Publicado 09/11/2025 10:29
Rio - Familiares e amigos se despedem, neste domingo (9), de Andrew Andrade do Amor Divino, de 29 anos. O jovem morreu ao ser baleado por um policial militar, quando desobedeceu a uma abordagem, nas proximidades do Complexo do Chapadão, na Pavuna, Zona Norte, na madrugada de sexta-feira (7). Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu. O corpo é velado desde 13h, no Cemitério de Ricardo Albuquerque, e será sepultado às 16h15.
PublicidadeSegundo a mulher da vítima, Andrew voltava de uma comemoração na Praça Nazeré, em Anchieta, em um carro com uma amiga. Ao chegaram à Avenida Chrisóstomo Pimentel, nas proximidades do Chapadão, onde ele morava, haviam viaturas da Polícia Militar paradas. Dayene Nicacio relata que o marido estava com os vidros fechados e o som alto e não ouviu a ordem de parada dos agentes. Ao desviar de um ônibus para entrar em uma rua que dava acesso à comunidade, foi alvo de tiros.
A Polícia Militar informou que equipes realizavam um patrulhamento na região e foram atacadas a tiros por criminosos em três motocicletas. "Na sequência, o condutor de um veículo, que não obedeceu a ordem de parada, avançou pelo cerco policial. Um dos agentes efetuou um disparo, vindo a ferir o motorista", disse a corporação. Dayene afirma que a vítima acabou atingida por um tiro de fuzil na nuca. O jovem chegou a ser levado pelos PMs ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, mas acabou morrendo.
A companheira lembra que ao chegar à unidade, os PMs confirmaram que ele não tinha antecedentes criminais, o carro que dirigia estava regular e o jovem tinha carteira de habilitação. "Meu marido era trabalhador, eu tenho como provar. Ele trabalhou como mototáxi, como entregador e agora estava trabalhando com conserto de telas de telefone (...) Tiraram a vida de um pai de família. Poderiam ter atirado no pneu, na lateral do carro, até no motor, poderiam fazer o carro capotar, mas eles atiraram para matar, porque quando você dá um tiro de fuzil (calibre) 762, você sabe o que vai acontecer".
Ainda de acordo com Dayene, um militar envolvido na ocorrência chegou a se desculpar no hospital. "Desculpa não vai trazer meu marido de volta. Eu estou com um filho de 28 dias hoje e um de 6 anos que toda hora me pergunta se foi 'polícia'. Eu não quero falar que foi, estou falando que foi um acidente, mas ele sabe que não foi. Como eu explico para uma criança? Não tem como", desabafou a mulher, que contou que o marido era o responsável pelo sustento da família, depois que ela ficou desempregado, por conta da gravidez.
Em uma publicação nas redes sociais na manhã deste domingo, horas antes do sepultamento, ela fez um desabafo emocionado pedindo por justiça. O casal estava junto há oito anos. "Eu estou sem chão, hoje é dia de enterrar o meu marido. Eu não tinha que estar passando por isso, meu filho não tinha que estar passando por isso. Meu filho não tinha que dar o último adeus ao pai dele. Eles (policiais) não tinham esse direito de tirar a vida dele assim. Eles acabaram com a minha família. Eu quero justiça pelo meu marido, eu vou até o fim. Nada vai trazer ele de volta, mas eu quero justiça", lamentou Dayenne, muito abalada.
De acordo com a PM, a corporação instaurou um procedimento interno para apurar as circunstâncias do caso, que foi registrado na 31ª DP (Ricardo de Albuquerque). A Polícia Civil informou que a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a morte de Andrew e diligências estão em andamento para apurar os fatos.
"O Andrew era um garoto nota mil, do riso fácil, do coração gigante. O que ele pudesse fazer para ajudar os outros, ele fazia. Sempre foi trabalhador, nunca se envolveu com nada, nunca deixou faltar nada para a nossa família. Era um ótimo pai, tudo o que podia, na medida do possível de pessoa pobre, ele fazia para agradar o filho, levava para brincar, sempre fez de tudo para o nosso filho. Nunca deixou meu aniversário passar em branco, fazia de tudo para me agradar. Ele era nota mil, não tenho palavras para o Andrew", descreveu Dayene.
Leia mais

Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.