Publicado 27/11/2025 17:52 | Atualizado 27/11/2025 19:36
Rio – Além de mensagens religiosas e ensinamentos de Deus, Cláudio Correia da Silva, de 52 anos, também propagava intimidação e terror por áreas no entorno da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense. Conhecido como Pastor Cláudio, o homem estava preso desde o início do mês por integrar um grupo criminoso responsável por uma série de extorsões contra empresários do polo industrial. Nesta quinta-feira (27), foi cumprido mandado de prisão contra ele na operação Refinaria Livre.
PublicidadeDe acordo com investigações conjuntas entre Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), da Baixada Fluminense (DRE-BF) e 60ª DP (Campos Elíseos), Pastor Cláudio atuava como intermediador nas ações de coação. Inicialmente, ele se apresentava nas corporações como um líder comunitário e religioso, já que realizava cultos na região, mas em seguida cobrava valores mensais a mando de Joab da Conceição Silva, líder da quadrilha, chefe do tráfico de drogas local e integrante da facção Comando Vermelho - que segue foragido.
Caso rejeitassem a cobrança, as vítimas ouviam ameaças de incêndio de caminhões, agressões a funcionários, interrupção violenta das atividades produtivas e impedimento de acesso às instalações industriais.
Além disso, Pastor Cláudio - que tinha ambições políticas ao vislumbrar uma candidatura a vereador em Caxias - citava a proibição de permanência de caminhões nos pátios, imposição de contratação de moradores específicos, ligados aos traficantes, e oferta de “mediação” para evitar represálias.
Na ocasião em que foi preso, em Betim (MG), o homem - que já vinha afastado da igreja à qual havia se vinculado - transportava uma pistola e seis granadas artesanais, além de munições e valores em espécie. Ele admitiu ter levado os artefatos de Caxias para ações de intimidação e suspensão de serviços na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. O objetivo era seguir um “movimento grevista” organizado por sindicatos ligados ao grupo criminoso.
No mesmo veículo, estava o presidente de uma associação de empresas de transporte de combustível, o que, segundo a Polícia Civil, demonstra a participação de sindicatos e entidades formais na estrutura criminosa.
Ainda conforme apurado pela corporação, os explosivos no automóvel evidenciam a maneira de atuar da quadrilha, com ameaças a empresas e trabalhadores a partir de atentados, inclusive oferecendo risco ao transporte nacional de combustíveis.
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