Publicado 29/09/2025 00:00 | Atualizado 29/09/2025 08:05
No próximo dia 5 de outubro, o Museu de Arte Moderna (MAM Rio) e os jardins do Aterro do Flamengo serão palco da segunda edição do FASA – Festival de Artes e Saberes das Águas, um encontro gratuito que celebra a água como fonte de cultura, memória e vida. O evento, reconhecido oficialmente pela ONU por sua contribuição aos objetivos da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, apresenta uma programação intensa que envolve música, feiras, oficinas, palestras e performances artísticas.
PublicidadeO festival acontece em um momento simbólico para a cidade. Pela primeira vez em décadas, as praias de Botafogo, Flamengo e Glória atingiram um avanço histórico de balneabilidade, de acordo com boletins recentes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A notícia atraiu banhistas para a Prainha da Glória, que se consolidou como alternativa aos tradicionais pontos de lazer da Zona Sul. A recuperação ambiental também tem se refletido na fauna: golfinhos voltaram a ser vistos na Baía de Guanabara, um marco que reforça a importância do debate proposto pelo FASA.
"O FASA nasce do encontro entre a poética das águas e os saberes coletivos que elas guardam. É um festival que reconhece a água como fonte de inspiração e como espelho da nossa identidade cultural. Rios, cachoeiras, lagos e mares se encontram na memória dos povos e desaguam em experiências artísticas compartilhadas", afirma Castellar.
Passeio pelas águas invisíveis do Aterro
A programação começa às 9h com o Passeio FASA, uma caminhada performática conduzida pelo arquiteto paisagista Eduardo Barra. Além de abordar o legado de Roberto Burle Marx, criador do projeto paisagístico do Aterro, Barra compartilha curiosidades sobre rios e corpos d’água desaparecidos da região:
"O FASA nasce do encontro entre a poética das águas e os saberes coletivos que elas guardam. É um festival que reconhece a água como fonte de inspiração e como espelho da nossa identidade cultural. Rios, cachoeiras, lagos e mares se encontram na memória dos povos e desaguam em experiências artísticas compartilhadas", afirma Castellar.
Passeio pelas águas invisíveis do Aterro
A programação começa às 9h com o Passeio FASA, uma caminhada performática conduzida pelo arquiteto paisagista Eduardo Barra. Além de abordar o legado de Roberto Burle Marx, criador do projeto paisagístico do Aterro, Barra compartilha curiosidades sobre rios e corpos d’água desaparecidos da região:
Rio Catete: corria pela atual Rua do Catete e desaguava na Praia do Russel; foi soterrado com a obra do Aterro, mas ainda se manifesta em enchentes nos dias de chuva;
Aqueduto da Carioca (Arcos da Lapa): inaugurado no século 18, desviou o Rio Carioca e secou lagoas e planícies, enfraquecendo o Rio Catete;
Lago vazio ao lado do MAM: esvaziado há 40–50 anos, hoje revela raízes expostas e camadas pouco conhecidas do terreno;
Aterro do Flamengo: um marco de urbanismo moderno, mas que apagou rios e ecossistemas ao criar um parque artificial sobre aterros;
Parque do Flamengo: pensado como solução de mobilidade entre Zona Norte e Zona Sul antes da construção dos túneis Santa Bárbara e Rebouças;
Paisagismo simbólico: o gramado em ondas remete ao mar e ao calçadão de Copacabana; as veredas de palmeiras evocam o Cerrado; e a aléia de palmeiras que 'liga o nada a lugar algum' traduz soluções ousadas para a época.
Durante o passeio, apresentações musicais e de dança transformam a experiência em um mergulho sensorial.
Oficinas, feiras e saberes artesanais
A partir das 11h, o Bloco Escola do MAM recebe o grupo Costurando Histórias, formado por mulheres que bordam e narram histórias reais e fictícias sobre mares e rios em tecidos, transformando memória em arte têxtil.
Das 12h às 19h, duas feiras ocupam os jardins do museu. A Junta Local reúne produtores gastronômicos com comidinhas que dialogam com o tema do festival. Já a Feira de Artesanato e Saberes das Águas traz artesãos de Paraty com trabalhos inspirados no universo aquático — incluindo cestarias tradicionais e biojoias feitas de escamas de peixes.
Também no Bloco Escola, acontecem oficinas com mestres da cultura popular:
13h às 14h: cestaria tradicional com Sueli Martins, artesã do Quilombo do Campinho da Independência.
14h15 às 15h15: confecção de adereços com escamas de tainha, com Andréa Garrido, de Paraty.
17h às 18h: oficina de danças populares com os Tambores de Olokun.
Música para celebrar a água
A música também será protagonista. Às 13h30, o cortejo dos Gigantes de Mangaratiba traz arte de rua com pernas de pau, teatro e dança pela orla. Às 15h, os Tambores de Olokun apresentam um espetáculo de maracatu e ritmos afro-brasileiros em homenagem aos orixás das águas.
Às 16h, no palco montado no Pilotis do MAM, os Canarinhos de Petrópolis apresentam um repertório com obras como É doce morrer no mar (Dorival Caymmi) e Chuá Chuá (Pedro de Sá Pereira). Já às 18h, o saxofonista Leo Gandelman sobe ao palco com seu quarteto para estrear a música inédita O Saber das Águas, composta especialmente para o festival, além de outros temas inspirados no mar e nos rios.
Reflexões sobre arte e sustentabilidade
No espaço FASA Reflexões, das 11h às 12h30, acontece a palestra 'As artes como forma de despertar a consciência ambiental', com participação de Leo Gandelman, do arquiteto Eduardo Barra e mediação de Pablo Castellar, idealizador do festival.
"O FASA é um gesto de escuta e pertencimento. Mais do que inspiração artística, desejamos que a água seja compreendida como patrimônio comum da humanidade — herança que recebemos e que precisamos proteger", afirma Castellar.
Um território em transformação
Se no passado a região viveu o soterramento de rios e lagoas para dar lugar ao Aterro, hoje testemunha a recuperação da balneabilidade e da biodiversidade. Ao escolher o MAM e o Flamengo como cenário, o FASA se conecta a essa narrativa: de apagamento hídrico à possibilidade de regeneração ambiental, sempre com a arte como mediadora.
Travessia pelo estado
Após a abertura no Rio, o festival segue viagem pelo litoral do Rio de Janeiro, investigando os saberes das águas de Mangaratiba (01/11) e Paraty (07 e 08/11). Nessas cidades, as atividades terão caráter comunitário e educativo, com destaque para concertos didáticos em escolas, feiras de artesanato, apresentações de grupos locais e debates sobre memória e meio ambiente.
"Nosso desejo é transformar cada espaço em território de diálogo — o museu, a rua, a praça, a escola. O FASA não se limita a um palco: ele se espalha como a água, irrigando a vida cotidiana das cidades", conclui Castellar.
FASA – Festival de Artes e Saberes das Águas 2025
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) e arredores
05 de outubro de 2025 (domingo), a partir das 9h
Programação gratuita – algumas oficinas e atividades exigem inscrição prévia
Mais informações: www.fasa.art.br
Aterro do Flamengo: um marco de urbanismo moderno, mas que apagou rios e ecossistemas ao criar um parque artificial sobre aterros;
Parque do Flamengo: pensado como solução de mobilidade entre Zona Norte e Zona Sul antes da construção dos túneis Santa Bárbara e Rebouças;
Paisagismo simbólico: o gramado em ondas remete ao mar e ao calçadão de Copacabana; as veredas de palmeiras evocam o Cerrado; e a aléia de palmeiras que 'liga o nada a lugar algum' traduz soluções ousadas para a época.
Durante o passeio, apresentações musicais e de dança transformam a experiência em um mergulho sensorial.
Oficinas, feiras e saberes artesanais
A partir das 11h, o Bloco Escola do MAM recebe o grupo Costurando Histórias, formado por mulheres que bordam e narram histórias reais e fictícias sobre mares e rios em tecidos, transformando memória em arte têxtil.
Das 12h às 19h, duas feiras ocupam os jardins do museu. A Junta Local reúne produtores gastronômicos com comidinhas que dialogam com o tema do festival. Já a Feira de Artesanato e Saberes das Águas traz artesãos de Paraty com trabalhos inspirados no universo aquático — incluindo cestarias tradicionais e biojoias feitas de escamas de peixes.
Também no Bloco Escola, acontecem oficinas com mestres da cultura popular:
13h às 14h: cestaria tradicional com Sueli Martins, artesã do Quilombo do Campinho da Independência.
14h15 às 15h15: confecção de adereços com escamas de tainha, com Andréa Garrido, de Paraty.
17h às 18h: oficina de danças populares com os Tambores de Olokun.
Música para celebrar a água
A música também será protagonista. Às 13h30, o cortejo dos Gigantes de Mangaratiba traz arte de rua com pernas de pau, teatro e dança pela orla. Às 15h, os Tambores de Olokun apresentam um espetáculo de maracatu e ritmos afro-brasileiros em homenagem aos orixás das águas.
Às 16h, no palco montado no Pilotis do MAM, os Canarinhos de Petrópolis apresentam um repertório com obras como É doce morrer no mar (Dorival Caymmi) e Chuá Chuá (Pedro de Sá Pereira). Já às 18h, o saxofonista Leo Gandelman sobe ao palco com seu quarteto para estrear a música inédita O Saber das Águas, composta especialmente para o festival, além de outros temas inspirados no mar e nos rios.
Reflexões sobre arte e sustentabilidade
No espaço FASA Reflexões, das 11h às 12h30, acontece a palestra 'As artes como forma de despertar a consciência ambiental', com participação de Leo Gandelman, do arquiteto Eduardo Barra e mediação de Pablo Castellar, idealizador do festival.
"O FASA é um gesto de escuta e pertencimento. Mais do que inspiração artística, desejamos que a água seja compreendida como patrimônio comum da humanidade — herança que recebemos e que precisamos proteger", afirma Castellar.
Um território em transformação
Se no passado a região viveu o soterramento de rios e lagoas para dar lugar ao Aterro, hoje testemunha a recuperação da balneabilidade e da biodiversidade. Ao escolher o MAM e o Flamengo como cenário, o FASA se conecta a essa narrativa: de apagamento hídrico à possibilidade de regeneração ambiental, sempre com a arte como mediadora.
Travessia pelo estado
Após a abertura no Rio, o festival segue viagem pelo litoral do Rio de Janeiro, investigando os saberes das águas de Mangaratiba (01/11) e Paraty (07 e 08/11). Nessas cidades, as atividades terão caráter comunitário e educativo, com destaque para concertos didáticos em escolas, feiras de artesanato, apresentações de grupos locais e debates sobre memória e meio ambiente.
"Nosso desejo é transformar cada espaço em território de diálogo — o museu, a rua, a praça, a escola. O FASA não se limita a um palco: ele se espalha como a água, irrigando a vida cotidiana das cidades", conclui Castellar.
FASA – Festival de Artes e Saberes das Águas 2025
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) e arredores
05 de outubro de 2025 (domingo), a partir das 9h
Programação gratuita – algumas oficinas e atividades exigem inscrição prévia
Mais informações: www.fasa.art.br
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