Publicado 20/11/2025 15:27
Rio - Um casal de mulheres foi vítima de ofensas homofóbicas enquanto pela Rua Visconde de Ouro Preto, em Botafogo, na Zona Sul, na última terça-feira (18). De acordo com relato das vítimas, elas dividiam um guarda-chuva quando um taxista desceu do carro e começou a gritar xingamentos como “filha do capeta” e “prostituta”.
Ao DIA, Bruna Saavedra contou que ela e Anna Carolina Rodrigues estavam indo para a primeira reunião para dar início ao processo de adoção, por volta das 17h40, quando foram atacadas pelo homem.
“A gente estava na calçada. Não estávamos fazendo nada, mas como o tempo estava instável e estávamos apenas com um guarda-chuva, a gente estava andando abraçada. De repente, o taxista começou a falar um monte de coisa. No início, achamos que não era com a gente e seguimos nosso caminho”, disse ela.
De acordo com Bruna, as duas tentaram continuar andando, mas o homem começou a gritar cada vez mais alto enquanto apontava para elas. Mesmo sem dar atenção, o taxista continuou a despejar xingamentos.
“Ele insistiu e saiu do carro. Ele ficou em pé, do lado da porta e continuou a gritar coisas para a gente. No nervosismo, nem entendemos o que ele estava gritando. A gente começou a questionar ele, perguntando o que ele estava falando. Foi aí que ele ficou gritando mais coisas religiosas: ‘vocês vão para o inferno’, ‘filha do capeta’, e algumas coisas políticas também, como: ‘por isso que o Brasil não vai para frente’ e alguma coisa de comunismo”, relatou.
Foi então que Anna pediu o celular e começou a gravar o ataque. Segundo elas, o homem não se intimidou em momento algum e chegou a dizer que elas poderiam filmar. “Ele não se intimidou com o fato de estar sendo filmado. Ele continuou falando. A Anna perguntou para ele: ‘Por que você está falando isso?’ Foi aí que ele falou o que está no vídeo: ‘Porque vocês são lésbicas, homossexuais’", narrou.
PublicidadeAo DIA, Bruna Saavedra contou que ela e Anna Carolina Rodrigues estavam indo para a primeira reunião para dar início ao processo de adoção, por volta das 17h40, quando foram atacadas pelo homem.
“A gente estava na calçada. Não estávamos fazendo nada, mas como o tempo estava instável e estávamos apenas com um guarda-chuva, a gente estava andando abraçada. De repente, o taxista começou a falar um monte de coisa. No início, achamos que não era com a gente e seguimos nosso caminho”, disse ela.
De acordo com Bruna, as duas tentaram continuar andando, mas o homem começou a gritar cada vez mais alto enquanto apontava para elas. Mesmo sem dar atenção, o taxista continuou a despejar xingamentos.
“Ele insistiu e saiu do carro. Ele ficou em pé, do lado da porta e continuou a gritar coisas para a gente. No nervosismo, nem entendemos o que ele estava gritando. A gente começou a questionar ele, perguntando o que ele estava falando. Foi aí que ele ficou gritando mais coisas religiosas: ‘vocês vão para o inferno’, ‘filha do capeta’, e algumas coisas políticas também, como: ‘por isso que o Brasil não vai para frente’ e alguma coisa de comunismo”, relatou.
Foi então que Anna pediu o celular e começou a gravar o ataque. Segundo elas, o homem não se intimidou em momento algum e chegou a dizer que elas poderiam filmar. “Ele não se intimidou com o fato de estar sendo filmado. Ele continuou falando. A Anna perguntou para ele: ‘Por que você está falando isso?’ Foi aí que ele falou o que está no vídeo: ‘Porque vocês são lésbicas, homossexuais’", narrou.
Bruna contou que ficou muito nervosa com a situação, chorando e tremendo muito. Com medo de que o homem fizesse algo mais grave, Anna, que havia ido para a frente do carro para gravar a placa, saiu da direção do veículo.
“Do jeito que ele estava, ele estava fora de si, poderia ter uma violência. A gente não sabe como são as pessoas. Tinha gente andando, porque era um horário de pico, estava bem movimentado e ninguém fez nada. O taxista chegou a causar mais trânsito, porque ele parava o carro e saía no meio da rua para falar isso”, afirmou.
Segundo Bruna, o homem apenas parou de gritar com elas quando algumas mulheres de um salão de beleza viram que ela estava nervosa e ofereceram uma água. “Quando a gente entrou para tomar uma água e foi que ele seguiu o caminho dele, mas até então, enquanto a gente estava na rua, andando na calçada, ele ficou xingando a gente”, lamentou.
Para elas, o momento era especial. Casadas desde 2022, o casal estava a caminho da primeira reunião para dar início ao processo de adoção. De acordo com Anna, a princípio o compromisso seria um segredo entre elas, mas as duas precisaram contar para a família depois de tudo o que aconteceu.
“Antes disso acontecer, eu tinha acabado de abraçar a Bruna debaixo do guarda-chuva e falar: ‘Poxa, é a nossa primeira reunião de adoção’. E isso aconteceu. Foi exatamente logo depois. É um absurdo. Era o nosso momento e o cara simplesmente achou de bom tom parar o carro e começar a gritar com a gente”, contou Anna.
Assim que pararam em um lugar seguro, elas ligaram para a polícia e relataram o ocorrido. As duas foram orientadas a procurar qualquer delegacia para registrar a ocorrência. Como moram na Tijuca, decidiram ir à unidade da região.
Foi então que o delegado deu a orientação de que registrassem pela internet, para que facilitasse o processo e a ocorrência fosse direto para a 10ªDP (Botafogo). Por meio de nota, a Polícia Civil informou que o caso foi registrado na delegacia on-line. O autor do ataque ainda não foi identificado e a investigação está em andamento para ouvir as vítimas e colher as imagens dos fatos.
“Eu só espero que isso não aconteça novamente. Essa pessoa, ele é taxista, eu fico imaginando que se a gente estivesse dentro daquele táxi, o que ele era capaz de fazer. Já se passaram dois dias, tem uma placa, diversas pessoas já vieram falar com a gente. Não é possível que a polícia não consegue achar esse cara. Isso é um crime. O que me deixa mais triste é a pessoa achar que vai ficar impune e achar que tem o direito de ofender os outros simplesmente por elas existirem. Isso me deixa muito, muito triste mesmo”, lamentou Bruna.
Desde junho de 2019, a homofobia é crime no Brasil. Na ocasião, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que atos de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero devem ser enquadrados na Lei do Racismo (7.716/1989), com pena de 1 a 3 anos e multa, com agravante caso o crime seja feito por meios de comunicação ou publicação.
“Do jeito que ele estava, ele estava fora de si, poderia ter uma violência. A gente não sabe como são as pessoas. Tinha gente andando, porque era um horário de pico, estava bem movimentado e ninguém fez nada. O taxista chegou a causar mais trânsito, porque ele parava o carro e saía no meio da rua para falar isso”, afirmou.
Segundo Bruna, o homem apenas parou de gritar com elas quando algumas mulheres de um salão de beleza viram que ela estava nervosa e ofereceram uma água. “Quando a gente entrou para tomar uma água e foi que ele seguiu o caminho dele, mas até então, enquanto a gente estava na rua, andando na calçada, ele ficou xingando a gente”, lamentou.
Para elas, o momento era especial. Casadas desde 2022, o casal estava a caminho da primeira reunião para dar início ao processo de adoção. De acordo com Anna, a princípio o compromisso seria um segredo entre elas, mas as duas precisaram contar para a família depois de tudo o que aconteceu.
“Antes disso acontecer, eu tinha acabado de abraçar a Bruna debaixo do guarda-chuva e falar: ‘Poxa, é a nossa primeira reunião de adoção’. E isso aconteceu. Foi exatamente logo depois. É um absurdo. Era o nosso momento e o cara simplesmente achou de bom tom parar o carro e começar a gritar com a gente”, contou Anna.
Assim que pararam em um lugar seguro, elas ligaram para a polícia e relataram o ocorrido. As duas foram orientadas a procurar qualquer delegacia para registrar a ocorrência. Como moram na Tijuca, decidiram ir à unidade da região.
Foi então que o delegado deu a orientação de que registrassem pela internet, para que facilitasse o processo e a ocorrência fosse direto para a 10ªDP (Botafogo). Por meio de nota, a Polícia Civil informou que o caso foi registrado na delegacia on-line. O autor do ataque ainda não foi identificado e a investigação está em andamento para ouvir as vítimas e colher as imagens dos fatos.
“Eu só espero que isso não aconteça novamente. Essa pessoa, ele é taxista, eu fico imaginando que se a gente estivesse dentro daquele táxi, o que ele era capaz de fazer. Já se passaram dois dias, tem uma placa, diversas pessoas já vieram falar com a gente. Não é possível que a polícia não consegue achar esse cara. Isso é um crime. O que me deixa mais triste é a pessoa achar que vai ficar impune e achar que tem o direito de ofender os outros simplesmente por elas existirem. Isso me deixa muito, muito triste mesmo”, lamentou Bruna.
Desde junho de 2019, a homofobia é crime no Brasil. Na ocasião, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que atos de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero devem ser enquadrados na Lei do Racismo (7.716/1989), com pena de 1 a 3 anos e multa, com agravante caso o crime seja feito por meios de comunicação ou publicação.
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