Policiais federais cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão contra investigadosDivulgação / Polícia Federal
Publicado 30/10/2025 07:47
Rio - A Polícia Federal realizou, nesta quinta-feira (30), uma operação contra um grupo suspeito de fraudes em pensões e benefícios de servidores mortos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), incluindo ex-professores da instituição. Segundo as investigações, a quadrilha movimentou R$ 22 milhões em três anos. As equipes prenderam quatro pessoas e apreenderam R$ 300 mil em espécie e oito veículos de luxo.
Publicidade
As prisões ocorreram na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste; Inhoaíba, na Zona Oeste; Nilópolis, na Baixada Fluminense; e em Mogi da Cruzes, em São Paulo.
A Operação Capgras mira crimes de falsificação de documentos, estelionato contra ente público federal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em Mogi, as equipes localizaram um "escritório do crime", montado nos fundos da casa do principal alvo da operação. Os policiais encontraram uma estrutura com estações de trabalho e apreenderam computadores, arquivos, documentos, planilhas e anotações que revelam as práticas criminosas.
Já em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, foram encontrados joias, relógios de luxo, celulares, cofres, máquina de contar dinheiro e documentos.
Todo o material localizado nos endereços também foi apreendido. A PF ainda pediu o sequestro de bens dos investigados no valor de R$ 18 milhões.
Investigação
De acordo com a PF, os investigados movimentaram cerca de R$ 22 milhões entre os meses de janeiro de 2022 e dezembro de 2024. Os policiais apuraram que, durante o período, aconteceram golpes bancários e fraude em benefícios previdenciários. Parte dos recursos, inclusive, podem ter sido direcionados à pessoas ligadas à cúpula do Comando Vermelho.
A investigação revelou um complexo esquema de grandes movimentações financeiras, com utilização de laranjas e empresas de fachada para ocultar a origem e o destino dos valores, arrecadados ilegalmente. Ainda segundo a PF, os membros do grupo usavam documentos falsos para se passarem por familiares de ex-professores, enganando a UFRJ.
O inquérito policial se iniciou a partir de uma notícia-crime encaminhada por um pensionista da universidade após identificar que haviam habilitado outro beneficiário em sua pensão - uma pessoa inexistente que seria um filho da vítima em questão, segundo a documentação falsa apresentada – para dividir o valor a qual tinha direito.
Posteriormente, a própria instituição iniciou uma auditoria, na qual foram identificados inúmeros casos semelhantes envolvendo outros pensionistas. A PF estima um prejuízo de R$ 1,2 milhão para a UFRJ.
A corporação não descarta a hipótese de que outros órgãos públicos tenham sido vítimas da organização.

Os investigados poderão responder pelos crimes de falsificação de documento público, estelionato, uso de documento falso, lavagem de dinheiro e *organização criminosa. As investigações foram coordenadas pela Unidade de Investigações Sensíveis da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (UIS/Delefaz/PF/RJ), com o apoio do Núcleo de Identificação da PF no Rio de Janeiro (NID/PF/RJ).
Leia mais