Transportes têm horário de pico antecipado em quatro horas Fred Vidal / Agência O Dia
Publicado 28/10/2025 19:13
Rio- O Rio de Janeiro viveu, nesta terça-feira (28), um dia de caos e medo para a população, após uma megaoperação policial que começou logo cedo nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. A ação resultou em 64 mortos, sendo dois policiais civis e dois agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Ao todo, 81 criminosos foram presos. O clima de insegurança generalizada forçou a antecipação da rotina de milhares de cariocas e fez com que os transportes ficassem lotados durante a tarde. 
Publicidade

"Peguei o metrô e estava super lotado. Não tem espaço nunca. É muito frustrante sair do trabalho e ter que passar por esse tipo de situação. Não conseguir nem concluir um dia de serviço em paz", desabafa Michelle, divulgadora de vendas, que trabalha em Copacabana e buscava chegar à Baixada Fluminense.

Yuri Germano, de 25 anos, é faxineiro de um prédio na rua das Laranjeiras, na Zona Sul, e mora no Complexo da Penha, onde aconteceu a operação. Ele saiu de casa às 5h20 da manhã e testemunhou o início do caos. "Quando eu abri a janela, já comecei a ver a fumaça preta. Era o fogo nas barricadas", relatou.

Apesar de ter conseguido chegar ao trabalho, a preocupação o acompanhou o dia todo. "Minha mãe me mandou mensagem: 'Yuri, vê se tem como você dormir no trabalho, porque não dá para vir para casa'. Eu tenho que sair no outro dia para vir trabalhar também, entende? Patrão entende, mas vai dar falta do mesmo jeito", lamentou.

Yuri mora com os pais e os irmãos no Complexo da Penha, mas planeja dormir na casa da esposa devido ao caos desta terça-feira. "Minha mãe, meu pai e meus irmãos, está todo mundo em casa. Todo mundo, ninguém saiu. Só eu consegui sair, porque eu saí 5h20 da manhã", contou. Ele também relatou a angústia de saber que a família estava passando no momento da megaoperação: "Nem fala, cara... Porque bala atravessa, né? Bala não tem destino. Ter até tem, né? Mas... Mas está todo mundo bem, graças a Deus", concluiu.

A cuidadora de idosos Valesca Toledo, de 41 anos, trabalha no Rio e mora em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ela soube da operação pela televisão e sentiu o impacto no trajeto.

"Influenciou sim. O metrô é muito cheio, mas o metrô e trem estão funcionando normalmente, só que muito lotado. Em Nova Iguaçu, o trajeto é bom, tem muitas viagens paradas e o trânsito é muito ruim", disse Valesca, que planejava pegar um trem e um ônibus para chegar em casa.
Segundo o Metrô Rio, as linhas 1, 2 e 4 operaram normalmente, com reforço na grade de trens para atender ao aumento de passageiros. O serviço de barcas também antecipou o embarque para dispersar o tumulto que se formou na Praça XV.
* Reportagem da estagiária Maria Clara Corrêa, colaborou Fred Vidal, sob supervisão de Raphael Perucci
Leia mais