Publicado 14/11/2025 06:59
Rio - As polícias Civil e Militar realizaram mais uma etapa da "Operação Contenção", nesta sexta-feira (14), para combater a expansão do Comando Vermelho nas localidades da Bacia do Éden, Castelinho e adjacências, no município de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ao todo, oito suspeitos foram presos. Entre eles, o vereador Marcos Aquino (Republicanos), detido em flagrante por porte ilegal de arma.
PublicidadeO parlamentar não era alvo da ação, mas chegou de carro ao local das buscas pelo seu irmão Luiz Aquino, um dos investigados por possível envolvimento com o núcleo da facção que atua na região e que ainda não foi localizado.
Com Marcos, além de uma pistola cal. 380 municiada, os agentes encontraram, dentro do veículo, caixas de medicamentos de uso controlado. Dentre eles estão: Fusor, antidepressivo; Zargos, antipsicótico; Frontlev, antiepilético; Algelive, antiinflamatório analgésico; e Totti, dor aguda.
Em depoimento, o vereador afirmou que o armamento seria de um suposto segurança, que ainda não se apresentou à polícia. Apesar disso, segundo o delegado adjunto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE) Paulo Saback, a arma não tem registro no sistema nacional. Após pagar fiança, Aquino foi liberado pelos policiais.
"O vereador alega que a arma pertence a um segurança da família que teria deixado com ele, esse suposto segurança não se apresentou. Então, estamos investigando a origem dessa arma, estamos realizando pesquisa no banco de dados. Mas mesmo que fosse, essa arma não poderia estar com ele. É um crime que cabe fiança, é uma arma de uso permitido e o vereador está sendo ouvido", explicou.
Saback esclareceu ainda como o parlamentar se apresentou aos policiais. "O imóvel pertence ao irmão dele, estávamos fazendo as buscas quando ele se apresentou como vereador interferindo, mas nosso trabalho é imparcial (...) Ele, talvez, querendo saber detalhes do que estava sendo realizado ali, utilizando do requisito de ser vereador, de ser parlamentar, mas o agente político, o agente público no geral, tem que ser o primeiro a dar o exemplo. Nosso objetivo é continuar trabalhando independente de quem quer que seja, e responsabilizar qualquer um que esteja envolvido com o narcotráfico", disse.
Sobre os remédios, Marcos não soube informar a origem e nem o destino. "Ele deu uma resposta vazia, disse que pertencia ao irmão dele, mas não soube dizer a origem. Vamos investigar a origem, o lote, para tentar rastrear de onde veio e o destino", reforçou o delegado.
A DRE aguarda ainda o resultado da perícia dos remédios para determinar se o vereador responderá por outros crimes. "Vamos apurar a origem e o objetivo, isso vai ser objeto de investigação criminal. A investigação não era direcionada a ele, era o irmão, Luiz Aquino, que não foi localizado. Conseguimos apreender grande material de entorpecentes, as investigações vão prosseguir", reafirmou Saback.
Participaram da operação equipes da DRE, Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Ao todo, os agentes pretendiam cumprir 33 mandados de busca e apreensao e 16 de prisão temporária. Dentre os detidos, quatro foram em flagrante, além disso, duas pistolas e drogas acabaram apreendidas.
Participaram da operação equipes da DRE, Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Ao todo, os agentes pretendiam cumprir 33 mandados de busca e apreensao e 16 de prisão temporária. Dentre os detidos, quatro foram em flagrante, além disso, duas pistolas e drogas acabaram apreendidas.
As investigações, desenvolvidas durante 11 meses, demonstraram que o Comando Vermelho movimentou cerca de R$ 30 milhões na região durante este período.
"As informações das nossas investigações é que ali havia um núcleo da organização, que vinham realizando a expansão do território com barricadas, exploração de diversos serviços essenciais e também o narcotráfico", frisou o delegado.
Dentre os objetivos da ação, está a contenção do avanço territorial da organização criminosa, prisão de integrantes já identificados, arrecadação de novas provas, identificação de patrimônios ilícitos para posterior bloqueio judicial, assim como apreensão de drogas, armamentos e remoção de barricadas.
Marcos Henrique Matos de Aquino, 35 anos, conhecido como Marquinhos Aquino, foi o vereador mais votado de São João de Meriti na última eleição. Casado e pai de uma menina, ele é formado em Direito e serviu ao Exército por oito anos.
Em nota, a defesa Marcos Aquino afirmou que os fatos "carecem de fundamento jurídico e revelam evidente caráter arbitrário. A equipe ainda reforçou que o vereador não era alvo de nenhum mandado e compareceu na residência ao saber por vizinhos que a polícia estava entrando na casa onde ele passou sua infância.
"Durante a revista do veículo, os policiais encontraram uma arma esquecida por um amigo policial militar, que o acompanhou no dia anterior. Diante disso, os agentes, cumprindo protocolo, conduziram o vereador até a delegacia, onde ele foi bem tratado, prestou todos os esclarecimentos e se colocou à disposição da polícia e do Poder Judiciário e em seguida foi liberado. Tentativas de vincular o vereador a condutas criminosas configuram perseguição política", escreveu a defesa do parlamentar nas redes sociais.
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