Grupo Nós do Crochê, da Rocinha, é formado por mulheres que transformam o artesanato em ferramenta de empoderamento e independência econômicaDivulgação
Publicado 23/10/2025 20:18
Com iniciativas que unem criatividade, ciência e saberes locais, comunidades fluminenses vêm se transformando em laboratórios vivos de inovação social. Em diferentes territórios do estado, projetos apoiados pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) mostram que a produção de conhecimento vai muito além dos muros das universidades — está também nas vielas, nas associações de moradores, nos coletivos e nas mãos de quem transforma a realidade por meio da ciência.
Publicidade
Entre os principais instrumentos de fomento voltados para esse propósito está o Programa PISTA – Pesquisa, Inovação e Saberes nos Territórios de Ação, criado para fortalecer o diálogo entre o conhecimento acadêmico e as práticas que emergem das periferias. A iniciativa apoia projetos desenvolvidos por grupos e organizações comunitárias em parceria com instituições de ensino e pesquisa, incentivando soluções sustentáveis, geração de renda e protagonismo local.
Um dos exemplos é o grupo Nós do Crochê, da Rocinha, formado por mulheres que transformam o artesanato em ferramenta de empoderamento e independência econômica. Além de promover capacitação e inclusão produtiva, o projeto atua como espaço de acolhimento e troca de experiências, ampliando a presença feminina em ações de empreendedorismo social.
Outro destaque é o edital Espaço Inovador, que estimula a criação e a modernização de ambientes dedicados à ciência e à tecnologia em territórios populares. A proposta visa ampliar o acesso à pesquisa aplicada, fomentar o desenvolvimento de soluções criativas para desafios urbanos e fortalecer iniciativas voltadas à sustentabilidade e à melhoria da qualidade de vida nas comunidades.
Projetos como a Farmácia Viva Comunitária, no Complexo da Maré, dedicada à produção de fitoterápicos e cosméticos naturais, e o CirculArte, no Complexo do Alemão, que promove capacitação em costura e geração de renda para mulheres, exemplificam o impacto dessas políticas. Há ainda a Padaria em Container, que combina panificação e incubação de microempreendimentos, e o App de Educação Financeira, criado na Cidade de Deus, que utiliza tecnologia gamificada para orientar microempreendedores.
Essas iniciativas reforçam o compromisso da Faperj com políticas públicas de inclusão e democratização da ciência. Ao reconhecer o potencial das favelas e periferias como espaços de inovação, a Fundação consolida uma política de fomento voltada para a transformação social e o desenvolvimento sustentável do estado.
Com base em parcerias entre pesquisadores e comunidades, os programas voltados para os territórios de ação mostram que o futuro da ciência fluminense passa também pela força das ideias que nascem nas favelas — onde a criatividade e o conhecimento caminham lado a lado na construção de um Rio de Janeiro mais justo, diverso e inovador.
Leia mais