Publicado 09/12/2025 09:43
Rio - Um policial civil e um militar foram presos, nesta terça-feira (9), em uma ação contra uma milícia de Belford Roxo e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A Operação Golden Head prendeu o agente Jaime Rubem Provençano, o PM Gilmar Carneiro dos Santos e outras três pessoas, bem como cumpriu seis mandados de prisão em presídios. As buscas aconteceram nos dois municípios, em Jacarepaguá e Barra da Tijuca, Zona Sudoeste. Dois alvos seguem foragidos.
PublicidadeA Operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) foi realizada com apoio das corregedorias da Polícias Civil e Militar e os 13 alvos denunciados à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa por constituição de milícia privada. Entre eles, o agente Jaime, que à época dos crimes era da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), e o PM, conhecido como "Professor Gilmar", então lotado no 39º BPM (Belford Roxo).
De acordo com o Gaeco, o policial civil e um líder da milícia foram presos nas próprias casas, em Jacarepaguá e na Barra, respectivamente. Diego dos Santos Souza, o "Cabeça de Ouro", tentou fugir pela varanda da residência, mas acabou detido. O MPRJ não informou onde ocorreu a prisão do PM. Os agentes ainda prenderam outros três investigados nesta terça-feira e seis criminosos que já estavam na cadeia.
As investigações apontam que Jaime e Gilmar vazaram informações sobre ações e apoiavam atividades da quadrilha. O grupo extorquia comerciantes e mototaxistas e há registros de torturas, execuções e disputas territoriais. Os crimes ocorreram nos bairros Wona, Lote XV e Vale das Mangueiras, em Belford Roxo, e Pantanal, em Caxias. A milícia é liderada por Diego e Carlos Adriano Pereira Evaristo, o "Carlinhos da Padaria", que comandava as ações da prisão.
A cobrança era gerenciada por Angelo Adriano de Jesus Guarany, o "Magrinho", responsável por articular a comunicação entre os líderes presos e os cobradores nas ruas. Os promotores reuniram provas sobre a existência de controle financeiro, prestação de contas e ordens transmitidas por mensagens, bem como disputas armadas com rivais, registros de traições, coações de integrantes e planejamento de ataques.
"A investigação se iniciou a partir da análise de dados de aparelhos celulares de alguns denunciados que foram presos em flagrante no início desse ano, quando realizavam extorsão de comerciantes nos bairros Wona e Lote XV (...) Foram analisadas as conversas, identificados os demais integrantes dessa milícia, inclusive um policial civil, que realizava vazamento de operações para os demais integrantes, bem como o policial militar, que se encarregava de invadir determinadas comunidades lideradas pelo tráfico, com a tentativa de executar traficantes de drogas", explicou o promotor de Justiça, Eduardo Fonseca.
Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil informou que participa com o Ministério Público da operação e que mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos contra o agente. As diligências estão em andamento. Procurada, a Polícia Militar informou que a Corregedoria da corporação acompanhou a ação que prendeu o PM, atualmente cedido à Secretaria de Governo do Estado. Após a prisão, Gilmar será encaminhado à Unidade Prisional da PM, em Niterói, Região Metropolitana.
"O policial será submetido a um procedimento administrativo disciplinar, cujo objetivo é avaliar a possibilidade de sua permanência nos quadros da Corporação. O comando da Corporação reitera que não compactua com possíveis desvios de conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos quando os fatos são constatados", completou a PM.
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