Publicado 01/10/2025 08:42
Rio - Quarenta crianças em tratamento contra o retinoblastoma — tipo raro de câncer ocular — foram atendidas em um mutirão de conscientização da doença, no Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), na Zona Portuária, nesta terça-feira (30).

A iniciativa, que integra o programa "Agora Tem Especialistas", do governo federal, busca reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias. A ação foi realizada em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), reforçando a campanha “De Olho nos Olhinhos”, criada por Tiago Leifert e Daiana Garbin, após descobrirem que sua filha Lua, de 4 anos, tem a doença. O objetivo é promover o diagnóstico precoce, que garante mais de 90% de chances de cura, muitas vezes com preservação da visão.

“O SUS oferece diagnóstico, tratamento e acompanhamento gratuitos para pacientes com retinoblastoma, com atendimento especializado nos centros de referência. Em caso de suspeita, a criança deve ser encaminhada imediatamente a um desses centros para avaliação e tratamento”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
400 casos a cada ano
O principal sinal da doença é um reflexo esbranquiçado ou brilhante na pupila, semelhante ao que aparece nos olhos de um gato quando iluminados à noite.

O retinoblastoma é o tumor intraocular maligno mais comum da infância. Sua incidência global é de aproximadamente um caso para cada 15 mil a 20 mil nascidos, o que representa cerca de 8 mil novos casos por ano no mundo. No Brasil, há uma expectativa de 400 novos casos a cada ano. Em geral, 90% dos diagnósticos ocorrem antes dos 5 anos, sendo metade dos casos antes dos 2 anos de idade.

“O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode incluir quimioterapia sistêmica ou intra-arterial, associada a terapias locais como laser, crioterapia ou braquiterapia”, explicou Clarissa Matosinho, chefe da oncologia ocular do Inca.

Já o médico oftalmologista Ian Curi, responsável pelo setor de Oftalmologia Pediátrica do HFSE, destacou a importância do mutirão. “Oferecemos uma avaliação oftalmológica geral, incluindo exames de refração e para medir a pressão intraocular. Esse acompanhamento é muito importante.”

O mutirão foi realizado pela primeira vez em 2024, oferecendo o cuidado especializado a 25 crianças.