Publicado 30/01/2026 08:00
"Saudade é o amor que fica", "saudade, palavra triste quando se perde um grande amor", saudade de um filho que viajou ou de alguém que já partiu deixando um vazio no quarto, na cama, na mesa e até de amigos e parentes que não estão mais entre nós. São inúmeras músicas e ocasiões para falar dessa palavra, que, muitas vezes, corrói por dentro e deixa as pessoas 'mortas de saudade'.
PublicidadeA Cidade Maravilhosa, bonita por natureza e cheia de turistas principalmente no verão, é muitas vezes marcada por encontros, despedidas e afetos intensos. Por isso, a saudade faz parte do cotidiano: Está no pôr do sol visto de longe, no bar que ficou para trás, no amor que mudou de endereço ou no som que toca e leva, em segundos, para outro tempo da vida.
No Dia da Saudade, 30 de janeiro, o sentimento ganha espaço para ser entendido além da dor, como parte essencial da experiência humana. Mas é bom ficar atento para que saudade não se transforme em dor eterna. fotogaleria
Para a psicóloga clínica Larissa Fonseca, o sentimento não deve ser encarado automaticamente como algo negativo. "A saudade existe porque houve vínculo, troca e afeto. Psicologicamente, ela mostra que algo teve importância real na nossa história. Quando bem elaborada, ajuda a organizar memórias, sustentar a identidade emocional e, em alguns momentos, até trazer conforto", explica, acrescentando que o problema surge se o sentimento deixar de ser passageiro e passa a ocupar tudo na vida de quem a sente.
"Quando começa a interferir no sono, no apetite, na concentração, no trabalho ou nas relações, a saudade deixa de ser lembrança e vira aprisionamento. A mente fica presa ao passado e a vida no presente começa a perder espaço", alerta Larissa.
A psicóloga Mariane Pires Marchetti compartilha da mesma opinião e reforça que sentir saudade é saudável, desde que haja espaço emocional para sustentá-la. "Ela indica que houve significado. A saudade conecta quem fomos, quem somos e quem amamos. O problema não é senti-la, mas não conseguir seguir vivendo apesar dela", afirma. Ela conta que cada tipo de saudade também carrega um peso diferente.
A psicóloga Mariane Pires Marchetti compartilha da mesma opinião e reforça que sentir saudade é saudável, desde que haja espaço emocional para sustentá-la. "Ela indica que houve significado. A saudade conecta quem fomos, quem somos e quem amamos. O problema não é senti-la, mas não conseguir seguir vivendo apesar dela", afirma. Ela conta que cada tipo de saudade também carrega um peso diferente.
"A ausência definitiva de alguém que morreu envolve o luto. A distância de quem ainda está vivo traz a ambiguidade da esperança do reencontro. Já a saudade de uma fase da vida fala de perdas simbólicas, de versões de si mesmo que não voltam mais. Todas doem, mas de maneiras distintas", pontua Mariane.
Músicas falam do sentimento o tempo todo
A saudade tem um lugar privilegiado nas canções. O músico e compositor Landau transformou esse sentimento em homenagem na música Amor Demais. "É uma canção dedicada ao meu pai e à minha mãe. Além da saudade, a letra traz muitas lembranças da infância, da escola, do cheiro de café em casa. Foi como se os versos já estivessem prontos dentro da alma, um agradecimento pelos ensinamentos que recebi", conta. Landau mora na Bahia e o pai, Wilson Silveira Oliveira, em Minas Gerais. Sua mãe, Maria das Graças Oliveira de Oliveira, que era conhecida como dona Dacha, já é falecida.
No sertanejo, a saudade também chega sem aviso. Para Matheus, da dupla Matheus & Lorenzo, ela é direta e certeira. "Quando a saudade bate, não tem freio e não faz curva. Você acha que está pronto para seguir, aí vem uma ligação ou uma mensagem de madrugada e ela vai direto no coração", diz sobre a música Saudade Não Faz Curva. Lorenzo completa que a parceria e o momento também carregavam esse sentimento de ausência e vontade de reencontro.
Já a cantora Bea Duarte aborda a saudade a partir da ausência e do incômodo que ela provoca. "A música Foragido não fala daquela saudade romântica. É sobre quando alguém vai embora e deixa um vazio que não é bonito nem confortável. Fica a sensação de abandono, de ter que lidar sozinha com o que ficou", explica.
No sertanejo, a saudade também chega sem aviso. Para Matheus, da dupla Matheus & Lorenzo, ela é direta e certeira. "Quando a saudade bate, não tem freio e não faz curva. Você acha que está pronto para seguir, aí vem uma ligação ou uma mensagem de madrugada e ela vai direto no coração", diz sobre a música Saudade Não Faz Curva. Lorenzo completa que a parceria e o momento também carregavam esse sentimento de ausência e vontade de reencontro.
Já a cantora Bea Duarte aborda a saudade a partir da ausência e do incômodo que ela provoca. "A música Foragido não fala daquela saudade romântica. É sobre quando alguém vai embora e deixa um vazio que não é bonito nem confortável. Fica a sensação de abandono, de ter que lidar sozinha com o que ficou", explica.
A também cantora Amanda Birchal traz uma leitura mais silenciosa e melancólica do sentimento. "Sinais Vitais fala de uma saudade que não acolhe. É a presença constante de alguém na memória, mesmo quando a pessoa já não está mais ali. Tudo vira gatilho, pequenas lembranças que fazem você voltar naquele lugar" afirma.
Para a especialista em comunicação e psicanálise Jackline Georgia, falar sobre saudade ainda é difícil porque expõe fragilidade. "A sociedade valoriza força, sucesso e produtividade. Saudade mostra o lado real do humano, a dor, a falta, e isso assusta. Muitas pessoas se calam por medo de parecer fracas ou dramáticas", analisa.
Para a especialista em comunicação e psicanálise Jackline Georgia, falar sobre saudade ainda é difícil porque expõe fragilidade. "A sociedade valoriza força, sucesso e produtividade. Saudade mostra o lado real do humano, a dor, a falta, e isso assusta. Muitas pessoas se calam por medo de parecer fracas ou dramáticas", analisa.
Segundo ela, a comunicação é uma ferramenta fundamental para elaborar esse sentimento. "Quando a boca cala, o corpo sente. Expressar a saudade organiza o que está confuso por dentro, alivia a dor e aproxima pessoas que vivem experiências parecidas. Falar não é fraqueza, é cuidado", afirma.
Origem da palavra
Origem da palavra
A palavra saudade tem origem no latim solitate(m) (solidão, desamparo) e evoluiu no galego-português para formas como soidade e soudade, recebendo influência de palavras como saúde e saudar, que a transformaram na forma atual, refletindo a melancolia da ausência de algo ou alguém amado, um conceito profundamente ligado à cultura lusófona e às navegações.
Evolução da Palavra:
Latim: Começa com solitate(m), significando solidão, desamparo, ou estar só.
Galego-Português: Evoluiu para soidade ou soudade, mantendo o sentido de solidão e ausência.
Influência: Por analogia fonética e semântica com saúde e saudar, a palavra sofreu alterações, fixando-se como saudade.
Evolução da Palavra:
Latim: Começa com solitate(m), significando solidão, desamparo, ou estar só.
Galego-Português: Evoluiu para soidade ou soudade, mantendo o sentido de solidão e ausência.
Influência: Por analogia fonética e semântica com saúde e saudar, a palavra sofreu alterações, fixando-se como saudade.
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