vale a pena entrar na fila do crime. E a gente vê um criminoso desse saindo pela porta da frente e gozando de um benefício de uma prisão domiciliar dentro de uma comunidade”, disse o secretário, ressaltando que Celsinho reside na localidade que carrega no nome, situada também na Zona Oeste.
"É até uma dificuldade fiscalizar se ele realmente está cumprindo as restrições devido à localização de sua residência", acrescentou.
Celsinho estava preso desde maio, quando foi alvo de uma operação da Polícia Civil na Zona Oeste. Segundo as investigações, ele estava se aliando a outras lideranças de grupos rivais para promover disputas territoriais e retomar comunidades de Santa Cruz, atualmente sob influência da milícia.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), a defesa de Celsinho entrou com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) alegando que o réu tem estado de saúde delicado, com graves enfermidades, e idade avançada. Sua presença também seria "imprescindível para os cuidados da mulher em estágio terminal de câncer metastático".
A decisão prevê que Celsinho poderá acompanhar a esposa no hospital, desde que use a tornozeleira e cumpra as seguintes medidas cautelares: comparecer a todos os atos do processo, sempre que intimado; manter atualizados endereço e telefone; e não ter contato com os demais réus e testemunhas do processo.
Victor Santos demonstrou insatisfação com a justificativa para a substituição de prisão preventiva para domiciliar: “Só do meu tempo de polícia, 30 anos atrás, ele já era traficante. E não acredito que tenha mudado de profissão só porque ele ou alguém da família passa por um problema de saúde”.
Histórico no crime
Celsinho da Vila Vintém é considerado um dos traficantes mais perigosos da década de 90. Preso há 20 anos, ele deixou o presídio em 2022. Além de tráfico de drogas, o criminoso responde por diversos crimes, como roubo a bancos e homicídios.

Criador da facção criminosa ADA, Celsinho tem um histórico de fugas em presídios. Preso pela primeira vez em 1994, ele fugiu da penitenciária Milton Dias Moreira, no Complexo de Gericinó, mas foi recapturado dois anos depois, por policiais militares, na comunidade que ele comandava.
Em 1998, o traficante conseguiu fugir novamente do sistema penitenciário após ser transferido para retirar uma bala alojada no braço direito no Hospital Penitenciário Fábio Maciel, na rua Frei Caneca, no Catumbi, Região Central do Rio. Ele não realizou a intervenção, e teria saído pela porta da frente da unidade, vestido com uma farda da PM.
Considerado um bandido sanguinário, Celsinho chegou a negociar a própria vida com Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, chefão do Comando Vermelho, durante rebelião no Complexo de Bangu em setembro de 2002. Na época, traficantes ligados ao chefe da facção Comando Vermelho teriam executado quatro chefes de grupos rivais. Ele teria conseguido se manter vivo alegando que passaria o controle de venda de drogas da Vila Vintém para a facção rival.
Em 2014, ele foi transferido para uma unidade federal após ser apontado como o idealizador - mesmo preso - de uma tentativa de resgate de internos no Fórum de Bangu, em 2013. Na ocasião, uma criança de 8 anos e um policial foram mortos.
Ele foi solto em 2022 após uma decisão da Justiça, que o concedeu o direito dele responder em liberdade pela invasão à Rocinha, no ano de 2017. Condenado a mais de 30 anos, o traficante chegou a obter a progressão do regime fechado para o semiaberto em janeiro de 2021, mas não tinha deixado a prisão devido ao histórico de fugas.
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