Publicado 26/01/2026 17:25
Rio - O prefeito Eduardo Paes anunciou, na tarde desta segunda-feira (26), em uma postagem nas redes sociais, a suspensão do leilão do terreno do Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga, conhecido popularmente como Feira de São Cristóvão. De acordo com Paes, a Prefeitura do Rio chegou a um acordo para o pagamento de uma dívida da RioTur, que levaria o espaço para arrematação.
PublicidadeO pavilhão de São Cristóvão iria à leilão com lance mínimo de quase R$ 25 milhões devido a um processo movido pela União contra a Riotur, responsável pelo espaço, por dívidas fiscais e trabalhistas. Entre os feirantes, a possível venda gerou medo e incertezas quanto à continuidade das atividades no espaço.
Na última semana, o presidente da Associação dos Feirantes e dono da 'Barraca di Cumida Conexão Mandacaru', Flávio Fárney da Silva Xavier, disse ao DIA que diversas famílias dependem do pavilhão.
"São mais de 600 feirantes lá dentro, como vão tirar aquelas famílias todas? Ou vão explorá-los comercialmente? Quem for comprar tem que analisar 40 vezes o que vai acontecer no futuro após o leilão. Nós estamos lá desde 2003, não geramos essa dívida", afirmou.
A Feira de São Cristóvão, que completou 80 anos em 2025, é um importante ponto turístico e cultural do Rio de Janeiro. Em 2010, foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Em novembro de 2023, o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas foi declarado Patrimônio Histórico, Cultural, Turístico e Gastronômico do Estado do Rio de Janeiro.
A origem do espaço remonta a 1945, quando retirantes nordestinos chegavam em caminhões ao Campo de São Cristóvão, muitos deles para trabalhar na construção civil. Esses encontros deram início a celebrações com músicas e comidas típicas que logo se tornaram tradição.
Durante 58 anos, a feira permaneceu nos arredores do Campo. Em 2003, após a reforma do Pavilhão de São Cristóvão, o evento foi transferido para dentro do espaço. Nessa época, passou a se chamar oficialmente Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas.
Além da programação musical e gastronômica, o espaço reúne símbolos da cultura popular nordestina, como estátuas de Padre Cícero, Lampião e Maria Bonita, além do próprio Luiz Gonzaga.
O centro de tradições conta atualmente com cerca de 700 barracas fixas que reúnem gastronomia, artesanato, literatura de cordel e outros produtos típicos. A comida é um dos grandes destaques, com a oferta de pratos típicos da cozinha nordestina, como baião de dois, carne de sol com aipim, sarapatel, moqueca, e vatapá. Ela recebe em média 400 mil visitantes por mês, cerca de 12 mil às sextas, 30 mil aos sábados e 45 mil aos domingos.
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