Família de Jambo passou a deixá-lo em um cômodo fechado durante queima de fogosArquivo pessoal
Publicado 29/12/2025 19:37 | Atualizado 30/12/2025 09:40
Rio - A virada de ano é sempre muito aguardada e celebrada pelos humanos. A data, no entanto, pode ser sinal de medo e estrese para outros animais. O veterinário Pedro Risolia explicou ao DIA que cães e gatos têm a audição mais sensível e, por isso, os rojões podem gerar uma série de malefícios. Além de desconforto e pânico, há casos que o estampido funciona como um gatilho para fugas e acidentes, uma vez que os pets interpretam como perigo.
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Risolia instrui que o tutor deve estar presente para que o animal se sinta mais seguro. "A principal orientação caso o pet tenha medo de fogos é a presença do tutor, o contato com um responsável pode proporcionar o sentimento de segurança, além de garantir a procura por auxílio em reações graves e adversas. Em caso de ausência, um profissional pode prover bem-estar ao pet, uma tendência na alta temporada e em períodos de férias como o fim de ano. A Petlove registra um aumento de 60% nos serviços de hospedagem e serviços semelhantes em momentos como este", explicou.
O veterinário aponta outras importantes medidas, como oferecer elementos para distração e deixar o cômodo totalmente fechado. Este funciona tanto para abafar o som dos fogos quanto impedir que os pets fujam ao sentirem medo.
"Existem outras medidas essenciais como preparar um espaço com janelas e portas fechadas, capaz de evitar fugas e acidentes, além de abafar os ruídos dos estampidos, assim como a inclusão de músicas calmas no momento da soltura. O enriquecimento ambiental também pode descentralizar a atenção do pet, ofereça elementos do gênero como brinquedos e petiscos favoritos. Por fim, ainda pode ser possível consultar um veterinário para que o profissional possa avaliar as individualidades do animal e verificar a necessidade de medicamentos, além de retirar dúvidas e trazer outras recomendações", destacou Risolia.
Um levantamento realizado pela Petlove, que promove a campanha 'Chega de Fogos', indicou 84% dos animais têm medo dos rojões. Além disso, dois a cada três tutores ou veterinários ouvidos pela pesquisa conhecem pets que já fugiram por causa do barulho. Os profissionais destacam que seus pequenos pacientes chegam aos consultórios com taquicardia e sinais de estresse fisiológico. Em outros casos, tiveram lesões graves provocadas pela agitação ou até mesmo vômito e diarréia. 
O vira-lata Jambo, de 5 anos, mora com outros cinco gatos na casa da jornalista Ilana Madeira, de 28 anos, que o resgatou em meados de 2021, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Descrito pela tutora como 'super carinhoso e muito agitado', o cão mostrou sinais de medo com fogos de artifício ainda pequeno.
"Eu estava em casa com o Jambo, acho que tinha algum jogo rolando e soltaram fogos. Ele foi direto para debaixo da mesa e ficou chorando, todo encolhido. Temporal, chuva, trovão, ele morre de medo também. A respiração dele fica muito ofegante e ele fica se tremendo inteiro", contou Ilana.
Como forma de amenizar os transtornos sofridos por Jambo, a família passou a deixá-lo mais confortável em um cômodo fechado. A jornalista ainda coloca algum som de fundo, como ventilador ou ar-condicionado, para abafar o barulho externo.
"A gente começou a botá-lo no quarto junto com a gente, fechar as portas e as janelas, ligar o ar-condicionado para fazer um 'barulho branco'... Tentar amenizar isso e deixá-lo confortável dentro de casa. Todo fim de ano é assim. Meu avô já não pula mais réveillon, então ele fica com o Jambo e os gatos dentro do quarto. Fica todo mundo bem, eles dormem tranquilamente", relatou.
Na cidade do Rio de Janeiro, fogos com estampido acima de dez decibéis são proibidos e há previsão de multa entre R$ 200 e R$ 1,2 mil para quem descumpre a lei.
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