Casa do Papai Noel ilumina São GonçaloArquivo Pessoal
Publicado 19/12/2025 12:20 | Atualizado 19/12/2025 14:12
Rio - Conhecida há 18 anos como "Casa do Papai Noel", a residência localizada na Avenida Joaquim de Oliveira, no bairro Boa Vista, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, transborda a magia do Natal. Para os moradores, a social media Tairine de Abreu, 29 anos, e o servidor público Matheus Vieira, 29, a decoração representa muito mais que apenas enfeites, mas momentos de união em família.
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Segundo o casal, a tradição começou com o pai de Tairine, Carlos Augusto de Abreu, de 61 anos, que se inspirou nas ruas e prédios enfeitados da cidade vizinha, Niterói, em 2007.

"Todo ano a gente ia lá passear e ele falou assim: 'Vou começar a fazer isso lá em casa'. Aí ele pegou inspiração nas ruas, nos prédios, nas casas de Niterói e começou a fazer aqui. A gente era bem pequeno, eu nem conhecia o Matheus ainda. Ele falava que, quando era criança, sempre passava aqui com os pais dele e via a casa. Eu cresci assim, aí vieram meus sobrinhos e vamos seguindo", diz Tairine.

A decoração é feita por toda a família e conta especialmente com a ajuda de Carlos, que atualmente mora em Maricá, também na Região Metropolitana.

"Cada ano a gente pensa em algo diferente, o ideal mesmo é ter algo na parte da frente, para as crianças passarem e tirarem fotos. O meu pai começava a planejar lá para junho/julho, porque ele sempre faz com material reciclável, ele começava a pegar as coisas na rua, para poder montar, a gente que deixa um pouquinho mais pra cima de hora, esse ano começamos em setembro", explica a social media.

Neste ano, a frente da casa conta com um trenzinho com Papai Noel, mas já teve trenó, renas, carros e até avião. "Aquele Papai Noel já tem bastante tempo, ele é só um corpo, um molde, com ferrinho e botinha. Ele é um papai noel que a gente reutilizou, daqueles que dança, mas que ficou ruim, aí meu pai reformou e mantivemos o corpinho dele", detalha.

O casal revelou ainda que passou um tempo em Manaus, retornando em novembro de 2024, para fazer a tradicional decoração. Em todos esses 18 anos, apenas uma única vez a casa não foi enfeitada, devido ao falecimento da avó de Tairine.

"Nós passamos um tempo em Manaus, os pais dela foram morar em Maricá, e quando a gente voltou no ano passado, nós falamos: 'Não vamos deixar essa tradição morrer' A casa ficou um tempo vazia e a nossa intenção era sempre que chegar o final do ano, decorar. Em 2024, chegamos no final de novembro, não teve tempo de organizar muita coisa, mas mesmo assim nós fizemos, esse ano já tivemos um pouco mais de tempo para trabalhar", afirma Matheus.

Em imagens compartilhadas com O DIA, a família mostrou o momento da montagem, desde a ideia saindo do papel a pintura dos objetos.

"Meu pai fez junto com o Matheus e meu irmão o trenzinho, a gente compra as coisas, leva pra Maricá, e ele começa a fazer o esboço lá, faz a solda e toda a parte mais difícil, que ele tem as máquinas. Depois vem todo mundo pra cá e montamos juntos. Então, de qualquer forma ele participa ainda", ressalta.

Matheus acrescentou também que a ajuda do sogro é fundamental para manter a tradição. "Mesmo longe, a ajuda dele continua sendo essencial, porque ele era o cabeça de tudo, hoje ele tá lá longe, mas a gente junta todo mundo e vamos lá fazer", frisa.

Orgulho de morar na "Casa do Papai Noel"

A residência é identificada no próprio Google como "Casa do Papai Noel". Segundo Tairine, na época da infância, as crianças sempre ficavam entusiasmadas quando ela contava onde morava.

"Na época da escola, quando perguntavam onde eu morava, eu falava que morava na casa do Papai Noel. Quando eu conheci o Matheus na escola, ele falou: 'Eu não acredito que você mora na casa do Papai Noel'. Aí quando ele veio falar com meu pai, ele falava: 'Eu não acredito que estou na casa do Papai Noel'", narra Tairine.

Segundo Matheus, a casa é um ponto de referência no bairro e as pessoas ficam curiosas até mesmo para saber como é o interior. "As pessoas acham que aqui dentro é como se fosse uma fábrica de Natal", brinca.

Tairine contou ainda que uma das lembranças felizes que têm dessa época do ano foi quando o pai dela criou uma caixa de Correios para que as crianças pudessem enviar seus pedidos.

"Teve criança que pediu cesta básica e presente bobinho pra gente assim, aí a gente selecionou uma criança, cada um comprou um presente e fomos lá entregar. Era uma família bem carente e a criança ficou muito feliz, foi uma história que a gente viveu muito emocionante", lembra.

Representação do Natal

Para o casal, o Natal é sinônimo do nascimento de Jesus, da família, união, amor, paz e o estar junto.

"Como eu vim de um berço evangélico, o principal do Natal pra mim sempre vai vir da história de Jesus Cristo, mas a gente também atribui esse momento à comunhão, união com a família. Eu acho que é o feriado mais importante do ano, em que a família está junto. Existem outros feriados, mas eu acho que o Natal é o momento do ano que a gente une a família, que a gente esquece aquelas brigas e intrigas, é o momento de união mesmo", reforça Matheus.

Questionado sobre o movimento ao entorno da casa, Mateus explicou que já foi maior, mas que a decoração ainda encanta quem passa pela região.

"Antigamente, o pessoal dava mais valor para essa questão do Natal e parece que com o tempo isso foi se perdendo, mas a gente ainda consegue ver algumas pessoas vindo, parando e tirando foto, como tem câmera a gente consegue ver. O lado ruim é que tem algumas pessoas que passam bêbados e mexem, mas a maioria das pessoas ainda param aqui por bem e por gostar do Natal", diz.

Sobre seguir com a tradição, o casal informou que o futuro é incerto, mas que enquanto estiveram na casa, pretendem seguir fazendo os enfeites. "É uma incógnita se ainda vamos continuar fazendo, porque não é certo a gente ficar aqui, mas se ficarmos, a intenção é manter a tradição, mas se a gente não for ficar, a decoração vai ficar a cargo da próxima pessoa que for morar na casa", finaliza.
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