Todos os corredores e amadores queriam fazer o melhor na pistaDivulgação
Publicado 26/12/2025 00:00
Com um investimento de R$ 5 milhões, cerca de 300 pessoas envolvidas na produção e 5.300 espectadores ao longo de oito horas de duração, o Desafio Jota Racing agitou a cidade de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, no dia 19 de dezembro, no Speedway Music Park. O evento fez tanto sucesso, que já estão previstas edições pelo Brasil, inclusive no Rio de Janeiro, que agora, três décadas após e morte de Ayrton Senna, deve voltar ao cenário automobilístico nacional em razão da inauguração do novo autódromo do Rio, na Zona Oeste, prevista para 2028.Idealizado pelo piloto e campeão brasileiro de drift Jonathan Neves, o JJ, o Desafio Jota Racing propôs uma fusão entre automobilismo e entretenimento ao reunir desafios entre categorias como Nascar, Drift, Endurance e Fórmula, com pilotos profissionais, artistas e influenciadores. Além das corridas e da luta de boxe, o público teve acesso a simuladores, áreas de realidade virtual, ativações de marcas, food trucks, e ao Camarote Hollywood.

Em um momento de crescimento do turismo em Santa Catarina, a volta de Popó aos holofotes reforçou Balneário Camboriú como palco de grandes espetáculos e marcou um capítulo singular na trajetória de um dos maiores nomes do boxe brasileiro. JJ ficou satisfeito com o resultado.
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"Estou muito feliz pelo resultado do evento, por ter dado tudo certo. São muitos meses para chegar até aqui, muito suor, muita gente envolvida. Eu faço questão de acompanhar de perto, os mínimos detalhes e tirei um peso de uma tonelada das costas (pelo evento ter dado certo). A reação do público mostra que todo mundo gostou e nós também. Nossa intenção é evoluir. Agora, é planejar as próximas edições", comemorou JJ, que falou da intenção de estar em São Paulo e no Rio de Janeiro, ainda sem data definida, já que os eventos automobilísticos estão voltando a ter espaço na Cidade Maravilhosa.

O Desafio foi desenhado para ser um espetáculo de contraste e velocidade. "Reunimos 32 carros convidados de universos completamente diferentes para duelos improváveis que você só veria em jogos de videogame. Foi possível assistir um carro de Nascar desafiando um de Drift ou uma Ferrari de rua acelerando contra máquinas preparadas", acrescentou o idealizador do Desafio Jota Racing.
"O grid não é feito apenas de profissionais. Trouxemos artistas, influenciadores e, o mais especial: amadores. Demos a chance para aquele apaixonado por carros, que nunca teve a oportunidade de correr, estar lá na pista", pontuou.

Popó retorna aos ringues

A luta de Popó - que perdera a mãe no sábado anterior ao evento, mas fez questão de honrar seu compromisso - se consolidou como um dos momentos mais aguardados da programação. Ele fez uma luta exibição contra um adversário local, Jean Romanel, sem clima de tensão, e justamente por isso funcionou.
O público pôde acompanhar Popó medir distância, brincar com a guarda, soltar jabs controlados e alternar sorrisos entre um golpe e outro. 

Era espetáculo, mas com técnica suficiente para lembrar por qual motivo ele fez história no boxe mundial. "Vai ser um prazer fazer algo que sempre fiz em ginásios, hotéis ou cassinos nos Estados Unidos, agora, em uma pista de corrida. Isso nunca aconteceu na minha vida. Vai ser a primeira vez", afirmou Popó, empolgado, horas antes de subir na arena. A luta acabou empatada.

Empoderamento feminino no Drifit

Com apenas 17 anos, Valentina Piaz já é um nome histórico no automobilismo brasileiro e é claro participou do Desafio Jota Racing mostrando todo seu potencial. Enquanto a maioria dos jovens da sua idade sonha com a primeira habilitação para dirigir nas ruas, ela já domina pistas profissionais e queima pneus em manobras de precisão que desafiam a gravidade. A paixão pela velocidade começou cedo, influenciada pelo pai. "Meu pai sempre foi envolvido no meio. Comecei na moto com apenas 5 anos fazendo trilha", conta.

Filha única, ela não se intimidou com o ambiente masculino, seguiu os passos do pai, e foi das duas para as quatro rodas. A virada de chave aconteceu aos 11 anos, quando começou a fazer drift e hoje a jovem é uma precursora. "Existem muitas mulheres começando, mas correndo o profissional brasileiro, hoje, sou só eu", ressalta.

Para Valentina é um grande desafio ser mulher em um meio majoritariamente masculino. Ela destaca ainda a importância do posicionamento e do apoio familiar:
"Eu não sofro com machismo ou cantadas invasivas. Acho que o fato de os meus pais estarem sempre presentes ajuda muito, mas também o meu posicionamento. Eu sei dar limites e me comportar como uma mulher nesse meio. Acabo servindo de inspiração para outras meninas", afirma.
Embora já pilote máquinas potentes em ambientes controlados, a jovem ainda enfrenta uma curiosa ironia: não pode dirigir na rua pois só completa 18 anos em 4 de setembro de 2026. Recentemente, ganhou uma BMW M2 de um patrocinador, o que aumentou sua ansiedade para finalmente conquistar a CNH.
Além de se consolidar no Drift, Valentina afirma que pretende experimentar outras categorias como o automobilismo de circuito.
Ela se sente orgulhosa em ter aberto portas para o público jovem e feminino e dá um recado para quem também pretende ingressar neste mundo de adrenalina e velocidade. "Nunca desistam dos seus sonhos. O começo é sempre difícil, nunca vai ser fácil. Mas as dificuldades são importantes para você ter histórias para contar lá na frente.", pontua.

Rio tem uma das maiores promessas do Drift brasileiro

Em maio de 2026, o Parque Olímpico , na Barra da Tijuca, sediará o Drift Rio 4 - maior evento de Automobilismo do estado do Rio. A expectativa é que o número de participantes seja ainda maior do que a terceira edição, que registrou a presença de 30 mil pessoas, em novembro passado, que assistiram disputas de Drift e arrancada, além de exposição de carros novos e usados, tirolesa e 'carona radical' com pilotos nos carros de drift.

Entre as principais atrações do evento estarão pilotos renomados do cenário nacional do drift e também novos talentos, como Natan Gomes, de 16 anos, nascido e criado em Madureira , na Zona Norte. Atualmente, ele é o piloto mais novo de drift do Rio de Janeiro e em 2026 vai estrear no Ultimate Drift (campeonato brasileiro da modalidade).

"Fico feliz por poder, hoje, correr ao lado de pilotos do qual sou fã. É a realização de um sonho", diz Natan, que estava no Desafio Jota Racing, no Sul do país, e conversou com a equipe de reportagem do DIA.  Aos 9 anos, ele começou a aprender a dirigir carros, na garagem da empresa de veículos de turismo cujo pai é dono, em Madureira. "Comecei a dirigir bem cedo, incentivado pelo meu pai. Eu manobrava os carros e ali fui desenvolvendo essa paixão por carros e velocidade", conta Natan, com sorriso tímido, típico da adolescência.

O pai e grande incentivador, o empresário Jailson Bento da Anunciação, vibra a cada conquista do filho, e diz que o maior desafio hoje na carreira do prodígio é a parte financeira. "Nesse início de carreira, por ele estar começando, tudo é mais difícil. Estamos buscando patrocinadores, até já temos alguns, mas por enquanto a maior parte das despesas é comigo. Mas depois tenho certeza que vai melhorar, pois ele tem muito talento e é focado", explica o 'paitrocinador', que em 2024 viajou com a família para os Estados Unidos e pôde proporcionar a Natan pilotar alguns carros de Drift na terra do Tio Sam.

"Eu gosto de acompanhá-lo nas competições, nos treinamentos, dou conselhos... A gente conversa muito. Como é o sonho dele viver do automobilismo, eu faço a minha parte, que é incentivar ao máximo", diz Jailson.

Natan costuma treinar em média duas horas por dia no simulador de corridas e ajustar o carro (sim, ele também é mecânico) aos sábados, entretanto, na reta final da preparação o esforço aumenta. "Quando chega perto das competições eu dobro as horas no simulador e passo a mexer no carro todos os dias, à noite, para não atrapalhar os estudos", diz o piloto, que é aluno do 1º ano do Ensino Médio.

Futuro no automobilismo
Natan lembra que a paixão pelo Drift começou aos 13 anos, e de lá para cá, só aumenta. Sonhos? Sim, ele tem: crescer na profissão e disputar os principais campeonatos de Drift no Brasil e no mundo. "Quero competir no Brasileiro (Ultimate Drift) e estou me preparando para isso tecnicamente e até mesmo analisando possibilidades de carros", revela o atleta, que hoje arrasa nas pistas diante do volante de dois chevettes, o principal fabricado em 1989, que tem 400 cavalos de potência e é totalmente adaptado para as competições.

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Drift é uma técnica de direção utilizada em carros, consiste em deslizar nas curvas escapando a traseira, girar o volante para que as rodas dianteiras estejam sempre em uma direção oposta a curva (se o carro vira para a direita então a roda deve estar a esquerda, e vice versa), controlando o nível de derrapagem, fazendo o carro literalmente andar de lado.
O drift moderno teve início no All Japan Touring Car Championship races há 48 anos e o criador da técnica foi o piloto Kunimitsu Takahashi em 1970. Ele ficou famoso batendo seu 'apex' (o ponto onde o carro está mais perto da curva) em alta velocidade e derrapando na curva, saindo da curva com mais velocidade que o normal.
Depois dessa façanha ele ganhou uma legião de fãs que deram início ao drift japonês.Um corredor de rua chamado Keiichi Tsuchiya ficou particularmente interessado no drift de Takahashi, e passou a praticar suas técnicas de drift nas montanhas do Japão. No Brasil, o drift chegou em 2006, impulsionado pelo filme "Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio" e jogos de videogame.
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