Depois de anos como advogado, Miguel Tavares enveredou para a atuaçãoDivulgação
Publicado 21/12/2025 00:00 | Atualizado 21/12/2025 18:26
Quem nunca quis mudar de vida, mas não tem nem ideia por onde começar? Quando chega o Ano Novo essas reflexões vêm à tona. Afinal, todo sabemos que se transformar ou dar a virada de chave como se diz atualmente não é tarefa das mais fáceis, seja na vida pessoal, profissional e espiritual. É claro que as transformações são possíveis como falam a estrategista comportamental Raquel Coutto, o psicólogo André Machado, a especialista em Gestão de Recursos Humanos e Mentora de Carreira, Viviane Peba, e  o mestre em Gestão de Negócios e especialista em Desenvolvimento Humano e CEO da Etalent,Jorge Matos, mas é preciso ficar atento.Um bom exemplo de transformação profissional é Miguel Tavares, que deixou a carreira de advogado trabalhista um pouco adormecida para enveredar no mundo das artes e não se arrepende. Não é todo mundo, porém, que tem a coragem do Miguel. Muita gente precisa de passos para sair da estagnação e de fortalecimento da mentalidade por meio de pequenas ações executadas com constância.
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"Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Essa frase, de autoria desconhecida, e repetida à exaustão na internet, pode ser de grande valia para empreendedores, líderes corporativos e toda a sorte de profissionais que acreditam que podem deixar de patinar e obter melhores resultados sem mudarem drasticamente suas mentalidades.
Pequenas ações, grandes mudanças
Raquel Coutto,  treinadora, mentora, estrategista comportamental e autora do livro Efeito 1%: como pequenas ações executadas geram grandes transformações, ressalta que transformar a mentalidade é fundamental para conseguir progredir na vida.
Já o psicólogo, mestre e doutor pela PUC André Machado pondera e diz que tudo pode ser feito de forma cautelosa. "2026 não precisa ser apenas mais um ano na sua história. Pode ser o ano em que você, em dezembro, vai olhar para trás e pensar: Quem era aquela pessoa de janeiro? Nem parece eu."
O especialista conta que o segredo não está em força de vontade heroica, nem em listas gigantescas de resoluções, mas em entender uma coisa simples: o cérebro muda devagar, mas muda com certeza quando a gente para de brigar com ele e começa a conversar no idioma que ele entende.
"Escolha uma única mudança que realmente importe para você. Só uma. Pode ser acordar meia hora mais cedo, caminhar todo dia, ler dez páginas antes de dormir, escrever um pequeno texto, meditar dez minutos ou simplesmente não pegar no celular na primeira hora do dia. Uma coisa pequena o bastante para caber na vida real, grande o bastante para fazer diferença quando repetida trezentas e poucas vezes"
Machado afirma que é bom criar gatilhos para fazer o que se deseja."Deixe o tênis ao lado da cama, o livro em cima do celular, garrafa d’água já cheia na mesa. O cérebro adora sinais claros; quanto mais automático o começo, maior a chance de continuar", diz o profissional.
Especialista em Gestão de Recursos Humanos e Mentora de Carreira, Viviane Peba conta que essa época do ano é comum nos depararmos com as listas das promessas para o próximo ano e também frustrações por não ter conseguido realizar todas. "Em 2026 eu vou... e segue uma infinidade de desejos que a pessoa guarda e que, muitas vezes, vem se amontoando ano após anos.
Festeje cada conquista
A especialista mostra como transformar a lista de promessas em Mapa de Realização: "Comece definindo as metas seguindo o método SMART (Específicas, Mensuráveis, Alcançáveis, Relevantes e com Prazo definido). Em vez de 'Quero uma promoção', defina: 'Vou obter a certificação X até junho e liderar o projeto Y, buscando a promoção até o final do terceiro trimestre.. Essa clareza transforma um sonho vago em um projeto com etapas claras, eliminando a paralisia do "por onde começar".
Ela afirma que é preciso festejar cada conquista. "Celebre! A cada etapa, "microvitória" alcançada, se reconheça. Assim você renova as energias e alegria para seguir com o plano inicial. Revise mensalmente, pois é no dia a dia, na consistência de pequenas ações que a Transformação Real acontece’’.
'Chamado interno para transição de carreira'

E foco é o que não falta para Miguel Tavares, que aos 44 anos resolveu se reinventar e deixar um pouco de lado a carreira sólida de advogado trabalhista para enveredar e conquistar o seu sonho: o de ser ator. Atualmente ele pode ser visto como o bicheiro Roberto da série 'Os Donos do Jogo', de autoria de Heitor Dhalia, Bernardo Barcellos, e Bruno Passeri, da Netflix. Ano que vem, Miguel estreará no Centro de Cultura da Justiça Federal, no Rio de Janeiro, a peça Fim de Tarde, do autor e diretor Marcelo Aquino, ao lado da atriz Larissa Maciel.

"Senti um chamado interno para uma transição de carreira com saúde, sabe. Eu estou com 50 anos agora. Então quero poder curtir a minha vida com uma profissão que me revigora. Cansado de tantos anos no Direito, resolvi fazer essa transição e estou apaixonado pela atuação. Eu nasci como ator no Rio e me transformei como ator no Rio de Janeiro", diz ele, que é do Sul e veio para a Cidade Maravilhosa há seis anos.
Há um ano se formou na Escola de Atores Wolf Maya e está feliz. Além da série da Netflix, o ator participou das novelas Garota do Momento e Volta por Cima e atuou em alguns filmes. Miguel conta que a dualidade entre sua vida profissional como advogado e interpretar um bicheiro na série foi um grande desafio.
"Tive que fazer algo muito diferente da minha persona e fui buscar em alguns clássicos do cinema para ver como é que era essa vivência. É desafiador também conhecer um mundo totalmente carioca. Esse personagem eu tomei como um desafio pessoal e estudei muito para fazer essas cenas, para manter a verdade desse papel" , diz ele que relembra as coincidências de ter feito um segurança envolvido com jogo do bicho em A Volta por Cima.
E para 2026, Miguel quer mais. Mudou um pouco seu físico e deixou o cabelo crescer. "Agora o meu cabelo está bem alto e me dá várias possibilidades de casting, de fazer desde um médico a um executivo, um engenheiro e outros personagens. Também tenho muita vontade de fazer uma novela inteira, sendo um pai de família como antagonista ou um vilão ou um sedutor. Outra vontade minha é atuar no cinema", afirma ele, que também atuou na Websérie A Vida Secreta do meu Marido Milionário e na série Xeque-Mate, dedicada a adolescentes e à população LGBTQIAPN +.
Para sua transformação, Miguel Tavares - que tem 3 filhos e a cachorrinha vira-lata Kai de Lourdes, que adotou, - contou com a força da esposa Sheila, com quem vive há oito anos e também é advogada. A torcida é que no próximo ano, Miguel também possa ser visto na segunda temporada de Os Donos do Jogo, ainda sem data definida.
'Estou no caminho certo'

Além da atuação, ele tem outra paixão – o mar. Miguel nada de 3 a 4 mil metros e também surfa nas horas vagas. Indagado se está feliz com sua transição de carreira, ele afirma que sim. "Acho que estou no caminho certo, venho construindo essa transformação. Me formei no curso do Wolf e já abocanhei alguns papeis. Então acho que está indo muito bem a minha carreira. O Miguel tem tudo para furar a bolha, para chegar num patamar de escalão interessante. Sabe por quê? Eu estudo muito, todos os dias mesmo não tendo papel, eu me dedico. Sei o quanto é séria a profissão", diz ele, que tem uma frase em seu Instagram que pode definir o seu rumo. "O sucesso e a felicidade são atraídos pela coragem".

Passos para a caminhada
A estrategista Raquel Coutto transforma estagnação em progresso contínuo com o método Efeito 1%. Palestrante internacional, mentora e especialista em performance sustentável, ela ajuda líderes, empreendedores e organizações a construírem hábitos estratégicos para grandes resultados.
Visando ao fortalecimento da mentalidade, por meio de pequenas ações executadas com constância, sugere seis passos. São eles: análise (reconhecimento da própria história); afirmação (aceitação das barreiras para decidir como enfrentá-las); aprendizado (habilitação para dar preparo a ação); ações (realização de pequenas atitudes diárias com persistência); apoio (fortalecimento de rede de pessoas para amparar decisões e mudanças); e ajustes (revisão das ações para mudança de rota ou valorização das conquistas).

Passo 1 - Análise
"Todos nós temos uma história e tivemos que passar por ela, tomando decisões certas ou erradas, para chegarmos ao ponto em que nos encontramos hoje", diz Raquel. Segundo ela, reconhecer a própria trajetória, assumindo a responsabilidade por seus desdobramentos e pela narrativa construída até o momento presente, é essencial para uma transformação.
Nesse sentido, sugere encarar situações mal resolvidas, usando a lógica (seu eu de ontem era diferente do seu eu atual) e transformando isso em critérios de ação no presente. A mentora e treinadora recomenda não ficar preso ao passado, mas ressignificar e trazer aprendizados para definir a rota atual.

Passo 2 - Afirmação
Depois de se debruçar sobre o passado, observando a própria história e atestando como ela o forjou, o indivíduo que busca a mudança de mentalidade e comportamento deve voltar-se para o presente, analisando barreiras de mentalidade levantadas ao longo de sua trajetória que o estão impedindo, hoje, muitas vezes de forma inconsciente, de realizar seus sonhos.
Tal investigação, comenta a mentora e treinadora, deve ater-se a dois pontos específicos: crenças sabotadoras e ambientes que influenciam negativamente. "Essa análise é fundamental para que você possa assumir uma postura de enfrentamento e tomar decisões de mudança", garante.

Passo 3 - Aprendizado
Desenvolver novas habilidades-chave e melhorar as existentes é fundamental para concretizar as decisões que se acabou de tomar a fim de alterar as crenças limitantes identificadas após o passo do autoconhecimento.
"Para isso, é importante saber com quais capacidades, competências, qualidades pretende se fortalecer nesse processo de mudança, ressaltando que uma boa parcela daquilo que se quer conquistar já temos dentro de nós (é só saber utilizar)",  diz a estrategista comportamental.
Segundo ela, muitas competências que adquirimos ao longo da vida podem ter ficado adormecidas por conta de dores, frustrações e traumas. Para resgatá-las, Raquel sugere refletir acerca de vitórias do passado, pinçando as habilidades que foram necessárias para obtê-las.

Passo 4 - Ações

Munido das habilidades necessárias, parte-se para ação, que deve ser executada com planejamento, a fim de que se crie consistência. "O indivíduo deve centrar sua atenção na realização de metas, colocando em prática pequenos passos diários, fundamentais para resultar em mudanças que possam ser sustentadas em longo prazo", afirma Raquel.
Para executar bem é necessário definir prioridades; elucidar metas; ter clareza em relação ao objetivo maior; e tratar o real problema em vez do sintoma.

Passo 5 - Apoio

O caminho para mudança é árduo e pode ser bastante solitário. Com o intuito de angariar forças para superar os desafios do trajeto, é bastante recomendável, conforme a estrategista comportamental, cercar-se de pessoas de confiança dispostas a contribuir de variadas formas com a sua caminhada.
"Busque grupos que estejam na mesma direção que a sua, com objetivos semelhantes aos seus, para que haja incentivo mútuo. Escolha mentores para orientar sobre as melhores escolhas, alertar sobre as duvidosas, e, sobretudo, não deixar que você desista diante do primeiro revés" , aconselha.
O segredo aqui, diz Raquel, é transitar pelos grupos com a expectativa adequada, entendendo seus pontos cegos e buscando feedbacks construtivos.

Passo 6 - Ajustes
Um processo de mudança, baseado em pequenas ações diárias que levam a um progresso gradual e constante, necessita de revisão periódica para saber em qual aspecto não se está evoluindo e buscar a correção antes que a dificuldade cresça, afirma Raquel.
De acordo com  a profissional, existem várias maneiras de acompanhar a execução do plano de ação e realizar os ajustes necessários.
A estrategista comportamental recomenda quatro modos: ser coerente e realista, para facilitar o alcance de metas; monitorar o progresso semanal, para refletir, reforçar objetivos e obter elementos concretos visando decidir os próximos passos; treinar a visualização positiva, integrando mente e emoções, a fim de se motivar; e estabelecer critérios para medições parciais.  Ação fundamental para aferir o progresso quando os objetivos que desejam ser alcançados são mais subjetivos.
Sapo na água quente
Para o especialista Jorge Matos quem quer fazer uma transição na carreira pode optar por vários caminhos. "Primeiro, faça uma análise profunda do contexto atual, identificando desafios e oportunidades, mercados, concorrência, relacionamentos, principais problemas encontrados, questões críticas a serem superadas, disponibilidade de vagas, requisitos e habilidades exigidas. Num segundo momento, faça uma retrospectiva do passado: quais melhores experiências, cases de sucesso, atividades que o deixaram mais feliz, melhores resultados, habilidades pelas quais é reconhecido, e quais suas principais competências comportamentais e habilidades adquiridas. A terceira etapa consiste em criar pelo menos três cenas de futuro: o cenário mais otimista. Se tudo der certo, o que vai acontecer e como vai comemorar. Se der mais ou menos, como consegue ajustar o percurso? E se tudo der errado, qual será o paraquedas de emergência que vai usar, incluindo o financeiro'', diz o profissional, afirmando que nem todo mundo identifica a hora de mudar.

"A maioria das pessoas, infelizmente, funciona como o sapo na água quente. A água vai aquecendo devagar e ao longo do tempo e o sapo morre sem perceber. Quais os sinais: Começam as pressões por diminuição dos salários, diminuição de demanda, alterações na modelagem de trabalho, novas tecnologias, perda de benefícios, mudanças de eixos industriais para regiões ou países ou mesmo eliminação, congelamento de contratação, diminuição da importância na hierarquia da empresas, redução de custos, eliminação de áreas, atividades que são repetitivas ou de fácil robotização. Enfim, tudo aquilo que seja passível de AI e robotização será eliminação", pontua.

Ele afirma também que o individuo também pode sentir que chegou  a hora de mudar quando ele não enxerga mais prazer, não sente mais propósito, não se sente energizado, não o estimula, não o faz sentir que estar deixando um legado, quando percebe que não esta construindo algo para sociedade ou mesmo para si ou para sua família e seu futuro.
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