Publicado 12/01/2026 00:00 | Atualizado 12/01/2026 07:15
E as férias tão sonhadas de verão chegaram, o que é muito bom, principalmente para os estudantes que podem aproveitar uma praia, piscina, viajar, brincar com os amigos e mais muito mais. O problema é que a brincadeira, atualmente, esbarra num aparelho muito pequeno, que nem todo mundo quer abrir mão: o celular. Seja para ficar nas redes sociais ou para jogar, o fato é que o telefone móvel veio para ficar e pode, várias vezes, virar um estorvo na vida das famílias. E afinal, como os pais devem fazer para que seus filhos aproveitem as férias, sem abrir mão totalmente do celular, mas que ele não seja uma parte acoplada ao corpo? fotogaleria
A tarefa é árdua, mas possível. Até porque o uso excessivo de telas pode interferir na atenção, no sono e até no comportamento das crianças como afirma a neurologista infantil, Roberta Machado. Por isso, as férias são uma excelente oportunidade para desacelerar, fortalecer os vínculos familiares e estimular o desenvolvimento infantil de forma mais saudável.
Publicidade"Uma boa alternativa é assistir filmes em família. Mais do que entretenimento, esse momento pode ser muito rico. Quando os pais escolhem filmes adequados à idade e conversam com a criança sobre a história, os personagens e as emoções envolvidas, estão estimulando a linguagem, a memória, a empatia e o senso crítico", diz ela, acrescentando que o equilíbrio é sempre a chave. "Menos telas e mais presença ajudam a construir férias mais saudáveis, afetivas e cheias de boas memórias para toda a família", pontua.
Combinados ajudam
De acordo com a fonoaudióloga Leticia Sena, durante as férias, é comum que as telas acabem ocupando mais espaço na rotina das crianças. "O segredo para reduzir esse tempo não é proibir, e sim substituir. Quando oferecemos opções interessantes — como brincar ao ar livre, desenhar, montar jogos, cozinhar juntos ou inventar histórias — a tela deixa de ser a única fonte de diversão. Criança precisa de estímulos reais, movimento e interação para se desenvolver bem", analisa.
A profissional orienta criar uma rotina flexível de férias. "Não precisa ser rígida como a da escola, mas ter alguns combinados ajuda bastante: horários sem tela (como nas refeições e antes de dormir) e momentos específicos em que ela pode ser usada. Quando a criança sabe o que esperar, as birras diminuem e a convivência fica mais leve", afirma.
De acordo com Sena, deve-se ter atenção ao uso das telas porque a fala da criança não se desenvolve sozinha, ela nasce da interação com pessoas reais. É na conversa, no olhar, na brincadeira compartilhada e na troca com adultos e outras crianças que o cérebro aprende a se comunicar. Quando a tela ocupa esse tempo, a criança fala menos, escuta menos e tem menos oportunidades de aprender novas palavras.
De acordo com Sena, deve-se ter atenção ao uso das telas porque a fala da criança não se desenvolve sozinha, ela nasce da interação com pessoas reais. É na conversa, no olhar, na brincadeira compartilhada e na troca com adultos e outras crianças que o cérebro aprende a se comunicar. Quando a tela ocupa esse tempo, a criança fala menos, escuta menos e tem menos oportunidades de aprender novas palavras.
"Isso não significa que a tela seja uma vilã absoluta. Ela pode até ser usada com equilíbrio, desde que seja por pouco tempo, com conteúdo adequado e controlado pelos pais e, principalmente, com um adulto junto, conversando sobre o que está sendo visto ou imitando uma coreografia ou cantando uma música que está tocando, junto com a criança", explica.
Alívio e custo emocional
A psicóloga Anastácia Barbosa afirma que, de vez em quando, o uso do celular até ajuda os pais, mas é necessário prestar atenção se os filhos exagerarem. "Como mãe, eu entendo o alívio que a tela traz em alguns momentos. Como psicóloga, vejo o custo emocional quando ela ocupa o lugar da presença. A criança precisa mais de olhar, de voz e de tempo compartilhado do que de estímulos constantes. Nas férias, a tela costuma virar solução para o cansaço dos adultos. Mas é justamente nesse tempo que a criança pode viver o tédio, que não é vazio: é espaço para criar, brincar e elaborar emoções", conta.
"Quando o celular acalma rápido demais, ele não ensina a criança a lidar com o desconforto. A criança aprende a silenciar o incômodo, não a compreender o que sente. Como mãe, percebo que quando estou verdadeiramente disponível, a tela perde força. Como psicóloga, sei que não é o aparelho em si que marca, mas o lugar que ele ocupa na relação", diz ela, mãe de Artur Brum Costa, de 16 anos, e Joaquim Boaventura, de 5.
Ajuste nos horários
Para dar mais atenção aos filhos, a cirurgiã dentista, especialista em harmonização facial, Thais Moura, ajustou seus horários para ter mais tempo livre com eles. "Meus filhos são super ativos. Então nas férias eu, por ser profissional liberal, ajustei meus horários. Investi em passeios em regiões litorâneas mas também fiz coisas como adaptar meu quintal para eles jogarem futebol, atividades na piscina e também estamos fazendo rodízios de jogos! Sempre que temos oportunidade, também reunimos os amigos para aumentar o grupo e as brincadeiras ficam ainda mais animadas’’, disse a profissional que tem dois filhos, Marcelo, de 10 anos, e Benício, de 7.
Segredo está no equilíbrio
Quem também responde a pergunta dos pais de como manter as crianças e adolescentes estimulados sem transformar o período de descanso em uma extensão da sala de aula é Filipe Couto, diretor Pedagógico Geral do Colégio pH. Segundo ele, o segredo está justamente em equilibrar descanso, experiências reais e estímulos significativos que ampliem o repertório, sem cair na tentação de 'escolarizar' as férias. "Não é necessário ter medo de que a criança ‘perca o que aprendeu, Pelo contrário: o cérebro precisa de pausas e de outros estímulos para consolidar os aprendizados", explica o diretor.
"Ao longo das férias, experiências concretas reforçam o que foi aprendido ao longo do ano. Se a turma estudou plantas, uma visita ao Jardim Botânico pode aprofundar o conteúdo; se discutiu escravidão, um passeio ao Cais do Valongo é uma boa dica de programação e amplia sentidos; e se leu um livro marcante, por exemplo, uma ida à biblioteca fortalece o hábito", enfatiza.
Quem também responde a pergunta dos pais de como manter as crianças e adolescentes estimulados sem transformar o período de descanso em uma extensão da sala de aula é Filipe Couto, diretor Pedagógico Geral do Colégio pH. Segundo ele, o segredo está justamente em equilibrar descanso, experiências reais e estímulos significativos que ampliem o repertório, sem cair na tentação de 'escolarizar' as férias. "Não é necessário ter medo de que a criança ‘perca o que aprendeu, Pelo contrário: o cérebro precisa de pausas e de outros estímulos para consolidar os aprendizados", explica o diretor.
"Ao longo das férias, experiências concretas reforçam o que foi aprendido ao longo do ano. Se a turma estudou plantas, uma visita ao Jardim Botânico pode aprofundar o conteúdo; se discutiu escravidão, um passeio ao Cais do Valongo é uma boa dica de programação e amplia sentidos; e se leu um livro marcante, por exemplo, uma ida à biblioteca fortalece o hábito", enfatiza.
Além disso, o diretor destaca que as férias são também um período de convivência e formação cidadã: "Atividades cotidianas como ajudar na cozinha, arrumar a cama ou participar da organização da casa também desenvolvem autonomia, responsabilidade e cuidado coletivo — aprendizagens tão importantes quanto as acadêmicas”.
A seguir, dicas práticas para apoiar famílias durante o período de férias, com sugestões específicas para crianças pequenas e para adolescentes:
Sugestões para crianças do Ensino Fundamental 1
A seguir, dicas práticas para apoiar famílias durante o período de férias, com sugestões específicas para crianças pequenas e para adolescentes:
Sugestões para crianças do Ensino Fundamental 1
1. Experiências reais conectadas ao que aprenderam na escola:
Reforce conteúdos visitando museus, parques, jardins e locais históricos.
Transforme passeios em conversas: o que viram? O que lembraram? O que descobriram?
2. Momentos de leitura curtos e frequentes
Transforme passeios em conversas: o que viram? O que lembraram? O que descobriram?
2. Momentos de leitura curtos e frequentes
Reserve 20 a 30 minutos, duas ou três vezes por semana. Leitura compartilhada vale muito: leia com a criança, depois conversem sobre a história.
Mostre utilidade real: peça para ela ler o cardápio, placas, nomes de ruas, listas de compras.
3. Tédio faz bem
Não preencha toda a agenda. O tédio favorece criatividade, imaginação e autonomia.
Deixe materiais disponíveis: lápis, papéis, massinhas, blocos de montar, tintas.
4. Telas com sentido — não proibição
O foco não é só limitar o tempo de tela, mas qualificar o conteúdo.
Combine: “telas depois da leitura, banho ou alguma atividade da rotina”.
E sempre converse sobre o que a criança assistiu.
5. Participação na logística da casa
Atividades pequenas desenvolvem responsabilidade: arrumar a mesa, recolher o lixo, ajudar no preparo de lanches, regar plantas, cuidar do animal de estimação.
Sugestões para adolescentes:
1. Explorar novos hobbies e habilidades
Aprender um instrumento, praticar um novo esporte, testar culinária, fotografia, desenho ou programação.
A aquisição de um novo hábito estimula neuroplasticidade, foco e repertório cultural.
2. Incentivar leituras que fogem da escola
Literatura juvenil, biografias, ficção científica, HQs ou temas de interesse pessoal.
Manter o diálogo após a leitura ajuda a desenvolver pensamento crítico.
3. Dialogar sobre telas e combinar limites conscientes
Estabeleça com o adolescente regras combinadas e flexíveis.
Proponha equilíbrio entre esportes, lazer ao ar livre e tecnologia.
4. Criar momentos de autonomia
Permita que escolham passeios, façam parte do planejamento das férias e assumam pequenas responsabilidades. Isso fortalece independência, organização e tomada de decisão.
5. Vivências culturais e urbanas para além da praia!
Mostre utilidade real: peça para ela ler o cardápio, placas, nomes de ruas, listas de compras.
3. Tédio faz bem
Não preencha toda a agenda. O tédio favorece criatividade, imaginação e autonomia.
Deixe materiais disponíveis: lápis, papéis, massinhas, blocos de montar, tintas.
4. Telas com sentido — não proibição
O foco não é só limitar o tempo de tela, mas qualificar o conteúdo.
Combine: “telas depois da leitura, banho ou alguma atividade da rotina”.
E sempre converse sobre o que a criança assistiu.
5. Participação na logística da casa
Atividades pequenas desenvolvem responsabilidade: arrumar a mesa, recolher o lixo, ajudar no preparo de lanches, regar plantas, cuidar do animal de estimação.
Sugestões para adolescentes:
1. Explorar novos hobbies e habilidades
Aprender um instrumento, praticar um novo esporte, testar culinária, fotografia, desenho ou programação.
A aquisição de um novo hábito estimula neuroplasticidade, foco e repertório cultural.
2. Incentivar leituras que fogem da escola
Literatura juvenil, biografias, ficção científica, HQs ou temas de interesse pessoal.
Manter o diálogo após a leitura ajuda a desenvolver pensamento crítico.
3. Dialogar sobre telas e combinar limites conscientes
Estabeleça com o adolescente regras combinadas e flexíveis.
Proponha equilíbrio entre esportes, lazer ao ar livre e tecnologia.
4. Criar momentos de autonomia
Permita que escolham passeios, façam parte do planejamento das férias e assumam pequenas responsabilidades. Isso fortalece independência, organização e tomada de decisão.
5. Vivências culturais e urbanas para além da praia!
Visitas a museus, rodas culturais, peças de teatro, exposições, cinemas de rua e sessões de filmes legendados ampliam repertório e visão de mundo.
As férias são um período potente de desenvolvimento, tanto emocional, cognitivo, social e cultural, como reforça Filipe Couto: "O que mais fortalece o desenvolvimento infantil e juvenil é uma convivência rica, com espaço para brincar, explorar, conversar e descansar de verdade".
Oficinas no MAM Rio – Arte em Circuito
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) abre sua programação educativa de 2026, na quarta-feira (14 ) dia de janeiro, com o projeto Oficinas de Férias – Arte em Circuito, um conjunto de atividades que propõe experiências artísticas na intersecção entrearte, ciência e tecnologia. Voltadas para crianças, famílias, jovens e adultos, as oficinas convidam o público a experimentar diferentes modos de criação a partir de temas como sonoridades, óptica, paisagem, território e narrativa.
As férias são um período potente de desenvolvimento, tanto emocional, cognitivo, social e cultural, como reforça Filipe Couto: "O que mais fortalece o desenvolvimento infantil e juvenil é uma convivência rica, com espaço para brincar, explorar, conversar e descansar de verdade".
Oficinas no MAM Rio – Arte em Circuito
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) abre sua programação educativa de 2026, na quarta-feira (14 ) dia de janeiro, com o projeto Oficinas de Férias – Arte em Circuito, um conjunto de atividades que propõe experiências artísticas na intersecção entrearte, ciência e tecnologia. Voltadas para crianças, famílias, jovens e adultos, as oficinas convidam o público a experimentar diferentes modos de criação a partir de temas como sonoridades, óptica, paisagem, território e narrativa.
Realizadas ao longo do mês de janeiro, as atividades estimulam a experimentação prática, o pensamento crítico e o diálogo com o entorno do museu — da Baía de Guanabara aosjardins e à arquitetura — articulando processos colaborativos, eletrônica criativa, realidade aumentada e investigação material. Todas as oficinas acontecem no Bloco Escola, sem inscrição prévia e com participação gratuita, respeitando o limite de vagas de cada proposição.
"Ações educativas são fundamentais para o MAM Rio, uma instituição com vocação de museu-escola. As oficinas que ocupam o Bloco Escola e os espaços externos do museu conectam formação com lazer e coletividade, contribuindo em último termo para o desenvolvimento de processos de cidadania", afirma Yole Mendonça, diretora executiva do museu.
"As oficinas de férias buscam introduzir os públicos às práticas artísticas contemporâneas, entendendo o museu não só como um espaço de contemplação, mas de criação e experimentação", comenta Antonio Amador, coordenador de mediação do MAM Rio.
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